Gabinete paralelo de Moraes agiu contra caminhoneiros em 2022

Apenas um dia depois de Luiz Inácio Lula da Silva ser confirmado como vencedor das eleições de 2022, o gabinete paralelo do ministro Alexandre de Moraes agiu com urgência para conter caminhoneiros que protestavam contra a eleição do petista para a Presidência da República.

É o que mostram as mensagens obtidas  por Oeste.

Em 1º de novembro de 2022, no começo das manifestações, o juiz auxiliar de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF), Airton Vieira, enviou demandas ao então chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro.

“Eduardo, consegue checar para mim o que segue abaixo?”, perguntou. “As combinações de atividades terroristas e de distúrbio estão saindo dessa conta”, acrescentou Vieira, referindo-se a um perfil não identificado nas redes sociais.

Eduardo Tagliaferro respondeu: “São manifestações de caminhoneiros, estão se movimentando para paralisar o Brasil”.

Em seguida, indagou: “Estou com uma série de grupos manifestando sobre isso, saímos pelo STF ou TSE?”.

A resposta de Vieira indicou o rumo que seria tomado:

“Consegue um relatório simples, para fins de eventual bloqueio?”.

No diálogo, Eduardo Tagliaferro alertou:

“Já estão paralisando diversas rodovias, qual vai ser o tratamento disso?”.

A resposta de Airton Vieira foi curta: “Não sei…”.

Minutos depois, Tagliaferro reagiu com ironia: “Lascou”.

Na sequência, a conversa se voltou para a possibilidade de a Polícia Rodoviária Federal (PRF) atuar para conter os caminhoneiros.

Vieira perguntou: “O TSE tem o e-mail da PRF?”.

O que é a Vaza Toga

As informações e os documentos divulgados nesta reportagem, obtidos por Oeste com exclusividade, acrescentam novos e graves detalhes aos fatos que começaram a vir à luz a partir das revelações contidas em reportagens publicadas inicialmente pelo jornal Folha de S. Paulo, no que ficou conhecido como Vaza Toga.

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