Segundo o documento, Enrique foi contratado para defender duas entidades acusadas de comandar a fraude: a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) e o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap).
Essas organizações são apontadas pela AGU como “entidades de fachada”, responsáveis por desviar R$ 730 milhões de aposentados e pensionistas.
O contrato do advogado previa a representação junto a órgãos federais, como a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao ministério comandado por seu pai.
Para Izalci, isso aumenta a suspeita de conflito de interesses e levanta dúvidas se a contratação não teria sido uma forma de blindagem político-jurídica do esquema.
A contratação ocorreu pouco antes da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal, a maior já feita contra fraudes previdenciárias.
Nesse contexto, a presença de Enrique Lewandowski na defesa dos investigados, segundo Izalci, é vista como uma estratégia que extrapola o campo jurídico, podendo indicar tentativa de intimidação das instâncias de controle e obstrução da Justiça.
Assim que o caso veio à tona, Enrique Lewandowski divulgou nota ao jornal O Globo, na qual reafirmou que seu escritório não atuou junto ao Ministério da Justiça.
No entanto, documentos da contratação previam a possibilidade de representação da entidade em órgãos federais, como a Senacon vinculada ao ministério — ponto que levantou as suspeitas de conflito de interesses.
O requerimento lista questões centrais que a CPMI pretende cobrar do advogado:
- A origem dos recursos que pagaram seus honorários — suspeita-se que o dinheiro veio do montante desviado dos aposentados;
- As tratativas com operadores do esquema, como o empresário Maurício Camisotti;
- Eventuais contatos formais ou informais com agentes públicos em nome de seus clientes.
Para o senador Izalci Lucas, ignorar a convocação seria “uma falha indesculpável” da comissão, já que Enrique teria atuado na linha de frente da defesa dos principais beneficiários da fraude.
O peso político do sobrenome
Além das questões jurídicas, o requerimento destaca o “peso simbólico” do sobrenome Lewandowski: o advogado é filho da autoridade máxima a que a Polícia Federal está subordinada no auge das investigações.
Para os parlamentares, essa ligação direta com o ministro da Justiça reforça a necessidade de esclarecimentos públicos.
O advogado Enrique Lewandowski, filho do atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, aparece como um dos possíveis convocados para ser ouvido na CPMI do INSS.

