Produção industrial de MS alcança em dezembro melhor resultado desde 2011

A produção industrial sul-mato-grossense alcançou em dezembro de 2018 o melhor resultado para o mês desde 2011, de acordo com a Sondagem Industrial realizada pelo Radar Industrial da Fiems junto a 65 empresas no período de 7 a 17 de janeiro de 2019. Pelo levantamento, em dezembro, 62,5% das empresas industriais de Mato Grosso do Sul tiveram estabilidade ou crescimento da produção.

“O mês de dezembro é tradicionalmente marcado por uma redução no ritmo de atividade, ocasionada pelo fim das encomendas para o período de fim de ano. Contudo, essa desaceleração foi muito menor em 2018 com o índice de evolução da produção alcançando 47 pontos, resultado 6,9 pontos superior à média histórica para o mês de dezembro”, comentou o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems, Ezequiel Resende.

Ainda de acordo com ele, em dezembro, a ociosidade média na indústria sul-mato-grossense foi de 33%. “Somado a isso, o índice de utilização fechou o mês em 44,7 pontos. Resultados abaixo dos 50 pontos sinalizam que a utilização da capacidade instalada foi inferior ao que era esperado para o período. Por fim, a sondagem mostrou que, em dezembro, a utilização da capacidade instalada ficou abaixo do usual para 35,3% dos respondentes, igual ao usual para 47,7% e acima para 7,7%”, relatou.

Margem de lucro

As condições financeiras apresentaram pequena melhora, mas ainda seguem longe do ideal, já que, de um modo geral, os empresários industriais de Mato Grosso do Sul se mostraram insatisfeitos com a margem de lucro operacional de suas empresas no quarto trimestre de 2018, com o indicador alcançando 41,9 pontos. Comportamento semelhante foi verificado em relação às condições de acesso ao crédito e situação financeira geral da empresa, com os indicadores alcançando 39,8 e 45,6 pontos, respectivamente.

Em Mato Grosso do Sul, no quarto trimestre de 2018, 35,4% dos empresários industriais consideraram ruim a margem de lucro operacional obtida no período. Na mesma comparação, o acesso ao crédito foi considerado difícil por 26,1% dos empresários, enquanto 23,1% responderam não ter buscado crédito no trimestre, enquanto a situação financeira geral da empresa foi avaliada como ruim por 27,7% dos participantes, sendo que 41,6% responderam que teve aumento dos preços das matérias-primas utilizadas.

Além disso, conforme Ezequiel Resende, os empresários apontaram como as principais dificuldades enfrentadas no 4º trimestre de 2018 foram a elevada carga tributária, a falta ou alto custo da matéria prima, a falta ou alto custo de energia, a taxa de juros elevadas e a demanda interna insuficiente e competição desleal (informalidade, contrabando e outros).

 

Expectativa

Com relação ao índice de expectativa do empresário industrial, Ezequiel Resende detalha que, em janeiro de 2019, 43,1% das empresas responderam que esperam aumento na demanda por seus produtos nos próximos seis meses, enquanto para o mesmo período 4,6% preveem queda. “Já as empresas que acreditam que o nível de demanda se manterá estável responderam por 49,2% do total, enquanto 3,1% não apresentaram resposta”, informou.

Já sobre o número de empregados 18,5% das empresas responderam que esperam aumento nos próximos seis meses, enquanto 7,7% apontaram que esse número deve cair. “Além disso, 70,8% das empresas esperam manter o quadro de funcionários estável e, por fim, 3,1% não apresentaram resposta”, ressaltou.

O economista reforça que as exportações devem ter alta para 7,7% das empresas respondentes nos próximos seis meses, enquanto 1,5% acreditam que deva ocorrer queda. “As empresas que preveem estabilidade para suas exportações responderam por 18,5% do total e 69,2% disseram que não exportam, enquanto 3,1% não apresentaram resposta”, detalhou.

Sobre a intenção de investimento do empresário industrial, em janeiro o índice alcançou 59,7 pontos, indicando aumento de 5,9 pontos sobre o mês anterior. “Essa melhora foi garantida, principalmente, pela elevação de 6,8 pontos no total de empresas que provavelmente vão investir nos próximos seis meses. Por fim, o índice varia de 0 a 100 pontos, quanto maior o índice, maior é a intenção de investir”, explicou Ezequiel Resende.

ICEI

Em janeiro, o Índice de Confiança do Empresário Industrial de Mato Grosso do Sul (ICEI/MS) alcançou 70 pontos, o maior valor desde fevereiro de 2011, quando registrou 70,6 pontos. O ICEI encontra-se 12,4 pontos acima do registrado em janeiro do ano passado e 14,5 pontos acima de sua média histórica. “O aumento da confiança decorre, principalmente, pela melhora na avaliação das condições atuais”, explicou o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems.

Em janeiro, 7,7% dos respondentes consideraram que as condições atuais da economia brasileira pioraram, no caso da economia estadual, a piora foi apontada por 6,2% dos participantes e, com relação à própria empresa, as condições atuais também estão piores para 6,2% dos respondentes. “Além disso, para 49,2% dos empresários não houve alteração nas condições atuais da economia brasileira, sendo que em relação à economia sul-mato-grossense esse percentual foi de 63,1% e, a respeito da própria empresa, o número chegou a 52,3%”, informou o economista.

Ainda conforme o levantamento, para 33,8% dos empresários as condições atuais da economia brasileira melhoraram, enquanto em relação à economia estadual esse percentual chegou a 21,5%. “No caso da própria empresa, o resultado foi de 30,7%. Já os que não fizeram qualquer tipo de avaliação das condições atuais da economia brasileira, estadual e do desempenho da própria empresa responderam por 9,2%, 9,2% e 10,8%, respectivamente”, pontuou.

Expectativas para os próximos seis meses

A Sondagem aponta também que, em janeiro, nenhum respondente se mostrou pessimista em relação à economia brasileira ou estadual, contudo, em relação ao desempenho da própria empresa, o pessimismo foi apontado por 3,1% dos empresários. “Os que acreditam que a economia brasileira deve permanecer na mesma situação ficou em 10,8%, sendo que em relação à economia do estado esse percentual alcançou 12,3% e, a respeito da própria empresa, o número chegou a 7,7%”, detalhou Ezequiel Resende.

Ele reforça que 81,5% dos empresários se mostraram confiantes e acreditam que o desempenho da economia brasileira vai melhorar, enquanto em relação à economia estadual esse percentual chegou a 80,0% e, no caso da própria empresa, 81,5% dos respondentes confiam numa melhora do desempenho apresentado. “Os que não fizeram qualquer tipo de avaliação das expectativas em relação à economia brasileira, estadual e do desempenho da própria empresa responderam igualmente por 7,7%”, finalizou.

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