{"id":204373,"date":"2025-10-28T07:53:39","date_gmt":"2025-10-28T11:53:39","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=204373"},"modified":"2025-10-28T07:53:39","modified_gmt":"2025-10-28T11:53:39","slug":"artigo-gaudencio-torquato-a-seca-na-seara-dos-valores-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-a-seca-na-seara-dos-valores-2\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato | A seca na seara dos valores"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-204374\" src=\"http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/site-gaudencio-gaudencio.jpg\" alt=\"\" width=\"1626\" height=\"789\" srcset=\"http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/site-gaudencio-gaudencio.jpg 1626w, http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/site-gaudencio-gaudencio-260x126.jpg 260w, http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/site-gaudencio-gaudencio-1024x497.jpg 1024w, http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/site-gaudencio-gaudencio-768x373.jpg 768w, http:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/site-gaudencio-gaudencio-1536x745.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1626px) 100vw, 1626px\" \/>O mspontocom publica semanalmente artigo de Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<div class=\"m_2091534473315614830he-col m_2091534473315614830he-last\">\n<table class=\"m_2091534473315614830he-col\" border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\">\n<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O processo civilizat\u00f3rio se assemelha a uma r\u00e9gua que mede a evolu\u00e7\u00e3o de costumes, princ\u00edpios e valores, avan\u00e7os e retrocessos. A r\u00e9gua est\u00e1 a mostrar, hoje, uma era de retrocessos, com a decad\u00eancia moral (a libertinagem), a regress\u00e3o social (as novas gera\u00e7\u00f5es s\u00e3o menos respeitosas ou educadas do que as anteriores), a perda de valores e a cren\u00e7a de que princ\u00edpios como fam\u00edlia, autoridade e religi\u00e3o est\u00e3o sendo enfraquecidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nem sempre ocorrem mudan\u00e7as que emolduram a grandeza do Homem, principalmente ante a paisagem de devasta\u00e7\u00e3o que flagra a crescente litigiosidade entre seres e Na\u00e7\u00f5es, a desvairada competividade no campo dos neg\u00f3cios e empreendimentos, a luta acirrada entre grupos, alas e at\u00e9 credos religiosos, cada qual com a ambi\u00e7\u00e3o de brilhar na galeria dos maiores e melhores. O evangelismo subiu ao palco do espet\u00e1culo. A pol\u00edtica acende a chama da polariza\u00e7\u00e3o, sob a velha bandeira da luta de classes, como se constata na perora\u00e7\u00e3o eleitoral do presidente Luiz In\u00e1cio, que volta a bater no surrado refr\u00e3o do \u201cn\u00f3s contra eles\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de certos avan\u00e7os flu\u00edrem sob a teia de pesquisas cient\u00edficas em muitas \u00e1reas, como as ci\u00eancias biom\u00e9dicas, a intelig\u00eancia artificial, a agricultura, a maquinaria produtiva, \u00e9 ineg\u00e1vel que, no sagrado nicho dos valores, a Humanidade v\u00ea arrefecido seu ide\u00e1rio de valores \u00e9ticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ambi\u00e7\u00e3o, a luta do poder pelo poder, a inveja, a mentira, as falsidades que campeiam e impregnam a interlocu\u00e7\u00e3o entre as pessoas, enfim, a ideia de que se deve tirar proveito de tudo constituem, entre outros, os bra\u00e7os que puxam o planeta para o seio de nossa ancestralidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Olhe-se para esse mundo que d\u00e1 adeus \u00e0 \u00e9tica. Olhe-se para a\u00a0\u00e9tica do governo de Donald Trump, amplamente debatida e criticada por especialistas, \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o e opositores. O imp\u00e9rio Trump \u2013 pasmem! \u2013 cobra do governo Trump compensa\u00e7\u00e3o equivalente a R$ 1,2 bilh\u00e3o por investiga\u00e7\u00f5es contra ele. Segundo o \u2018New York Times&#8217;, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem paralelo na hist\u00f3ria dos EUA. Muitos dos funcion\u00e1rios do Departamento de Justi\u00e7a respons\u00e1veis por aprovar os pagamentos foram indicados pelo republicano e atuaram como seus advogados. O caso envolve conflito de interesses, o uso da presid\u00eancia para ganho pessoal e o enfraquecimento de normas e institui\u00e7\u00f5es \u00e9ticas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O nosso passado foi marcado pela valoriza\u00e7\u00e3o do compromisso. Os nossos pais e av\u00f3s, ao firmarem neg\u00f3cios, garantiam pela palavra dada ao seu parceiro, o fechamento do acordo. Vi meu pai vendendo ou comprando terras e gado sob a for\u00e7a da palavra e do aperto de m\u00e3o. Os pap\u00e9is no cart\u00f3rio apenas finalizavam uma liturgia sagrada: a for\u00e7a da palavra. O d\u00e9bito, o cr\u00e9dito, a cren\u00e7a, a aceita\u00e7\u00e3o, a rejei\u00e7\u00e3o de alguma coisa tinham por tr\u00e1s o compromisso expl\u00edcito pela palavra. A identidade das pessoas era ancorada na palavra e nos princ\u00edpios que regiam a vida do cotidiano. Claro, havia desaven\u00e7as. E at\u00e9 mortes no universo de fam\u00edlias que lutavam entre si pelo poder. Mas um certo respeito se via at\u00e9 entre rivais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o era um monumento de grandeza. Os pais lutavam, suavam, apuravam seus recursos para formar os filhos. Os recursos n\u00e3o eram investidos em bolsas de valores. Eram guardados em velhos e pesados cofres ou sob o colch\u00e3o. Formar um filho, dar a ele a educa\u00e7\u00e3o para enfrentar os desafios do futuro, compunha o sonho dos chefes e fam\u00edlia. Orgulhavam-se de sua fam\u00edlia bem-educada, bem instru\u00edda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O educador era uma refer\u00eancia. De saber, de grandeza, de boa orienta\u00e7\u00e3o, de conjun\u00e7\u00e3o de valores. Os professores realizavam seu labor com grande senso de responsabilidade, cobrando dos discentes disciplina e rigor no cumprimento das tarefas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c0 prop\u00f3sito, pin\u00e7o a li\u00e7\u00e3o da palestra de um rabino por ocasi\u00e3o de um casamento. A historinha se alastra num v\u00eddeo que circula nas redes sociais. Um ex-aluno encontra seu professor, aproxima-se dele e pergunta: \u201clembra de mim\u201d? Responde o rabino:\u00a0\u201cN\u00e3o, quem \u00e9 voc\u00ea? Ah, voc\u00ea deve ter sido meu aluno\u201d.\u00a0O rapaz relembra a hist\u00f3ria, quando na escola, viu um colega com um lindo e caro rel\u00f3gio. Surripiou o rel\u00f3gio do amigo. Que, ao constatar o roubou, abriu o bico. Quem foi, quem n\u00e3o foi?\u00a0 Balb\u00fardia. O professor fechou a porta e pediu que todos formassem uma fila. O raptor ficou desesperado. Iria ser flagrado pois o professor iria procurar o rel\u00f3gio em todos os bolsos. Pediu para todos fecharem os olhos. E assim conseguiu recuperar o roubo. O ex-aluno:\u00a0\u201cprofessor, o senhor salvou minha alma, minha dignidade. O senhor sabe que fui eu\u201d.\u00a0O mestre: \u201cmas eu nunca soube que foi voc\u00ea. Eu tamb\u00e9m estava de olhos fechados\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Belo exemplo de educador. Que n\u00e3o tinha inten\u00e7\u00e3o de punir, mas a de transmitir o legado de considera\u00e7\u00e3o pelo outro. Uma aula de Dignidade. Que cai bem nesses tempos de acusa\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas, de falsidades, de \u00f3dio, de guerras fratricidas. Somos um mundo cheio de car\u00eancias materiais. A fome ataca e ainda mata milh\u00f5es. \u00a0Mas a fome espiritual, essa que esvazia nossos sentimentos, destr\u00f3i nossa seara de valores, ataca grupos e classes, com foco mais forte nos habitantes de cima da pir\u00e2mide social, movidos pelo impulso da ambi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Qual a raz\u00e3o? A vontade de poder. Nietzsche escreveu sobre \u201cA vontade de poder\u201d. Ap\u00f3s sua morte, a irm\u00e3 Elizabeth publicou uma colet\u00e2nea de notas in\u00e9ditas. Ali se l\u00ea: \u00a0\u201cVoc\u00ea quer um nome para este mundo? Uma solu\u00e7\u00e3o para todos os seus enigmas? Este mundo \u00e9 a vontade de poder \u2013 e nada al\u00e9m disso! E voc\u00eas tamb\u00e9m s\u00e3o essa vontade de poder \u2013 e nada al\u00e9m disso\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa vontade, no meio da crise que a democracia vive na contemporaneidade, expande a era dos extremos, dos conflitos e da radicaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo de Gaud\u00eancio Torquato. Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico &nbsp; O processo civilizat\u00f3rio se assemelha a uma r\u00e9gua que mede a evolu\u00e7\u00e3o de costumes, princ\u00edpios e valores, avan\u00e7os e retrocessos. 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