O escândalo envolvendo o Banco Master, que se tornou uma das principais crises financeiras e políticas do país na reta final de 2025, deve se manter em alta ao longo dos próximos meses com o potencial de influenciar as eleições deste ano – especialmente se a CPMI para investigar o caso for instalada.
Segundo fontes ouvidas pela Gazeta do Povo, as inúmeras conexões de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com políticos e representantes do Judiciário podem prejudicar ou até mesmo comprometer candidaturas.
Em paralelo, o desgaste do Supremo Tribunal Federal (STF) nas últimas semanas devido à conduta de ministros da Corte no caso pode prejudicar campanhas de aliados próximos a ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
O tamanho da crise em Brasília
Em poucas semanas, o escândalo do Banco Master gerou forte desgaste à credibilidade do STF e do Tribunal de Contas da União (TCU), enquanto fortaleceu o Banco Central (BC) e gerou apreensão em Brasília, sobretudo entre políticos ligados ao Centrão e ao governo.
Uma investigação da Polícia Federal apontou que representantes do banco teriam participado de um esquema de fraude estimado em mais de R$ 12 bilhões envolvendo a venda de títulos e carteiras de crédito consignado sem lastro para o Banco de Brasília (BRB).
A prisão, no entanto, durou apenas 11 dias.
Em paralelo, a defesa de Vorcaro conseguiu remeter a investigação ao STF, com o ministro Dias Toffoli ganhando a relatoria do caso.
O ministro centralizou o caso no Supremo, proibiu que a Justiça Federal de Brasília conduzisse atos independentes e tornou o processo sigiloso.
Antes de impor o sigilo, Toffoli viajou para Lima, no Peru, no avião de um empresário e na companhia do advogado de um dos presos por envolvimento no escândalo.
Dois dias depois de o episódio se tornar público, provas apreendidas pela Polícia Federal revelaram que o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes tinha um contrato com o Banco Master que previa o pagamento de R$ 129 milhões em três anos.
Para complicar ainda mais, uma reportagem do jornal Estado de S. Paulo mostrou que Moraes teria telefonado seis vezes no mesmo dia para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para saber sobre o andamento da operação de compra do Master pelo BRB.
“Caixa-preta” do caso Master pode impactar inúmeras candidaturas
Além da atuação de membros do STF, chama a atenção a conduta de ministros do TCU no caso.
O Tribunal, que também decretou sigilo na apuração sobre o caso, tem sido determinante para pressionar o BC e tentar reverter a liquidação do Banco Master.
No dia 6 de janeiro, o ministro do TCU responsável pelo caso, Jhonatan de Jesus, determinou que fosse feita uma apuração urgente no BC, o que poderia facilitar a estratégia da defesa de Vorcaro de reverter a liquidação do banco.
A repercussão negativa da decisão foi tamanha que o ministro voltou atrás e suspendeu a inspeção.
O comportamento de ministros do STF e TCU tem sido apontado pela oposição e setores da imprensa como uma tentativa de frear as investigações e evitar a exposição das conexões políticas de Vorcaro em Brasília.
Nos bastidores, comenta-se que uma suposta delação do empresário poderia expor nomes de peso que atuaram para favorecê-lo – muitos deles com projetos eleitorais para 2026.
CPMI do Banco Master pode ser decisiva
Caso prospere a tentativa de parlamentares de oposição ao governo Lula de instalar uma CPMI para investigar o escândalo, as chances de o caso impactar nas eleições aumentam consideravelmente.
A abertura da CPMI, que já conta com o número de assinaturas necessário para ser instalada, tem sido combatida por governistas.
Entre as 243 assinaturas de parlamentares (da Câmara e do Senado) até o momento, não há praticamente nenhuma de aliados de Lula.
Quem pode sair ganhando com o caso Banco Master
Para fontes ouvidas pela reportagem, candidaturas de direita, com discurso de moralidade, anticorrupção, probidade e respeito à ordem jurídica, e que questionem a suposta atuação do STF para blindar aliados no escândalo envolvendo o banco de Vorcaro, podem ser beneficiadas nestas eleições.
Para Giuliano Miotto, advogado e diretor-presidente do Instituto Liberdade e Justiça (IJL), o maior impacto eleitoral pode acontecer no Senado Federal, que é a casa responsável por sabatinar membros do STF, processar e julgar o impeachment desses ministros e também pela sabatina de diretores do Banco Central.
Luan Sperandio, analista político e diretor de operações do Ranking dos Políticos, também aponta a janela de oportunidade eleitoral para candidaturas de direita ao Senado, “contribuindo para uma eleição com traços plebiscitários sobre o debate dos superpoderes do STF e seus limites”.
E quem pode sair perdendo
Mesmo sem a dimensão real de quais são os atores públicos envolvidos no escândalo, alguns personagens ou grupo políticos já devem ser impactados eleitoralmente.
A tentativa de reeleição de Lula pode ser afetada dependendo da estratégia de adversários.
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