Rejeição de Messias é fruto da opinião pública sobre o STF

Houve um alinhamento claro dos senadores com o sentimento da população em relação à Corte

Mais do que um sinal de fraqueza do governo, incapaz de reunir votos suficientes no Senado para aprovar a indicação do presidente da República, a rejeição de Jorge Messias à vaga de ministro da STF mostra que houve um alinhamento claro dos senadores com o sentimento da população em relação à Corte.

Hoje, o Supremo é amplamente desaprovado pelos brasileiros.

Nas redes, segundo estudo da AP Exata Inteligência em Dados, nos últimos cinco dias, 70,1% das menções à Corte e aos ministros foram negativas.

É um número avassalador para uma instituição que deveria estar entre as de maior confiança no País.

É certo que grande parte da rejeição vem de eleitores de direita, que acreditam em um alinhamento do STF com o governo.

Mas há uma parcela expressiva da população, nos mais diversos espectros ideológicos, que entende que o Supremo se transformou em uma casa marcada por magistrados com ligações políticas questionáveis e envolvidos em controvérsias e escândalos graves.

Essa imagem corroída da Corte foi claramente negligenciada por Lula.

Acreditando que articulações de bastidores garantiriam a entrada de Jorge Messias no seleto grupo de ministros, o presidente não ouviu o recado das ruas.

Messias foi reprovado, sobretudo, pelo desgaste do Supremo.

Por Sergio Denicoli, O Estadão

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