Os presidentes das quatro maiores montadoras que operam no Brasil enviaram uma carta conjunta ao presidente Lula alertando sobre os impactos negativos de uma medida prestes a ser adotada pelo governo federal.
O plano, coordenado pela Casa Civil sob a liderança do ministro Rui Costa (PT), prevê incentivos à produção de veículos no país por meio do sistema SKD (Semi Knocked Down) — quando os carros chegam quase prontos do exterior e são apenas montados localmente, com baixo uso de fornecedores nacionais.
Volkswagen, Toyota, Stellantis e GM afirmam que a medida pode causar perda imediata de 60 bilhões de reais em investimentos, eliminação de 10 mil contratações previstas e demissão de até 5 mil trabalhadores atuais nas montadoras.
O impacto, segundo o setor, pode ser ainda maior na cadeia produtiva: para cada emprego perdido na montadora, outros dez podem ser eliminados entre os fornecedores, totalizando até 50 mil cortes.
O documento é assinado por Ciro Possobom (Volkswagen), Evandro Maggio (Toyota), Emanuele Cappellano (Stellantis) e Santiago Chamorro (GM).
Nele, os executivos afirmam que o incentivo ao modelo SKD beneficiará especialmente empresas chinesas, como a BYD, que concentra investimentos na Bahia — reduto político de Rui Costa.
Segundo as montadoras, o modelo SKD resulta em baixo conteúdo nacional, mínima geração de empregos e ameaça todo o ecossistema de autopeças e engenharia local.
“Essa prática deletéria pode disseminar-se em toda a indústria”, diz o texto.
O setor teme que, caso o governo avance com a proposta, os R$ 180 bilhões em investimentos prometidos pelas montadoras para os próximos cinco anos — dos quais R$ 130 bilhões destinados à produção de veículos e R$ 50 bilhões ao parque de autopeças — sejam drasticamente reduzidos.
fonte: Conexão Política


