Padre é denunciado por transfobia após afirmar que “homem é homem e mulher é mulher”

Como diria Shakespeare, tanto barulho por nada.

A Associação Cearense de Diversidade e Inclusão (Acedi) protocolou uma denúncia no Ministério Público contra o padre Francisco Wilson, apontando a prática do suposto crime de “transfobia”.

A representação tem como base declarações feitas pelo religioso durante uma Missa, quando afirmou que “homem é homem e mulher é mulher”.

Segundo a entidade, o conteúdo da homilia ultrapassou o âmbito estritamente religioso.

Além da frase citada, o sacerdote também teceu críticas diretas à chamada ideologia de gênero, mencionando que esse conceito estaria sendo ensinado a crianças em escolas.

Entidade vê discurso discriminatório

Na avaliação da Acedi, as declarações feitas pelo sacerdote não se limitam ao exercício da liberdade religiosa ou de expressão.

Para a associação, “as manifestações descritas, em tese, ultrapassam os limites da liberdade religiosa e de expressão, podendo configurar discurso discriminatório e de ódio, especialmente contra pessoas transgênero, grupo historicamente vulnerabilizado e alvo recorrente de violência simbólica e física”.

A entidade também destacou o impacto social de falas proferidas a partir de posições de autoridade.

Diocese aguarda esclarecimentos antes de se manifestar

A Diocese de Quixadá informou que teve acesso apenas a um trecho isolado da homilia atribuída ao padre Francisco Wilson.

De acordo com o advogado da Diocese, Romero Lemos, o sacerdote foi convocado para prestar esclarecimentos, a fim de que o conteúdo completo da pregação e o contexto das declarações sejam devidamente avaliados.

Segundo o advogado, somente após essa análise interna será definida a posição institucional da Diocese. “Depois dessa avaliação pela Cúria Diocesana, a fim de evitar medidas precipitadas, deverá ser emitida uma nota em caráter formal sobre o caso”, afirmou.

Polícia Civil investiga o caso em Quixadá

A Polícia Civil confirmou que abriu investigação para apurar os fatos.

O registro da ocorrência foi feito no dia 1º de fevereiro.

Em nota, a corporação reforçou a importância de que eventuais vítimas compareçam à delegacia para prestar depoimentos e fornecer informações detalhadas que auxiliem no andamento do inquérito.

A apuração está sendo conduzida pela Delegacia de Polícia Civil de Quixadá, no Ceará, que ficará responsável por reunir os elementos necessários para esclarecer as circunstâncias das declarações e suas possíveis implicações legais.

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fonte: 40 Graus

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