Com reformas, grupos de lobbies dobram na Câmara dos Deputados

Nas vésperas da aprovação da reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara, um grupo de oficiais de Justiça e policiais federais e rodoviários, que fazia lobby em favor do setor, cercou o deputado Celso Russomanno (PRB-SP) na entrada do plenário onde se discutia a proposta.

“Deputado, não tem acordo nestes termos. Se for assim, vamos para o pau”, disparou Raphael Casotti, policial rodoviário federal que atua em defesa dos interesses de profissionais da Segurança Pública.

Plantados na porta do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), representantes de outros grupos de lobby tentavam convencer cada parlamentar que entrava e saía da reunião a encampar mudanças no texto.

O número de profissionais especializados em defender algum tipo de interesse aumentou e está mais agressivo nos corredores e gabinetes do Congresso.

Dados da 1.ª Secretaria da Câmara, mostram que 359 organizações têm pessoas autorizadas a circular na Casa para defender suas agendas.

Foco

O foco principal dos grupos de interesse, porém, são as comissões da Câmara, como a que discutiu as regras da Previdência.

Um estudo do professor Manoel Leonardo Santos, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), destaca que para os lobistas é mais relevante tentar influenciar a tramitação de um projeto de lei nesta fase do que no plenário.

O estudo também mostra que, nos colegiados, o relator costuma ser o mais “assediado”.

No caso da comissão da Previdência levou grupos de interesse a intensificar o lobby sobre o deputado Samuel Moreira (PSDB-SP).

Em um mês, 35 entidades ou parlamentares ligados a elas pediram audiência com o tucano, na tentativa de convencê-lo a alterar seu relatório.

Renato Onofre, O Estado de S.Paulo

foto: (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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