Quarta, 5 de agosto de 2026 · Campo Grande, MS
Rural

IA pode identifica sinais do Alzheimer até 3 anos antes do diagnóstico clínico

Com apoio de exames de imagem, a IA amplia as possibilidades de investigação precoce 

O Alzheimer pode começar muito antes dos primeiros sinais esquecimentos.

Enquanto os sintomas ainda não são perceptíveis, alterações silenciosas já podem estar acontecendo no cérebro.

Hoje, estudos científicos mostram que a combinação entre Inteligência Artificial e análise de exames de ressonância magnética é capaz de identificar parte dessas mudanças com até três anos de antecedência em pacientes que posteriormente desenvolveram a doença.

O avanço amplia as possibilidades de investigação e planejamento do tratamento.

A doença é a principal causa de demência no mundo e um dos maiores desafios da medicina diante do envelhecimento da população.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 55 milhões de pessoas vivem atualmente com algum tipo de demência, sendo o Alzheimer responsável por cerca de 60% a 70% dos casos. A estimativa é que esse número praticamente triplique até 2050.

A Inteligência Artificial não faz o diagnóstico sozinha, mas amplia a capacidade dos médicos de identificar alterações cerebrais em fases iniciais.

Ao fornecer informações quantitativas e objetivas, a tecnologia complementa a avaliação clínica e contribui para decisões mais precisas.

Da análise visual aos dados quantitativos

No Brasil, essa tecnologia já faz parte da rotina de hospitais e clínicas por meio de plataformas de apoio ao diagnóstico, como o Agent Neuro, da Entelai. Fundada na Argentina em 2017 e presente no Brasil desde 2020, a empresa possui soluções certificadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e auxilia a análise de mais de 150 mil pacientes por mês na América Latina.

O Agent Neuro utiliza Inteligência Artificial para apoiar radiologistas e neurologistas na análise quantitativa de exames de ressonância magnética cerebral

. O sistema avalia automaticamente estruturas como o hipocampo, região diretamente relacionada à memória e uma das primeiras afetadas pelo Alzheimer, além de outras áreas cerebrais envolvidas nas doenças neurodegenerativas.

Os resultados são comparados a uma base normativa de indivíduos da mesma faixa etária e sexo. Isso permite identificar alterações no volume cerebral e acompanhar sua evolução quando existem exames anteriores.

A plataforma não substitui a avaliação médica nem define o diagnóstico de forma isolada. Seu papel é oferecer dados quantitativos que tornam a interpretação clínica ainda mais precisa.

Até poucos anos atrás, análises volumétricas cerebrais estavam concentradas em grandes centros de referência.

O alto custo da tecnologia e a necessidade de softwares especializados faziam com que muitos pacientes precisassem viajar para ter acesso a esse tipo de investigação.

Esse cenário começou a mudar com a expansão dessas soluções para hospitais e clínicas de diferentes regiões do país.

Exames apoiados por Inteligência Artificial passaram a fazer parte da rotina de serviços de diagnóstico também em cidades do interior, ampliando o acesso a uma tecnologia que antes estava disponível para um número restrito de pacientes.

“A Inteligência Artificial não substitui a experiência médica. Ela amplia a capacidade do especialista de perceber alterações que muitas vezes ainda não são visíveis ao olhar humano e acrescenta dados objetivos à análise, permitindo acompanhar sua evolução com maior precisão”, afirma Mauricio Farez, neurologista, CEO e cofundador da Entelai.

Ganhar tempo pode mudar a jornada do paciente

O Alzheimer ainda não tem cura, mas identificar alterações em fases iniciais pode fazer diferença na condução do caso.

O reconhecimento precoce amplia as possibilidades de investigação clínica, permite acompanhar a evolução do paciente com mais precisão, avaliar estratégias terapêuticas e orientar pacientes e familiares sobre planejamento, qualidade de vida e cuidados futuros.

“O maior valor da Inteligência Artificial na Medicina está em oferecer mais informações para que o médico tome decisões cada vez mais precisas. Em doenças neurodegenerativas, ganhar tempo significa ampliar as possibilidades de investigação, acompanhamento e planejamento terapêutico. A tecnologia só faz sentido quando melhora a experiência do profissional de saúde e, principalmente, a vida do paciente”, conclui Farez.

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