Lula e sua decisão de “protejer” as urnas eletrônicas
O presidente Lula não permitiu a entrada de observadores dos EUA que viriam ao Brasil para conhecer nosso sistema eleitoral
A ação foi tomada pelo Ministério das Relações Exteriores, que rejeitou os pedidos de Riley Barnes, subsecretário para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, subsecretário Adjunto do mesmo departamento americano, pouco antes do início das campanhas para o pleito.
O jornal The New York Times afirmou que o Brasil vetou a viagem da delegação dos EUA por temer que eles planejassem semear dúvidas sobre a segurança do sistema eleitoral do país.
A notícia também repercutiu em grandes veículos de imprensa internacionais como os jornais Financial Times e Guardian e a agência de notícias Bloomberg.
Ao solicitarem a permissão para entrar, os oficiais americanos argumentaram que tinham a intenção de se reunir com autoridades eleitorais brasileiras para discutir o sistema de votação e preocupações sobre possíveis restrições à liberdade de expressão no período que antecede as eleições de 4 de outubro.
O New York Times afirmou que a decisão de proibir a entrada da delegação dos EUA seria a mais recente escalada nas relações entre as nações, após semanas de tensões em decorrência do novo tarifaço imposto ao Brasil e dos confrontos ideológicos sobre questões como o combate ao crime organizado.
A agência de notícias Bloomberg noticiou que o alto escalão de Brasília considerou a visita dos americanos uma tentativa de interferência eleitoral
O jornal britânico Financial Times também repercutiu o caso, destacando a declaração de um funcionário brasileiro com conhecimento do assunto, que falou sob condição de anonimato.
Segundo a fonte, a viagem foi proibida, porque as autoridades brasileiras tinham motivos para acreditar que ela seria usada para “disseminar desinformação” sobre o processo eleitoral brasileiro.
A reportagem citou declarações recentes do candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do ex-deputado federal autoexilado nos EUA Eduardo Bolsonaro a respeito da alegada falta de confiança nas urnas eletrônicas.
O Departamento de Estado americano rejeitou que as alegações de que a viagem dos oficiais tivesse como objetivo interferir nas eleições presidenciais do Brasil.
Em nota, a pasta afirmou que a missão seria uma “visita de rotina” e classificou como “mentira sem fundamento” que a iniciativa buscava desacreditar o sistema eleitoral brasileiro.
Outras reações
O veto à entrada de autoridades americanas no país foi alvo de críticas e apoio nas últimas horas.
O jornalista Paulo Figueiredo foi umas das figuras que condenou a posição do governo Lula neste sábado, por meio das redes sociais.
Em sua opinião, a negativa do Itamaraty em autorizar a entrada de funcionários americanos no país passa a impressão de que a gestão petista está “forçando a barra” para ter uma eleição sem reconhecimento internacional para empurrar o país para uma situação semelhante à da Nicarágua ou Venezuela.
Em outra publicação, ele afirmou que, se Trump quiser, de fato, questionar o sistema eleitoral brasileiro, ele não precisaria mandar representantes ao Brasil.
TSE diz que não foi informado sobre agenda
Em nota, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que foi procurado pela Embaixada dos EUA para tratar sobre a visita de integrantes do governo americano, “mas não foi informada a temática da agenda, que não foi marcada em razão do recesso do Judiciário”.
O órgão disse que o ministro Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, realizou em 16 de junho uma reunião com 25 embaixadores.
Na ocasião, Marques “fez uma defesa e uma explicação sobre o funcionamento do sistema eletrônico de votação brasileiro”.
Imagem gerada por IA.
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