{"id":197571,"date":"2025-02-11T13:15:39","date_gmt":"2025-02-11T17:15:39","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=197571"},"modified":"2025-02-11T13:15:39","modified_gmt":"2025-02-11T17:15:39","slug":"artigo-gaudencio-torquato-um-governo-sem-cara","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-um-governo-sem-cara\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato: Um governo sem cara"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-197572\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/site-artigo-gaudencio-torquato-um-governo-sem-cara-gaudencio.jpg\" alt=\"\" width=\"1626\" height=\"789\" srcset=\"http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/site-artigo-gaudencio-torquato-um-governo-sem-cara-gaudencio.jpg 1626w, http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/site-artigo-gaudencio-torquato-um-governo-sem-cara-gaudencio-260x126.jpg 260w, http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/site-artigo-gaudencio-torquato-um-governo-sem-cara-gaudencio-1024x497.jpg 1024w, http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/site-artigo-gaudencio-torquato-um-governo-sem-cara-gaudencio-768x373.jpg 768w, http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/site-artigo-gaudencio-torquato-um-governo-sem-cara-gaudencio-1536x745.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1626px) 100vw, 1626px\" \/>O <strong>mspontocom<\/strong> publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<div class=\"m_1983776089697562702he-col m_1983776089697562702he-last\">\n<table class=\"m_1983776089697562702he-col\" border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\">\n<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\" valign=\"top\">\n<div class=\"m_1983776089697562702he-col m_1983776089697562702he-last\">\n<table class=\"m_1983776089697562702he-col\" border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\">\n<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>As imagens dos Governos s\u00e3o extens\u00f5es da identidade de governantes e retratam a cara de seu tempo. O trabalhismo era a fotografia de Get\u00falio. O desenvolvimentismo tinha as fei\u00e7\u00f5es simp\u00e1ticas e sorridentes de JK. O janguismo assumia os contornos do esquerdismo oportunista de Jo\u00e3o Goulart. O janismo juntava regrismo autorit\u00e1rio com independ\u00eancia, a marca de J\u00e2nio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ciclo dos militares fechou o universo da locu\u00e7\u00e3o, maltratou a cidadania, abriu comportas para projetos como a das telecomunica\u00e7\u00f5es e expandiu o gigantismo do Estado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sarney fez um governo tateante, de altos e baixos, de mudan\u00e7as na moeda, com o populismo da distribui\u00e7\u00e3o de leite para as margens sociais. E abriu os pulm\u00f5es da sociedade pol\u00edtica, fincando os eixos democr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo Collor foi um estrondo, marcado por grandes sustos, como o confisco da poupan\u00e7a, marketing pessoal, abertura da economia, diminui\u00e7\u00e3o do tamanho do Estado e muitos esc\u00e2ndalos. O breve governo Itamar Franco foi marcado pelo Plano Real, respons\u00e1vel pela estabiliza\u00e7\u00e3o da moeda, sob o comando de Fernando Henrique e sua equipe. A seguir, tivemos dois governos de FHC, que tiveram como foco a estabiliza\u00e7\u00e3o e a moderniza\u00e7\u00e3o da economia e a robustez do Estado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os governos Lula 1 e 2 focaram as comunidades carentes, com o acesso facilitado ao cr\u00e9dito, e um conjunto de programas sociais. Lula saiu prestigiado. O governo Dilma, que se estendeu de 2011 e 2016, foi marcado pela continuidade de investimentos sociais, mas sufocado por crises econ\u00f4micas, oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, investiga\u00e7\u00e3o de esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o e pelas \u201cpedaladas fiscais\u201d, que motivaram seu impeachment, em 2016.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo Temer, de curto per\u00edodo, foi de muitos avan\u00e7os e de reformas, como a trabalhista. Caracterizou-se, ainda, pelo bom di\u00e1logo com o universo pol\u00edtico. O arrojo da administra\u00e7\u00e3o, tocada por uma equipe de perfis de alta qualidade, n\u00e3o foi bem aceito pelo PT, que fez acirrada campanha contra o governante, taxando-o de golpista. Hoje, aquele ciclo \u00e9 considerado um dos mais avan\u00e7ados da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a cara do atual governo? Assemelha-se a de um bicho de sete cabe\u00e7as. Ou a uma fei\u00e7\u00e3o franksteiniana. Faz uma embalagem para produtos antigos, maquiando-os como novos (as Bolsas); na esfera pol\u00edtica, \u00e9 adepto do conceito franciscano (\u201c\u00e9 dando \u00e9 que se recebe\u201d), desloca-se do canto esquerdo do arco ideol\u00f3gico e se aproxima do centro, sob a f\u00faria de grupos petistas que teimam em defender \u201ca revolu\u00e7\u00e3o socialista\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na seara econ\u00f4mica, tateia sob a corda bamba, ora garantindo que vai controlar gastos, ora escancarando as portas do cofre do Tesouro para amaciar o cora\u00e7\u00e3o de apoiadores(?), alguns duvidosos sobre as possibilidades de reelei\u00e7\u00e3o do atual governante. Muitos confiam, desconfiando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Disso tudo resulta a observa\u00e7\u00e3o: o governo Lula 3 n\u00e3o tem cara. E por que n\u00e3o consegue modelar suas fei\u00e7\u00f5es? Porque continuou embalado nas ondas do passado, sem constatar que o mundo mudou desde janeiro de 2003, quando se sentou pela primeira vez na cadeira presidencial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o, a grande \u00e1rvore que abrigava os interesses das Na\u00e7\u00f5es, cede lugar ao ide\u00e1rio do nacionalismo e consequente fechamento de fronteiras, restri\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio multilateral, tarifas escorchantes para a importa\u00e7\u00e3o de produtos, deporta\u00e7\u00e3o de imigrantes e expans\u00e3o das tens\u00f5es. Come\u00e7a-se a ver, aqui e ali, contrariedade \u00e0s pol\u00edticas predat\u00f3rias, como a dos EUA, sendo a China a protagonista principal, com certo apoio dos pa\u00edses europeus, que veem com desconfian\u00e7a o comportamento irado do presidente da maior democracia ocidental. A cara fechada de Donald Trump \u00e9 a imagem de um mundo em estado de uma Guerra Fria, que imp\u00f5e novos padr\u00f5es geopol\u00edticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tais padr\u00f5es s\u00e3o embasados na volta \u00e0 direita de na\u00e7\u00f5es, que, at\u00e9 pouco tempo, ostentavam, o facho do neoliberal. Pa\u00edses centrais e perif\u00e9ricos est\u00e3o sendo seduzidos por valores da direita ideol\u00f3gica. Matizes fascistas enfeitam estes novos caminhos. O planeta d\u00e1 uma volta ao passado. S\u00e9rgio Villalobos Ruminot, professor da Universidade de Michigan (EUA), \u00e9 autor de um livro muito oportuno para compreendermos o nosso tempo \u2013 \u201cAsedios al fascismo \u2013 Do governo neoliberal \u00e0 revolta popular\u201d, onde oferece \u201cum arsenal para a batalha do presente\u201d).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Trump \u00e9 o Nero dos tempos modernos, o incendi\u00e1rio que toca fogo em Roma, orgulhando-se de ser o maior gestor dos fazeres mundiais. Cerca-se de radicais. Haja decreto. E haja caneta de tinta grossa para mostrar ao mundo sua assinatura barroca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o novo mundo que Lula n\u00e3o quer enxergar. Ainda se considera \u201co cara\u201d, personagem da primeira fila da paisagem, anunciado pelo ent\u00e3o presidente Barack Obama durante um evento com governantes de relevo. Luiz In\u00e1cio borrou sua imagem com inser\u00e7\u00f5es enviesadas sobre o cen\u00e1rio mundial, como o apoio \u00e0 R\u00fassia em guerra contra a Ucr\u00e2nia e o conflito na Faixa de Gaza entre palestinos e judeus. Perdeu credibilidade para unificar os integrantes do Mercosul. Sua voz j\u00e1 n\u00e3o faz eco no grupo dos BRICs. E, por \u00faltimo, seu cacife \u00e9 desprezado pelo maioral dos tempos atuais, o Nero Trump.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, urge dizer que, no plano interno, o presidente \u00e9 obrigado a fazer mais concess\u00f5es aos integrantes do Congresso, os quais, na pr\u00e1tica, sinalizam com a ado\u00e7\u00e3o do semipresidencialismo, o sistema que exerce fun\u00e7\u00f5es executivas, deixando o presidente com as vestes de Chefe de Estado (Davi Alcolumbre e Hugo Motta seriam dois primeiros-ministros&#8230;).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 oportuno lembrar o lema de uma empresa de transportes: \u00a0\u201co mundo gira e a Lusitana roda\u201d.\u00a0Concluo: os desatentos costumam perder o bonde da hist\u00f3ria.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. 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