O presidente Lula tem muito a explicar sobre suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a quem recebeu sigilosamente, fora da agenda, para uma longa reunião em 4 de dezembro de 2024, na qual aconselhou o banqueiro a não vender o Banco Master ao BTG Pactual, de André Esteves.
O conselho foi dado pessoalmente por Lula a Vorcaro em uma reunião no Palácio do Planalto.
Nessa época, o Master já estava em dificuldades.
Os jornalistas Fabio Serapião e Natália Portinari (do portal UOL) publicaram (para assinantes) neste domingo mais informações sobre como era esse plano inicial cogitado por Vorcaro, com base em documento obtido pela Polícia Federal e ainda não compartilhado com o STF onde o caso da operação Compliance Zero é relatado pelo ministro André Mendonça.
Segundo o UOL, há uma mensagem de Vorcaro de 10 de abril de 2025 em que ele envia uma proposta de como seria a operação de venda ao BTG.
A reunião no Planalto serviu para o banqueiro pedir um conselho ao presidente da República:
“O BTG, de André Esteves, quer comprar meu banco por R$ 1. Eu não quero confusão. Devo vender ou seguir no mercado? Nós queremos reduzir a concentração bancária do Brasil, presidente”.
Lula ouviu e respondeu usando alguns palavrões para se referir ao então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, cujo mandato terminaria alguns dias depois.
Vorcaro entendeu a presença de Galípolo, atual presidente do Banco Central, na reunião e as críticas de Lula a Roberto Campos Neto como um incentivo para seguir com o Master.



