O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vai aos Estados Unidos (EUA) para um encontro com o presidente americano Donald Trump, em uma tentativa de reforçar a ligação com a direita conservadora internacional.
A agenda é tratada pelo PL como estratégica para fortalecer a pré-candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Auxiliares de Flávio afirmam que o convite partiu do entorno de Trump e negam que tenha havido solicitação formal do senador ou do ex-deputado Eduardo Bolsonaro para a reunião.
A expectativa dentro do PL é de que a viagem tenha peso simbólico importante na disputa presidencial deste ano.
A estratégia é reforçar a percepção de que, apesar da recente aproximação diplomática entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump, a família Bolsonaro seguiria sendo o principal grupo político brasileiro alinhado ideologicamente ao republicano e à direita conservadora americana.
Dentro do PL, dirigentes avaliam que uma agenda internacional positiva pode ajudar a reduzir o impacto político da crise sobre a pré-candidatura do senador.
Integrantes do partido, ouvidos pela Gazeta do Povo, afirmam que a conversa entre Flávio e Trump vinha sendo articulada havia semanas por interlocutores ligados ao entorno republicano em Washington.
Campanha de Flávio quer minimizar agenda de Lula com Trump nos EUA
Os assessores do PL apostam que a reunião entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump pode ajudar a reduzir os efeitos políticos da recente aproximação diplomática entre o presidente Lula e o republicano.
No início de maio, o encontro entre Lula e o norte-americano foi usado pelo PT para tentar emplacar uma agenda positiva após uma série de derrotas no Congresso, como a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada do veto ao projeto da dosimetria.
Dentro do PL, a leitura é de que a reunião de Flávio Bolsonaro com Trump pode funcionar como contraponto político ao ganho de imagem obtido por Lula após a agenda nos Estados Unidos.
A estratégia dos aliados do senador é reforçar a ideia de que, embora Lula mantenha uma relação institucional com o governo americano, a conexão ideológica e política de Trump no Brasil permanece ligada à direita conservadora.
Viagem aos EUA terá peso simbólico para a pré-campanha de Flávio
Na avaliação de especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, uma eventual reunião entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump deve produzir principalmente um efeito simbólico sobre a pré-campanha presidencial do senador.
Para o cientista político Elias Tavares, Trump ainda funciona como uma referência importante para parte relevante do eleitorado conservador brasileiro.
Segundo ele, uma demonstração pública de proximidade entre o presidente americano e Flávio Bolsonaro teria potencial para fortalecer a narrativa de continuidade do bolsonarismo e reorganizar setores da militância de direita.



