Nesta semana, o presidente Lula e o ministro Márcio Macêdo, da Secretaria-Geral da Presidência, foram denunciados à PGR pela suposta prática de quatro crimes, dentre eles associação criminosa e prevaricação, após tornar-se público que uma visita de Lula à Favela do Moinho, em São Paulo, foi intermediada por uma ONG ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Mas essa não é a primeira vez que integrantes do atual governo são acusados de proximidade com membros de facções criminosas.
Desde a campanha eleitoral de 2022, ano em que o petista foi eleito presidente pela terceira vez, há suspeitas de articulação com o crime organizado.
Relembre quatro episódios em que o governo Lula levantou dúvidas sobre interlocução com facções criminosas.
1. Visita de Lula à Favela do Moinho articulada com ONG ligada ao PCC
No dia 26 de junho deste ano, Lula e uma comitiva do governo visitaram a Favela do Moinho, no centro de São Paulo, onde o presidente anunciou medidas habitacionais.
No entanto, quem intermediou a ida do presidente ao local foi uma ONG ligada ao PCC.
A Associação de Moradores da Comunidade do Moinho é liderada pela irmã de “Léo do Moinho”, que é apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) como líder do tráfico na região.
Dois dias antes da visita de Lula, o ministro Márcio Macêdo compareceu à sede da ONG para negociar as tratativas da visita.
O endereço da associação já foi usado pelo PCC para armazenamento de drogas a serem distribuídas no centro da capital paulista.
2. Entrada de Flávio Dino em área dominada pelo Comando Vermelho sem apoio policial
Em março de 2023, o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino – hoje ministro do STF nomeado por Lula – entrou no Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, para participar de um evento de uma ONG sem nenhuma obstrução e sem a realização de operação policial.
O local, formado por 16 favelas, tem o poder dividido pelo Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro, as principais facções.
“Não tem nenhum cidadão no mundo que entre na Maré com dois carros grandes, com insulfilm, sem a anuência e a concordância do narcotráfico. Tanto que para a PM ou qualquer outra força policial entrar é só com blindados, com uma operação grande, com helicópteros. E mesmo assim, a resistência será de grandes proporções”, disse, na época, o coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) Fábio Cajueiro, ex-comandante de operações no Complexo da Maré.
“Nenhuma autoridade do Brasil ou de qualquer lugar do mundo entraria ali sem a autorização das lideranças do narcotráfico – seja juiz, promotor, desembargador, ministro, presidente…”, complementou.
3. Ato de campanha no Complexo do Alemão, dominado por facções sem presença policial
Em outubro de 2022, em meio ao segundo turno da campanha presidencial, o então candidato Lula visitou o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.
O local é um dos redutos históricos do Comando Vermelho.
Da mesma forma que a visita de Flávio Dino, a entrada da comitiva de Lula não contou com a presença da Polícia Militar.
Na época, a entrada da equipe do petista para um evento com grande aglomeração de pessoas sem presença policial e com tranquilidade incomum gerou críticas de especialistas em segurança pública sobre eventual acordo com a facção.
Durante a visita, Lula usou um boné com a inscrição “CPX” (sigla para “Complexo”), o que gerou forte repercussão nas redes sociais, já que a inscrição é comum em pichações feitas por membros do Comando Vermelho e até mesmo em armamentos da facção.
4. Visita da “Dama do tráfico” ao Ministério da Justiça, com custos pagos pelo governo
No primeiro ano da nova gestão Lula, Luciane Barbosa Farias, conhecida como a “dama do tráfico amazonense”, integrante do Comando Vermelho, foi recebida duas vezes por assessores do então ministro Flávio Dino, no prédio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em Brasília.
Ela participou de audiências com dois secretários e dois diretores da pasta, mas seu nome foi omitido das agendas oficiais.
fonte: Gazeta do Povo


