Segunda, 12 de outubro de 2026 · Campo Grande, MS
Brasil

PT e Lula reclamam do TSE: esqueceram o que houve em 2022?

A mudança de tom do PT perante as decisões do TSE

Por Opinião mspontocom

A ironia da política brasileira: a confiança na Justiça Eleitoral só dura enquanto a caneta aponta para o adversário.

Quem diria que a inabalável confiança do PT na Justiça Eleitoral duraria apenas até a primeira decisão desfavorável?

Depois de anos repetindo o mantra de que questionar o Tribunal Superior Eleitoral era “atentado contra a democracia”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a cúpula petista resolveram abrir a caixa de ferramentas contra o TSE. O motivo da indignação?

O tribunal aplicou regras e barrou excessos da militância e propagandas irregulares.

Bastou um sopro de isonomia para o discurso mudar.

A mesma militância que aplaudia de pé a atuação ostensiva da Corte nas eleições de 2022 agora acusa a Justiça Eleitoral de “intromissão indevida”.

O placar de 2022 e o blindagem seletiva

A hipocrisia salta aos olhos quando relembramos o cenário do pleito presidencial anterior. Sob a presidência do ministro Alexandre de Moraes, o TSE acumulou um histórico que falava por si só.

Manchetes da imprensa na época registraram um placar avassalador de 42 decisões favoráveis a Lula contra apenas 6 a Jair Bolsonaro em casos de desinformação.

A lista de benesses e rigor seletivo em 2022 foi longa:

  • Censura prévia: Mais de 60 conteúdos ligando o petismo a escândalos de corrupção, escândalos com o PCC e alianças polêmicas foram sumariamente derrubados pela Corte.

  • Atingindo produtoras: A produtora Brasil Paralelo teve documentários e publicações suspensos a pedido da coligação de Lula.

  • Vistas grossas a narrativas: O TSE negou pedidos para tirar do ar propagandas petistas que acusavam o governo de planejar o fim do 13º salário e das férias.

  • Caso das Rádios: A denúncia sobre irregularidades e exclusão de milhares de inserções de rádio no Nordeste foi negada de plano por Moraes, sob a alegação de que a fiscalização cabia aos próprios partidos.

  • Redes e Operações: Senadores como Marcos do Val acusaram publicamente Moraes de manobrar a remoção de perfis conservadores e aplicar prisões sem devido processo, além da emblemática operação da Polícia Federal contra empresários por conversas privadas em grupo de WhatsApp.

Naquela época, diante de tantas decisões que pavimentaram o caminho do petismo, o TSE era tratado pela esquerda como uma entidade sagrada, intocável e acima de qualquer suspeita.

Quando a régua muda de lado, o choro é livre

Hoje, basta que a Justiça Eleitoral esboce o cumprimento do seu dever institucional sem olhar a cor da bandeira para ver Lula e o PT esperneando contra o “autoritarismo” do tribunal.

As queixas atuais mostram que a única regra de integridade respeitada pela esquerda é a da conveniência política: se o TSE favorece a narrativa oficial, é o pilar da civilização; se barra os abusos da máquina governista, vira um problema.

O eleitor de centro-direita assiste a esse espetáculo de amnésia seletiva com um sorriso irônico: no Brasil, até a memória dos defensores da democracia tem prazo de validade.

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