Quinta, 14 de outubro de 2026 · Campo Grande, MS
Tecnologia

IBM revela os caminhos que hackers usam para invadir empresas

O mapa das ameaças hackers corporativas revelado pela IBM

Um novo estudo divulgado pela gigante tecnológica IBM detalhou as principais táticas que hackers utilizam para comprometer a segurança de corporações.

Adotar um firewall de próxima geração (NGFW) pode melhorar a cibersegurança de uma empresa, mas não elimina, por si só, as condições que permitem a entrada e a movimentação de invasores no ambiente corporativo.

Em um cenário no qual infraestrutura, aplicações, identidades, nuvem, dispositivos e serviços de terceiros estão cada vez mais conectados, a pergunta deixou de ser apenas qual firewall a empresa utiliza e passou a ser como todas essas camadas estão sendo protegidas, monitoradas e integradas.

Os dados mais recentes reforçam essa mudança de perspectiva.

O estudo X-Force Threat Intelligence Index 2026, da IBM, mostra que a exploração de aplicações publicamente acessíveis foi o vetor de acesso inicial que mais cresceu em 2025, com alta de 44% em relação ao ano anterior.

Entre as quase 40 mil vulnerabilidades acompanhadas pela X-Force no período, 56% podiam ser exploradas sem autenticação.

Segundo a IBM, o cenário também vem sendo potencializado pelo uso de inteligência artificial para acelerar a descoberta de vulnerabilidades, mas os dados mostram que falhas básicas de configuração, exposição e controle de acesso continuam desempenhando papel central nos incidentes.

Para Ricardo Dias, CEO e sócio da Clear IT, os números ajudam a explicar um problema recorrente no mercado: a tendência de tratar cibersegurança como a aquisição de uma ferramenta, e não como uma capacidade permanente da organização.

“Um firewall de próxima geração pode ser extremamente eficiente e, ainda assim, a empresa continuar vulnerável. Isso acontece porque o ataque não necessariamente precisa atravessar a fronteira que o firewall está protegendo da maneira que imaginamos. Ele pode começar por uma aplicação exposta, uma credencial comprometida, uma configuração inadequada ou um acesso legítimo que foi abusado. Proteção não é uma caixa que você instala. É uma capacidade que precisa acompanhar a operação todos os dias”, reflete o profissional.

O próprio levantamento da IBM reforça que o problema não está apenas na adoção de tecnologias avançadas, mas também na maturidade dos controles básicos de cibersegurança.

O relatório destaca ainda a necessidade de uma postura mais proativa diante de ataques acelerados por inteligência artificial, com fortalecimento da gestão de riscos e uso de recursos capazes de proteger ativos críticos e dependências da cadeia de suprimentos.

Grandes incidentes de cadeia de suprimentos aumentaram quase quatro vezes nos últimos cinco anos, mostrando que a superfície de ataque pode se estender para além da infraestrutura diretamente administrada pela empresa.

Quando o invasor entra pela porta da frente

Outro componente crítico é a identidade. Em vez de tentar derrubar uma barreira tecnológica, o invasor pode obter credenciais legítimas e utilizar os próprios mecanismos de acesso da organização.

A IBM X-Force observou, em 2025, mais de 16 milhões de dispositivos infectados por malwares do tipo infostealer, como Lumma, Acreed e Vidar. Esses programas podem capturar credenciais armazenadas em navegadores, cookies de sessão e outros dados sensíveis. O abuso de contas válidas tem sido um dos principais vetores de acesso inicial identificados pela equipe de resposta a incidentes da X-Force nos últimos anos.

“É uma mudança importante de paradigma: não basta perguntar se o sistema consegue impedir uma conexão maliciosa. É preciso saber quem está acessando, de onde, em que contexto, com quais privilégios e se aquele comportamento é compatível com o padrão esperado”, afirma Ricardo Dias.

É nesse ponto que conceitos como Zero Trust, gestão de identidade e observabilidade deixam de ser apenas termos de mercado e passam a compor uma estratégia integrada de defesa.

A abordagem da Clear IT combina essas camadas com firewall de próxima geração e operação de defesa 24/7, buscando ampliar a capacidade de detectar e responder a eventos antes que eles se transformem em indisponibilidade, perda de dados ou impacto financeiro.

Para o CEO, o desafio não é simplesmente adicionar mais ferramentas ao ambiente.

“Existe uma certa corrida por tecnologia no mercado. A empresa compra uma solução mais avançada, implementa e considera o problema resolvido. Só que a tecnologia precisa estar corretamente configurada, atualizada, integrada às demais camadas e acompanhada por pessoas capazes de interpretar os sinais. Caso contrário, cria-se uma falsa sensação de proteção. O desafio real é transformar essa jornada em uma operação consistente.”

A mudança de perspectiva é fundamental para que a cibersegurança deixe de ser encarada como um projeto pontual ou uma despesa exclusivamente operacional e passe a fazer parte da própria estratégia de continuidade e crescimento do negócio.

“Nenhuma tecnologia promete risco zero e seria irresponsável vender essa ideia. O que uma arquitetura madura pode fazer é reduzir a superfície de ataque, aumentar a visibilidade, dificultar a movimentação do invasor e, principalmente, diminuir o tempo entre detectar um comportamento anômalo e agir sobre ele. É essa capacidade de adaptação contínua que precisa estar no centro da estratégia de proteção das empresas”, conclui Dias.

Sobre a Clear IT

A Clear IT é uma empresa de tecnologia especializada no desenvolvimento e implementação de soluções que modernizam e transformam ambientes informacionais em motores estratégicos de crescimento dos negócios. https://clearit.com.br/

fonte: Camila Caringe e Silva

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