{"id":200325,"date":"2025-06-07T06:10:47","date_gmt":"2025-06-07T10:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=200325"},"modified":"2025-06-07T06:10:47","modified_gmt":"2025-06-07T10:10:47","slug":"enrico-pierro-tem-coisa-que-so-o-corpo-ensina","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/enrico-pierro-tem-coisa-que-so-o-corpo-ensina\/","title":{"rendered":"enrico pierro: Tem coisa que s\u00f3 o corpo ensina"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-200326\" src=\"http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/site-enrico-pierro-tem-coisa-que-so-o-corpo-ensina-enrico.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"1024\" srcset=\"http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/site-enrico-pierro-tem-coisa-que-so-o-corpo-ensina-enrico.jpg 1024w, http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/site-enrico-pierro-tem-coisa-que-so-o-corpo-ensina-enrico-260x260.jpg 260w, http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/site-enrico-pierro-tem-coisa-que-so-o-corpo-ensina-enrico-150x150.jpg 150w, http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/site-enrico-pierro-tem-coisa-que-so-o-corpo-ensina-enrico-768x768.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>O <strong>mspontocom<\/strong> publica todos os s\u00e1bados cr\u00f4nicas do escritor enrico pierro<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Depois da febre, vem a clareza<\/p>\n<p align=\"justify\">Uma gripe forte foi o suficiente para me lembrar que o corpo fala. E quando a gente n\u00e3o escuta, ele grita.<\/p>\n<p align=\"justify\">Voc\u00ea pode ouvir mil vezes que a vida \u00e9 fr\u00e1gil, que tudo pode mudar de uma hora para outra, que sa\u00fade \u00e9 o que importa. Mas s\u00f3 acredita mesmo quando sente. Quando o corpo treme de febre, os ossos doem como se carregassem um passado inteiro e o ar falta. Quando at\u00e9 levantar da cama parece um esfor\u00e7o \u00e9pico e voc\u00ea, que vive correndo atr\u00e1s de tudo, n\u00e3o consegue correr nem at\u00e9 o banheiro sem se apoiar na parede.<\/p>\n<p align=\"justify\">Foi a gripe, mas podia ter sido outra coisa. Um susto, um acidente, um diagn\u00f3stico qualquer. A verdade \u00e9 que tem muito mais coisa tentando nos matar do que nos manter vivos. E mesmo assim, a gente s\u00f3 presta aten\u00e7\u00e3o quando o calo aperta. S\u00f3 desacelera quando o corpo desaba. S\u00f3 valoriza a respira\u00e7\u00e3o quando ela falta.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 engra\u00e7ado como a doen\u00e7a tem esse poder de nos colocar cara a cara com o que realmente importa, e tamb\u00e9m com o que n\u00e3o importa nada. A\u00ed voc\u00ea pensa: \u201cpreciso mudar\u201d. \u201cPreciso cuidar mais de mim\u201d. \u201cPreciso rever minhas prioridades\u201d. S\u00f3 que esse susto passa. O corpo melhora. A vida volta ao caos de sempre. E a maioria volta junto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Porque mudar exige mais do que um susto. Exige coragem no dia comum. No dia sem dor. No dia em que tudo parece sob controle.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ainda estou me recuperando, ainda estou meio mole. Mas uma coisa ficou clara: a vida n\u00e3o manda recado, manda sintomas. E quem n\u00e3o escuta o corpo, aprende pela dor.<\/p>\n<p align=\"justify\">E o mais cruel \u00e9 que a gente sabe. L\u00e1, no fundo, a gente sempre sabe. Sabe que est\u00e1 passando dos limites, que est\u00e1 empurrando o corpo com a barriga, que o cansa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 f\u00edsico: \u00e9 emocional, mental, existencial. Mas a gente segue. Porque tem boleto, tem gente que depende, tem ego, tem orgulho. E tem medo. Principalmente medo.<\/p>\n<p align=\"justify\">A gente aprendeu a ignorar os sinais. Normalizou acordar cansado, viver com dor, engolir choro, travar os ombros, fingir que est\u00e1 tudo bem. E quando o corpo grita, a gente joga um rem\u00e9dio por cima, um caf\u00e9, uma desculpa. Como se fosse poss\u00edvel anestesiar o grito sem ouvir o que ele quer dizer.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas n\u00e3o d\u00e1 para enganar o corpo por muito tempo. Ele cobra. Com juros. \u00c0s vezes devagar, com uma ansiedade que vai crescendo sem a gente perceber. \u00c0s vezes de uma vez, derrubando tudo de repente, como um pux\u00e3o de tomada. E a\u00ed n\u00e3o tem planilha, n\u00e3o tem meta, n\u00e3o tem quem resolva por voc\u00ea. \u00c9 s\u00f3 voc\u00ea e o seu corpo, numa conversa que voc\u00ea adiou por tempo demais.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ent\u00e3o talvez a pergunta n\u00e3o seja \u201ccomo eu fiquei doente? \u201d, mas \u201cquanto tempo eu venho me traindo para chegar aqui? \u201d. Porque o corpo n\u00e3o \u00e9 vil\u00e3o. Ele \u00e9 o mensageiro. E a gente precisa aprender a escutar antes que ele precise gritar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Talvez o que a gente chame de azar, o corpo chame de limite.<\/p>\n<p align=\"justify\">E talvez tudo que tenha nos faltado at\u00e9 hoje n\u00e3o seja tempo, sorte ou oportunidade, mas coragem de parar. De olhar para dentro. De admitir que n\u00e3o d\u00e1 mais para seguir do mesmo jeito. Porque viver no piloto autom\u00e1tico \u00e9 confort\u00e1vel\u2026 at\u00e9 que n\u00e3o seja mais. At\u00e9 que o corpo trave, o peito aperte, a cabe\u00e7a entre em colapso. At\u00e9 que o mundo te force a parar aquilo que voc\u00ea deveria ter interrompido sozinho. E a\u00ed voc\u00ea percebe: quem n\u00e3o escolhe os pr\u00f3prios limites, vai ser escolhido por eles.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ent\u00e3o, antes que o cansa\u00e7o vire colapso, que a gripe vire crise, que a vida vire lamento\u2026 escolhe voc\u00ea. Escolhe seu descanso. Escolhe sua sa\u00fade. Escolha a vida que voc\u00ea quer viver, e n\u00e3o s\u00f3 a que voc\u00ea aguenta sobreviver.<\/p>\n<p align=\"justify\">Porque, no fim das contas, ningu\u00e9m vai te aplaudir por ter se destru\u00eddo em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>@enricopierroofc<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica todos os s\u00e1bados cr\u00f4nicas do escritor enrico pierro &nbsp; Depois da febre, vem a clareza Uma gripe forte foi o suficiente para me lembrar que o corpo fala. E quando a gente n\u00e3o escuta, ele grita. 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