
Todos os anos a mesma fórmula: Pesquisas instigam o eleitorado à vitória da esquerda
As pesquisas eleitorais voltam a figurar no centro das atenções e de duras críticas às vésperas da disputa do segundo turno.
A recente divulgação dos primeiros levantamentos do segundo turno voltou a expor discrepâncias entre as projeções dos institutos e o resultado real apurado pelas urnas no primeiro turno.
No primeiro turno, o levantamento divulgado pela Quaest na véspera da votação indicava uma vantagem de dois pontos percentuais para Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro (40% contra 38%).
No entanto, a abertura das urnas desmentiu o cenário projetado, mostrando o candidato do PL à frente e consolidando a força da direita nas urnas.
Agora, na primeira pesquisa do segundo turno divulgada pela Quaest nesta quarta-feira, Flávio Bolsonaro aparece apenas com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula — configuração que indica empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Histórico de distorções nas projeções de véspera
O fenômeno de subestimar candidaturas conservadoras não é novo e repete o padrão observado nas eleições de 2022.
Naquela ocasião, levantamentos de institutos como Datafolha, Quaest, Ipec e Ipespe apontavam distâncias expressivas entre Lula e Jair Bolsonaro na véspera da votação.
Enquanto o Datafolha indicava Lula com 50% e Bolsonaro com 36%, o Ipec projetava 51% a 37%.
Na apuração real, a diferença entre os candidatos foi substancialmente menor do que o intervalo previsto, estourando as margens de erro declaradas pelas próprias empresas de pesquisa.
Análises de cientistas políticos apontam que os metodologias tradicionais enfrentam dificuldades crônicas para captar a volatilidade e a mobilização do eleitorado de direita na reta final, especialmente em regiões decisivas como o Sudeste.
A incapacidade recorrente de prever a força conservadora reacende o debate sobre a eficácia e o impacto do uso das pesquisas eleitorais na indução do voto.
“Os institutos vão ter que ir pro divã porque parece que não estão conseguindo captar esse movimento da direita, principalmente no Sudeste”, avalia o cientista político Renato Dolci ao comentar as discrepâncias.
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