A revista britânica The Economist publicou no domingo uma reportagem na qual afirmou que as urnas eletrônicas “estão perdendo a confiança dos brasileiros” e classificou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como uma corte “todo-poderosa”, acumulando funções que, segundo especialistas ouvidos pela publicação, poderiam gerar “conflitos de interesse”.
A publicação apontou que o Brasil é o único país do mundo onde as eleições são inteiramente eletrônicas.
Contudo, apesar da ampla campanha de divulgação promovida pelo TSE nos últimos anos, incluindo o lançamento do mascote Pilili, para celebrar os 30 anos do sistema, a corte não conseguiu “reverter a queda na confiança do eleitorado”.
Para sustentar a avaliação sobre a perda de confiança, a reportagem citou dados do instituto Latinobarómetro.
Segundo a revista, em 2009 cerca de 45% dos brasileiros acreditavam que as eleições eram invioláveis, enquanto 47% consideravam que poderia ocorrer fraude.
Em 2024, os números teriam mudado para 32% de confiança e 61% de desconfiança.
A publicação também destacou a pesquisa de fevereiro da Genial/Quaest segundo a qual 43% dos entrevistados afirmaram não confiar nas urnas eletrônicas.
Parte da matéria foi dedicada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmando que ele “questionou repetidamente” o sistema eleitoral após a derrota na eleição presidencial de 2022 e que o debate sobre as urnas passou a ocupar espaço relevante entre setores da direita brasileira, incluindo entre apoiadores do presidente dos EUA, Donald Trump.
Em outro trecho, a reportagem apresentou críticas ao atual modelo institucional brasileiro.
A revista observou que, diferentemente de muitos países, o TSE, classificado como “todo-poderoso”, não apenas organiza as eleições no Brasil, mas também “desenvolve os softwares utilizados, certifica os resultados, julga disputas eleitorais e atua no combate à desinformação”.
A publicação citou especialistas que disseram que o tribunal concentra funções que poderiam gerar potenciais “conflitos de interesse”.
A reportagem também citou especialistas que defendem mecanismos adicionais de auditoria das eleições no Brasil, como a emissão de comprovantes físicos individuais do voto.


