A decisão do vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS), de expor publicamente o esquema de contratação de influenciadores e páginas de redes sociais para atacar o Banco Central (BC) após a liquidação do Banco Master deu projeção nacional ao político e aprofundou a crise institucional em torno do caso.
Com quase dois milhões de seguidores no Instagram, o pré-candidato a deputado federal revelou ter recusado, em dezembro, convite para integrar o chamado “Projeto DV” — referência ao banqueiro Daniel Vorcaro — articulado por agências de marketing digital.
Segundo Rony, os influenciadores eram orientados a sustentar a tese de que a liquidação do banco teria sido precipitada.
O vereador, que saltou da 25ª para a 9ª posição no ranking de engajamento político nas redes em 2026, afirma que o escândalo expõe uma rede que vai do crime organizado às altas esferas do poder.
“O Master juntou do PCC ao STF”, disse à Gazeta do Povo.
Ele defende o avanço das investigações e a queda dos sigilos para alcançar todos os envolvidos.
Veja os principais trechos da entrevista.
A Polícia Federal abriu inquérito para apurar o ataque orquestrado de influenciadores contra o Banco Central e favorável ao Banco Master, denunciado pelo senhor. Qual é a sua expectativa?
Rony Gabriel: Ainda não fui procurado pela PF para depor, mas estou à disposição da corporação para colaborar com as investigações. O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o trabalho da PF, mas manteve o sigilo de elementos de provas do inquérito principal do caso Master. Espero que os advogados possam ter depois acesso a tudo.
Ao denunciar a arregimentação de influenciadores por agências, o senhor disse que estava sujeito à sanção de R$ 800 mil por quebra de contrato de confidencialidade. Essa multa chegou a ser executada?
Rony Gabriel: Apesar de eu ter feito a denúncia e revelar nomes e termos envolvidos no negócio proposto, a retaliação prevista em contrato não ocorreu até agora. Contudo, aqueles que aderiram à negociação e foram mostrados a mim como modelo de conteúdo de mensagem a ser seguido seguem me criticando duramente nos seus respectivos canais.
Eles alegam que não apresentei o contrato assinado por eles, o mesmo que também me foi oferecido. O fato é que tenho provas do que foi proposto e dos links dos vídeos postados por eles, enviados como amostras do trabalho.
Qual é, na sua visão, o papel da PF nessa crise do Master, considerando que a corporação tem sido alvo tanto de críticas quanto de elogios de grupos conservadores nos últimos anos, a depender de seus alvos?
Rony Gabriel: A Polícia Federal do Brasil é formada por profissionais qualificados e de perfis distintos. A maioria dessas pessoas trabalha muito bem, com total compromisso com sua missão perante a sociedade. Mas há uma parte delas que cumpre ordens capazes de minar a confiança da instituição. Apesar disso, na minha opinião, a PF faz historicamente um excelente trabalho em favor do Brasil e dos brasileiros.
Na sua avaliação, como funcionava o esquema de influência, corrupção e fraudes envolvendo o Banco Master, com ramificações nos três poderes da República?
Rony Gabriel: O que chama atenção é a lista de personagens com trânsito privilegiado em Brasília contratados por Daniel Vorcaro, que acabaram formando uma espécie de conselho informal do Master voltado a abrir portas no poder. Não se tratava apenas de lobby tradicional, mas de remuneração direta por meio de contratos de consultoria, pareceres supostamente técnicos e até inclusão de pessoas na folha de pagamento do banco como forma de garantir acesso institucional.
São mecanismos que operam nos bastidores e só vêm à tona quando o escândalo explode. Enquanto no mensalão se pagavam propinas para assegurar apoio no Congresso, o caso Master estruturou uma rede permanente de influência sustentada por vínculos formais — salários, honorários e contratos terceirizados — que funcionavam como canais privilegiados junto ao Estado.
Quando Lula tenta reduzir o episódio a um banqueiro isolado, ele ignora deliberadamente o círculo de poder construído ao redor do banco, que alcança Executivo, Legislativo e até o Judiciário. O esquema atravessa desde organizações criminosas até autoridades públicas, passando por políticos, instituições financeiras e lideranças religiosas. A pergunta central é: Vorcaro comprou todos ou foi apenas o rosto visível de um grande negócio? Quem é, de fato, o verdadeiro controlador do Banco Master?
Não faço acusações nem suposições, mas é impossível ignorar que a dimensão do escândalo sugere algo maior do que um único empresário. Talvez ele seja apenas a face mais exposta de uma engrenagem muito mais ampla — e sacrificá-lo para preservar o restante do sistema não será simples.
fonte: Gazeta do Povo
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