
Foto Orlando Brito
Um das funções básicas de um deputado federal é a de representar a população.
Ao contrário do Senado, cuja atribuição primordial é representar os Estados, a Câmara dos Deputados tem a missão de espelhar os anseios dos eleitores.
“A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo”, diz o artigo 45 da Constituição.
Mas nem sempre é assim que as coisas funcionam.
Nas últimas semanas, a reportagem da Gazeta do Povo enviou um e-mail para cada um dos 513 deputados federais.
A mensagem partia de um eleitor fictício e era simples: pedia ajuda para encontrar informações sobre as despesas dos parlamentares.
“Estou procurando informações sobre os gastos dos gabinetes dos deputados, mas não consegui localizar. Vocês podem me dizer onde encontrar esses dados?”, dizia o remetente.
Os parlamentares tiveram um prazo de 15 dias para responder.
A resposta era fácil: bastava um assessor informar o link para a seção do portal Câmara onde essas informações podem ser encontradas. Levaria apenas alguns segundos.
Mas o resultado não foi dos mais animadores: apenas 14% dos gabinetes (72 de 513) responderam ao pedido de informação (veja a lista completa ao final da reportagem).
Bons exemplos são exceção
Dos 72 gabinetes parlamentares que responderam ao e-mail, 53 incluíram um link para facilitar o trabalho do eleitor. Alguns foram mais cordiais do que os outros.
Por exemplo: o gabinete de Silvye Alves (União Brasil-GO) foi além da pergunta original e deu uma resposta detalhada, incluindo informações sobre a prestação de contas anual da Câmara dos Deputados.
O gabinete de Bruno Ganem (Podemos-SP) também pareceu interessado em ajudar o eleitor fictício: acrescentou uma captura de tela mostrando a seção, no site da Câmara, onde os dados sobre os gastos parlamentares podem ser encontrados. Pontos adicionais por se referir ao interlocutor com a abreviação de “Vossa Senhoria”.
Mas a resposta mais completa veio do gabinete de Marcio Alvino (PL-SP).
Além de responder adequadamente à pergunta, a assessoria de Alvino incluiu links para páginas com os gastos do Senado Federal e da Presidência da República. Isso, lembre-se, sem saber que estava conversando com um jornalista.
Respostas insuficientes
Dentre os parlamentares que responderam, nem todos se esforçaram para atender o pedido do eleitor.
O gabinete de Roberto Duarte (Republicanos-AC), por exemplo, deu uma resposta curta: “Pelo portal da transparência da Câmara dos Deputados”, escreveu a assessoria, sem enviar o link de acesso.
Maria Arraes (Solidariedade-PE) foi ainda mais sucinta: simplesmente indicou o link para o site da Câmara. Nada de “Prezado”, “Bom dia”, ou “Atenciosamente”.
Já a equipe de Gilberto Nascimento (PSD-SP) até foi cordial e disse que estava encaminhando o link solicitado. Mas se esqueceu de mandar o link de fato.
NOVO e SOLIDARIEDADE têm maior taxa de resposta
No experimento feito pela Gazeta do Povo, NOVO e SOLIDARIEDADE foram os partidos com maior percentual de respostas: 33%.
Ambos, entretanto, têm bancadas reduzidas (três e seis deputados, respectivamente). Entre as siglas com pelo menos dez deputados, o PSB ficou em primeiro lugar, com 21,4% de respostas.
Nenhum parlamentar do AVANTE (que tem sete deputados), PATRIOTA (quatro deputados) e da REDE (um deputado) respondeu.
Fonte: Gazeta do Povo
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