Editorial da Folha aponta blindagem no STF e detona Gilmar Mendes

O jornal Folha de S.Paulo publicou um editorial em que levanta críticas à atuação do ministro Gilmar Mendes, do STF, em meio às repercussões do caso envolvendo o Banco Master.

Segundo o texto, decisões recentes do magistrado indicariam uma tentativa de proteger integrantes da própria Corte.

Decisão antecipada antes da chegada do caso ao STF

De acordo com o editorial, antes mesmo de o escândalo alcançar oficialmente o STF, Gilmar Mendes já havia tomado uma medida considerada incomum.

No início de dezembro, o ministro proferiu uma decisão monocrática que estabeleceu obstáculos ao processo de impeachment de ministros da Corte — competência que, pela Constituição, pertence ao Senado.

Dias depois dessa decisão, o ministro Dias Toffoli determinou que o caso fosse levado ao Supremo.

O movimento foi descrito pelo jornal como o primeiro de uma sequência de decisões controversas relacionadas ao episódio.

Relações financeiras aumentam suspeitas

O cenário ganhou maior repercussão após a divulgação de vínculos financeiros entre Toffoli e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A partir desse momento, segundo o editorial, decisões de Gilmar Mendes passaram a apresentar um direcionamento mais evidente.

Suspensão de quebras de sigilo gera críticas

O texto destaca que, em fevereiro, Gilmar Mendes suspendeu a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt.

A empresa teria ligação com Toffoli e com o fundo Arleen, associado a Vorcaro.

Percepção de autoproteção dentro da Corte

Para a Folha, forma-se um quadro em que magistrados estariam utilizando suas prerrogativas para se proteger.

O editorial menciona ainda o ministro Alexandre de Moraes, citando que sua esposa teria mantido um contrato milionário com o Banco Master — fator que ampliaria as suspeitas em torno do caso.

Possível delação pode agravar crise

O editorial aponta que a situação pode se intensificar caso se concretize uma delação premiada de Daniel Vorcaro.

Segundo o texto, o ex-banqueiro já teria firmado um acordo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal.

A publicação afirma que qualquer acordo que não esclareça completamente as relações entre Vorcaro e ministros do STF seria inaceitável.

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