
Artigo do senador Sergio Moro para a Gazeta do Povo
O ano de 2026 começou com a derrocada de Nicolás Maduro.
Em uma ação ousada, tropas de elite dos Estados Unidos capturaram o tirano de Caracas e o levaram para Nova York, onde será julgado, como o criminoso que é, por tráfico de drogas.
Ainda é cedo para avaliar o que o fim do ditador trará para a Venezuela.
Na perspectiva mais pessimista, Maduro será substituído por outra liderança do regime chavista, com a continuidade da ditadura.
Na otimista, trata-se do primeiro passo para a derrocada do regime e para uma transição democrática na Venezuela. Teremos de aguardar.
As motivações de Donald Trump aparentam estar mais relacionadas à expansão de sua influência política em um país rico em petróleo do que à restauração da democracia venezuelana.
No entanto, no momento, o mais importante é acompanhar as consequências do que as motivações da ação.
“É muito cedo para dizer se a liberdade e a democracia serão restauradas na Venezuela. Mas a retirada de Maduro oferece pelo menos uma oportunidade de mudança real.”
A Venezuela chavista era uma fonte de problemas e de instabilidade para toda a América Latina.
O país foi arruinado pelo “socialismo no século 21”, o que resultou na emigração de milhões de venezuelanos.
O Brasil abriga centenas de milhares desses refugiados, assim como vários outros países latino-americanos.
A Venezuela tornou-se um hub para criminosos e rota mundial para o tráfico de drogas.
No passado mais distante, antes de as finanças do país terem sido afetadas pela destruição econômica, o governo venezuelano teria, ainda, financiado ilegalmente campanhas políticas de aliados ideológicos no continente americano, todos reunidos no famigerado Foro de São Paulo.
A queda de Maduro e a evolução dos fatos na Venezuela terão consequências políticas e econômicas para toda a América Latina.
Foi interessante acompanhar as reações no continente à captura de Maduro.
Os líderes latino-americanos alinhados ideologicamente com a Venezuela reagiram negativamente, agindo como verdadeiras “viúvas de Maduro”.
Gustavo Petro, na Colômbia, e Lula, no Brasil, denunciaram em tom semelhante a ação como um grave atentado à soberania e à autodeterminação do povo venezuelano.
Esqueceram de dizer que Maduro era um ditador que permanecia no poder somente porque fraudou os resultados da última eleição, e graças à perseguição implacável contra a oposição.
De maneira mais coerente, Javier Milei, hoje a maior liderança política da América Latina, comemorou, da Argentina, o que interpretou como um avanço da liberdade no continente.
Da minha parte, a avaliação é simples: a permanência de Maduro era inaceitável.
O tirano de Caracas é responsável por graves violações de direitos humanos e pela destruição econômica da Venezuela.
No fundo, era mais o líder de uma gangue de criminosos que capturou o poder governamental na Venezuela do que o presidente de um país. Então, a sua deposição tem de ser celebrada.
Se alguém tiver alguma dúvida, que pergunte a um dos milhões de refugiados venezuelanos.
Eu fiz minha lição de casa e questionei alguns que encontrei desde então.
Nenhum deles derramou uma lágrima por Maduro; todos assistem aos desdobramentos com cauteloso otimismo.
É muito cedo para dizer se a liberdade e a democracia serão restauradas na Venezuela.
Mas é inequívoco que a retirada de Maduro oferece pelo menos uma oportunidade de mudança real.
Esperamos que esse seja um primeiro passo para sepultar politicamente todas as ideias e lideranças que orbitam no aludido Foro de São Paulo e que tanto atraso e retrocesso causaram para a América Latina.
Há muitas viúvas de Maduro por aqui, e uma delas ocupa o Palácio do Planalto atualmente.
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