Quarta, 24 de junho de 2026 · Campo Grande, MS
Brasil

Ataques de Gilmar a Mendonça escancaram guerra interna no STF

Um embate entre ministros do STF ganhou novo capítulo  quando Gilmar Mendes usou a tribuna do programa Roda Viva, da TV Cultura, para disparar contra o colega André Mendonça.

A acusação: Mendonça teria cometido um “erro crasso” ao se envolver em tratativas relacionadas a uma possível delação premiada do empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

A polêmica tese de Gilmar Mendes

Na avaliação de Gilmar Mendes, o relator de um caso não pode participar de negociações de colaboração premiada.

Segundo ele, a lei veda essa participação, e a atuação de Mendonça em fases prévias a um acordo formal representaria uma violação de regras institucionais.

A tese, contudo, merece ser examinada com cautela.

É no mínimo curioso que um ministro com décadas de atuação no STF escolha justamente um programa de televisão — e não os canais internos da Corte — para expor publicamente o que considera uma falha grave de um colega.

A crítica de Gilmar não surge do nada.

Poucos dias antes, os dois ministros já haviam protagonizado um embate público durante o julgamento de medidas cautelares sobre a prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro.

Naquela ocasião, André Mendonça declarou ter rejeitado uma proposta de “delação seletiva” no âmbito do caso Banco Master.

Ou seja, Mendonça agiu justamente para recusar algo que considerava inadequado — e, ainda assim, foi alvo de Gilmar.

Rigor institucional ou conveniência retórica?

Na entrevista, Gilmar Mendes defendeu que fases prévias a um acordo formal de delação exigem rigor institucional e delimitação clara de papéis, sob risco de distorções na condução de investigações e nas negociações de colaboração.

O argumento é válido em abstrato, mas aplicá-lo a uma situação em que o colega justamente rejeitou a proposta levanta a pergunta inevitável: a quem serve essa crítica?

O episódio reforça a percepção de que disputas internas no Supremo Tribunal Federal frequentemente extrapolam o debate jurídico e ganham contornos pessoais, com ministros utilizando a mídia como arena para confrontos que deveriam ser resolvidos institucionalmente.