Acordo de Lula para EUA tirar Moraes da Magnitsky é obscuro

Protegidos pelo sigilo diplomático, os pontos nos quais o presidente Lula cedeu para obter a decisão do governo dos Estados Unidos de retirar as sanções previstas na Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes continuam sendo alvo de especulações de analistas e parlamentares.

Desde o anúncio da medida, na última sexta-feira (12), se intensificaram a avaliação dos impactos das possíveis concessões feitas pelo Brasil ao presidente Donald Trump.

Elas ainda precisam ser confirmadas pelos dois países e têm potencial de serem criticadas pela oposição.

As hipóteses listadas incluem o sinal verde à exploração de terras raras por empresas americanas, o arrefecimento da regulação e tributação das big techs e mudança de tom na relação com a China, incluindo a reabertura para a Starlink, de Elon Musk, no mercado de conectividade via satélite.

A justificativa oficial do Departamento de Estado americano para o recuo da Magnitsky foi a de reduzir o impacto de sanções associadas a disputas judiciais e políticas internas.

Detalhes de suposto acordo de Lula com EUA continuam desconhecidos

Entre os líderes da direita brasileira, o gesto de Washington foi interpretado como derrota simbólica e estratégica, além de vitória pessoal de Moraes e do ativismo judicial.

Mas ainda há muitas questões em aberto.

Nos bastidores do Congresso, a avaliação recorrente é a de que a retirada das sanções contra Moraes não se deu de forma isolada, mas como parte de rearranjo geopolítico mais amplo dos Estados Unidos para a América Latina, envolvendo interesses econômicos, estratégicos e eleitorais.

Analistas, como o jurista André Marsiglia, entendem que, por envolver o interesse econômico do Brasil, questões geopolíticas e até temas de soberania nacional, os termos do acordo firmado entre Lula e Trump deveriam ser investigados pelo Congresso.

Para especialista, governo americano continua pressionando forte o Brasil

Daniel Afonso da Silva, professor de Relações Internacionais da USP, avalia com cautela informações divulgadas sobre a “suposta negociação entre Brasil e Estados Unidos” para suspender sanções comerciais e políticas.

Segundo ele, as menções a termos colocados na mesa por Washington não oferecem elementos suficientes para identificar quais pontos de fato avançaram, nem se algum deles teve peso decisivo para a mudança de postura de Trump.

“Ao ler o noticiário e as análises da imprensa, fico me perguntando como efetivamente se fez essa suposta negociação. Vejo impressões, ilações, mas não consigo notar materialidade”, afirmou.

Para o pesquisador, a leitura mais ampla do cenário internacional indica que não houve recuo substantivo por parte dos Estados Unidos.

Ele ressalta que, embora possa haver ajustes pontuais de retórica ou de ritmo, Washington mantém a estratégia de pressão sobre o governo Lula em diversas frentes, incluindo comércio, alinhamento geopolítico e agendas regulatórias.

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