O impacto das decisões do STF e TSE para tentar reeleger Lula
As últimas decisões tomadas pelo STF e TSE para blindar o governo do presidente Lula voltaram a acender o alerta na política nacional, levantando duras críticas sobre os limites de atuação do Judiciário.
Esta quinta-feira, 1º de outubro, entrou para a história política brasileira.
Não da melhor maneira.
Foi o dia em que duas interferências indevidas do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acabaram com aquele que deveria ser o único debate do primeiro turno de 2026.
O primeiro golpe na democracia veio da ministra Estela Aranha, do TSE.
Ex-auxiliar do ex-ministro da Justiça e hoje integrante do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, ela proibiu a TV Globo de exibir o púlpito reservado ao presidente Lula, que havia decidido não comparecer ao confronto, e também impediu que os candidatos presentes formulassem perguntas dirigidas ao presidente ausente.
A justificativa foi a possibilidade de a exposição da ausência produzir desequilíbrio eleitoral.
O desequilíbrio eleitoral já tinha sido causado pela recusa covarde de Lula não participar do debate.
A segunda, e mais bizarra intervenção, veio do STF. Gilmar Mendes determinou que Renan Santos, do Missão, fosse incluído no debate, contrariando decisão anterior do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e de sua colega Cármen Lúcia.
Gilmar tomou uma decisão com base em uma petição impetrada pelo Solidariedade dentro de uma ação oriunda do Tribunal Regional do Paraná (TRE-PR), sobre uma manifestação política envolvendo Deltan Dallagnol.
Ou seja, nenhuma relação com o debate da TV Globo.
“Censura no seu mais alto grau”: Flávio reage
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) criticou o cancelamento do debate da Globo nesta quinta-feira, 1º, e voltou a classificar como “censura” as decisões judiciais que alteraram as regras do encontro.
Em transmissão pelo YouTube, o senador afirmou que estava preparado para participar do debate quando novas determinações do Judiciário foram divulgadas.
Flávio afirmou que estava com sua equipe a caminho dos Estúdios Globo para participar do encontro, previsto para três dias antes do primeiro turno, quando foram anunciadas as decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ministra que proibiu ‘constranger’ Lula fez campanha para o PT
A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha, que proibiu a TV Globo de mostrar o púlpito vazio do presidente Lula no debate desta quinta-feira, 1º, fez campanha a favor do então candidato petista à Presidência nas eleições de 2022.
Em vídeo que circula nas redes sociais, Estela não só declara seu voto em Lula, como diz que a vitória do petista representaria uma série de benefícios.
“Eu voto em Lula no segundo turno”, afirmou. “Voto 13.”
Ação de militante, afirma senador
O senador Carlos Viana (PSD-MG) criticou a atuação da ministra do TSE.
Ele lembrou que Estela foi indicada à Corte eleitoral por Lula, trabalhou no governo petista e foi secretária durante a gestão de Flávio Dino no Ministério da Justiça.
Segundo o parlamentar, ela também teria feito doações para campanhas do PT e do Psol.
“Dois pedidos em dois dias. Dois atendidos. Isso é juíza ou é torcida?”, perguntou Viana, referindo-se também a uma decisão anterior envolvendo uma publicação de Nikolas Ferreira.
Entidades acusam intervenção do STF e TSE: É agressão à liberdade de imprensa
Três importantes entidades associativas que representam veículos de comunicação divulgaram nora conjunta, na noite desta quinta-feira (1º), manifestando “profunda indignação” com a intervenção de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) para “melar” o tradicional debate da TV Globo.
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