Para Leandro Gabiati, da consultoria política Dominium, Bolsonaro já integra o grupo de personagens que funcionam como polos de referência política para grandes parcelas da sociedade, independentemente de sua situação jurídica.
“No Brasil, são simbólicos os casos de Lula, anos atrás, e de Bolsonaro no presente. Apesar das particularidades e diferenças de cada um, carisma e trajetória longa são elementos comuns — e ajudam a explicar a força consolidada dos dois”, afirma.
No caso de Bolsonaro, observa o analista, o banimento imposto pelo Judiciário acaba reforçando sua influência entre seguidores.
“Diante desse cenário, qualquer candidato da direita que pretenda ser competitivo precisa negociar com Bolsonaro. Um apoio explícito dele pode garantir uma base inicial de 20% a 25% dos votos no primeiro turno, praticamente assegurando vaga no segundo”, avalia Gabiati.
O cientista político Ismael Almeida chama atenção para um ponto pouco comentado, mas potencialmente decisivo: o comportamento da base política associada ao ex-presidente no Congresso e nos estados.
Para ele, parte dos parlamentares eleitos na esteira do impulso dado pela figura de Bolsonaro vem adotando uma postura tímida — quando não omissa — diante das ações judiciais e políticas que atingem Bolsonaro.
Segundo o especialista, o eleitor fiel a Bolsonaro, atento aos gestos e às lealdades demonstradas publicamente, deve ser o principal agente de cobrança.
“Quem apostar em desembarque silencioso pode pagar caro”, ressalta.
Após quatro meses de prisão domiciliar, da prisão preventiva e agora no cumprimento da pena definitiva por suposta tentativa de golpe , imposta pelo STF, o ex-presidente Jair Bolsonaro continua a exercer uma influência singular sobre a corrida presidencial de 2026.

