Artigo de Ricardo Kertzman, para o site O Antagonista.
Muita gente anda comparando o que disse o presidente Lula na sexta-feira, 24, na Indonésia, que “Traficantes são vítimas dos usuários”, com as falas amalucadas da ex-presidente Dilma Rousseff, nossa eterna e inesquecível saudadora de mandioca e estoquista de vento.
Em um país que pune com a morte um traficante pego pela Justiça, o presidente brasileiro desprezou as milhares de vítimas fatais anuais decorrentes do tráfico de drogas no Brasil, bem como o sofrimento de familiares e amigos – e os próprios viciados – colhidos por essa verdadeira chaga social.
Particularmente, não vejo qualquer semelhança entre as situações, as falas e as personagens.
Dilma usava frases desconexas que soavam quase inocentes, tamanha dissonância com os fatos e a realidade.
A história não mente
Lula, historicamente, como o PT e a esquerda em geral, são useiros e vezeiros em passar pano para infratores.
“Um menor roubou um celular? Coitado, precisa de acolhimento. Um ladrão foi preso em flagrante? Culpa da sociedade capitalista. Um estuprador é seviciado na prisão? Merece ser tratado com dignidade”, já disse Lula.
Curioso é que, enquanto critica democracias, adula ditaduras.
Enquanto critica policiais, clama por direitos humanos a criminosos.
Mas inverter os papeis, como fez ontem, foi exagerado até para os padrões lulopetistas.
Tanto é que quase se desculpou, mas acabou sendo quem sempre foi e elogiou a si mesmo.
Fosse uma pessoa diferente e com um passado que não o condenasse, eu até poderia considerar ter sido uma fala truncada, traída pela mente de um senhor de 80 anos e cansado por estar do outro lado do mundo.
Porém, repito, Lula sempre pensou assim.
O PT sempre pensou assim. A esquerda sempre pensou assim.
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foto: Getty images-reprodução


