PF quer transformar Bolsonaro no grande problema do Brasil. Por J.R.Guzzo

Há um ano inteiro, dia e noite, todos os recursos da imensa máquina do Estado brasileiro se concentram em demonstrar que houve uma tentativa de golpe de Estado no dia 8 de janeiro de 2023 em Brasília.

Prenderam 1.500 pessoas, um recorde na história da segurança pública no Brasil.

Os réus estão sendo condenados a até 17 anos de cadeia, pelos crimes simultâneos de “golpe de Estado” e “abolição violenta do Estado de direito.”

Seus direitos civis, a começar pelo direito de defesa, foram abolidos.

Há condenados que não estavam fisicamente no local do quebra-quebra na Praça dos Três Poderes.

Há um cidadão que foi condenado por ter o mesmo nome de um dos participantes.

Há outro que morreu na prisão por falta de atendimento médico adequado, negado pelo ministro Alexandre de Moraes.

Uma senhora foi condenada porque a Polícia Federal descobriu, através de exames de DNA, que sua digital estava numa garrafa de plástico descoberta no local.

A mesma polícia revelou que as armas do golpe eram estilingues e bolinhas de gude.

O que ninguém conseguiu, no governo ou na vara penal do ministro Moraes, foi descobrir um único átomo de prova de que houve uma tentativa de golpe – um ano de trabalho, barulho e despesa e, até agora, nada.

O regime, seja lá como for, não desiste do que parece, cada vez mais, ser o seu grande projeto estratégico: transformar o mencionado golpe em verdade oficial e condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro como o mandante do crime.

Seria o primeiro caso na história, provavelmente, de um presidente que não dá o golpe enquanto está no poder – e tem, entre outras facilidades, o comando supremo das forças armadas.

Ele espera sair do governo e oito dias depois, quando está nos Estados Unidos, lança a sua operação – sem tanque de guerra, avião de caça ou fuzileiro naval.

É essa, de qualquer forma, a história contada na área Lula-polícia-STF. Por conta do seu último surto de atividade, Bolsonaro, que já responde a um inquérito pela suspeita de incomodar baleias, está intimado a entregar o seu passaporte.

Lula, inclusive, disse em público que tem certeza de que Bolsonaro “participou da tentativa de golpe”.

Após um ano de governo, essa parece ser a única ideia que Lula conseguiu colocar de pé: Bolsonaro, que já foi declarado inelegível pelos próximos oito anos, e não tem a mais remota influência em absolutamente nenhuma decisão do poder público, é o grande problema do Brasil.

Dia após dia ele é empurrado ao topo do noticiário por Lula, o PT e o sistema à sua volta; é um ex-presidente que não manda em nada, mas parece ser, cada vez mais, a figura política mais importante do país.

Esse último corre-corre ajuda, sem dúvida a jogar para o segundo plano a exposição internacional do ministro Dias Toffoli em particular e do STF em geral como protetores de empresas que corrompem a máquina estatal – um momento ruim para o governo.

Mas é um incentivo de primeira classe para a perpetuação do bolsonarismo.

Por J.R.Guzzo, colunista O Estadão

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