Por ora, o ex-presidente se vê obrigado a atuar nos bastidores, articulando politicamente, enquanto a oposição busca alternativas para manter a coesão e a força eleitoral.
Bolsonaro seguirá atuando, mesmo silenciado, por meio de interlocutores
Essa é a opinião, por exemplo, do cientista político e professor do Ibmec-BH Adriano Cerqueira.
“Ele vai ser um nome muito importante e de algum modo ainda vai interferir, provavelmente de modo mais indireto, no processo político eleitoral do ano que vem”, afirma.
No mesmo sentido, o senador Magno Malta (PL-ES) sustenta que Bolsonaro não será neutralizado pelas restrições.
“A tentativa de calar Jair Bolsonaro não neutraliza sua influência, pelo contrário, reforça a responsabilidade de nós, parlamentares, que comungam de seus ideais, sermos sua voz junto à população e à imprensa”, disse o senador
Silenciamento tem impacto na comunicação da direita, mas Bolsonaro deve manter articulação
Ao longo dos últimos anos, a direita brasileira consolidou-se como uma força política com forte presença digital e capacidade de comunicação direta com sua base.
O “efeito Bolsonaro” se deu, em grande parte, por sua habilidade em pautar temas, mobilizar seguidores e gerar reações imediatas a partir de suas falas.
Vários de seus principais aliados, a exemplo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e do filho do ex-presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), utilizam as redes sociais como principal meio de comunicação, não só com o seu eleitorado, mas também com apoiadores de todos os estados do Brasil.
As manifestações convocadas pela direita para agosto e setembro terão como principal tema o “Fora, Moraes”, mas não deixarão de ter como pano de fundo a perseguição política a Bolsonaro.
Assim, os aliados do ex-presidente se esforçam para manter seu líder como foco de atenção da população.
Aliados de Bolsonaro devem manter plano de controlar Congresso
Diante de possíveis limitações à candidatura presidencial de Bolsonaro, devido à sua inelegibilidade até 2030 imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-presidente e o PL querem construir uma bancada conservadora robusta para ter maioria no Legislativo em 2026.
O principal objetivo é eleger o presidente do Senado e assim equilibrar os Poderes da República.
Isso porque os senadores têm a prerrogativa de realizar impeachments de ministros do Supremo.
A ideia defendida e externada em diversas declarações de Bolsonaro é formar uma frente que una setores do agronegócio, do empresariado, evangélicos e liberais, com o objetivo de disputar espaços no Congresso, Assembleias Legislativas e governos estaduais.
Para o deputado Maurício Marcon (Podemos-RS), o plano de Bolsonaro de ter maioria no Congresso não perde força diante da impossibilidade de se comunicar diretamente com o eleitorado.
“Eu acho que pelo contrário. Acho que as pessoas cada vez mais estão vendo que o que está acontecendo: é uma caminhada violenta para questões ditatoriais. E eu tenho certeza que vai impulsionar ainda mais a direita nas urnas em 2026”, avalia o deputado.
O dilema da liderança deve inviabilizar “passada de bastão” de Bolsonaro em 2026
A limitação imposta a Bolsonaro reacende a discussão sobre a necessidade de se encontrar ou não um novo rosto para liderar o campo conservador. Embora nomes como o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), surjam como opções viáveis, a ausência de uma figura com a mesma capacidade de mobilização e conexão emocional com a base é um desafio.
Bolsonaro, no entanto, não deve “passar o bastão”.
A perspectiva é que aliados devem seguir fazendo o papel de transmitir suas mensagens ao eleitorado, mantendo seu capital político ativo.
Mesmo silenciado, Bolsonaro mantém influência por meio de encontros e articulações de bastidores.
Fonte: Gazeta do Povo
O cerceamento do discurso público do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), imposto por meio de decisão do ministro Alexandre de Moraes, ultrapassa a esfera judicial e muda a dinâmica da corrida eleitoral para 2026.

