Refratário até aqui à ideia de antecipar um embate com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o PT recalculou a rota.
A ordem de conter a artilharia deu lugar à decisão de transformá-lo em alvo.
Até o mês passado, dirigentes petistas ouvidos reservadamente pelo Estadão defendiam poupar ataques ao governador para não gastar munição antes da hora.
A estratégia mudou após as últimas movimentações do governador.
Além de se envolver diretamente na articulação do projeto de anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro, Tarcísio radicalizou seu discurso e fez acenos ao bolsonarismo na manifestação de 7 de Setembro, quando chamou Alexandre de Moraes de ditador.
Um exemplo da estratégia aparece nas inserções de rádio e TV do partido.
O PT nacionalizou as peças veiculadas nos Estados, tratando sobretudo de temas nacionais e da gestão Lula.
Em São Paulo, porém, abriu uma exceção e exibiu propaganda voltada exclusivamente a atacar o governador.
Auxiliares de Tarcísio veem na postura dos petistas uma tentativa de semear a discórdia no bolsonarismo.
Nessa visão, tratar o governador como candidato também o coloca na mira de eleitores mais fiéis de Bolsonaro que ainda enxergam o ex-presidente como candidato e rotulam qualquer movimentação em sentido contrário como traição.
O Palácio dos Bandeirantes também registrou nas últimas semanas movimentos coordenados nas redes sociais para criticar Tarcísio.
fontes: Bianca Gomes e Pedro Augusto Figueiredo
O Estadão



