Lula arrecadou quase R$ 19 bilhões com as bets
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva anunciou medidas contra as bets, apontadas pelo presidente como responsáveis por parte do endividamento das famílias.
Paralelamente, clubes de futebol negociam com o governo um programa de reestruturação financeira que pode alcançar R$ 20 bilhões.
A bola, pelo visto, está quicando em dois campos: o das apostas e o das contas dos clubes.
Segundo informações divulgadas pelo UOL, dirigentes de equipes como Internacional e Corinthians participaram de uma reunião com representantes do governo há cerca de um mês.
A CBF atua na articulação das negociações.
A proposta em discussão prevê uma linha de crédito para clubes e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), com juros menores e prazo alongado.
O objetivo seria substituir dívidas mais caras por financiamentos em condições mais favoráveis.
A ideia teria ganhado força com a possibilidade de uma Medida Provisória restringindo ou proibindo as bets.
BNDES nega participação no financiamento
Apesar das negociações envolvendo o banco, o BNDES afirmou que não participou de discussões sobre o financiamento de clubes e que possui vedação estatutária para realizar esse tipo de operação, conforme nota reproduzida na apuração apresentada.
A manifestação abre uma questão: como será estruturado o socorro financeiro caso a proposta avance? A resposta depende do formato final do programa e das instituições que poderão participar.
A conta das bets
O governo defende medidas contra as apostas online sob o argumento de que elas contribuem para o endividamento das famílias.
Ao mesmo tempo, o setor já gerou arrecadação tributária expressiva desde sua regulamentação.
Dados apresentados na discussão apontam uma arrecadação acumulada de aproximadamente R$ 19 bilhões entre 2025 e agosto de 2026.
O contraste é inevitável: de um lado, o discurso de combate às apostas; de outro, um setor que gera receitas tributárias e mantém contratos publicitários importantes com o futebol.
A política das bets pode até mudar de rumo.
Mas, quando o assunto é dinheiro, parece que a partida está longe de terminar.
Governo arrecadou quase R$ 19 bilhões com as bets
A regulamentação das apostas esportivas também se transformou em fonte bilionária de arrecadação para o governo federal.
Segundo dados da Receita Federal divulgados pelo Estadão, foram cerca de R$ 9 bilhões em 2025 e R$ 9,9 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, totalizando aproximadamente R$ 18,9 bilhões.
O dinheiro entrou nos cofres públicos enquanto o governo passou a defender medidas mais duras contra as apostas online.
A mudança de discurso ocorre justamente quando o setor já movimenta bilhões, gera impostos e mantém forte presença no futebol por meio de patrocínios.
E há um detalhe curioso nessa história: enquanto as bets são apontadas pelo governo como parte do problema do endividamento, os clubes que dependem de seu dinheiro procuram uma alternativa para não continuar pagando suas próprias dívidas.
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