{"id":148223,"date":"2020-04-27T13:37:51","date_gmt":"2020-04-27T17:37:51","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=148223"},"modified":"2020-04-27T13:02:59","modified_gmt":"2020-04-27T17:02:59","slug":"artigo-gaudencio-torquato-o-novo-normal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-o-novo-normal\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato:   O &#8220;NOVO NORMAL&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-144986\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/site-gaudencio-torquato-e1584379446332.jpg\" alt=\"\" width=\"547\" height=\"327\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/site-gaudencio-torquato-e1584379446332.jpg 547w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/site-gaudencio-torquato-e1584379446332-260x155.jpg 260w\" sizes=\"auto, (max-width: 547px) 100vw, 547px\" \/><\/p>\n<p>O mspontocom apresenta semanalmente o artigo de Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><em>Gaud\u00eancio Torquato, jornalista, \u00e9 professor titular da USP, consultor pol\u00edtico e de comunica\u00e7\u00e3o\u00a0<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesses tempos de medo e depress\u00e3o, chovem platitudes e tru\u00edsmos, na esteira de profetas, videntes e assemelhados que se multiplicam por\u00a0 todos os quadrantes: &#8220;depois da pandemia, o mundo ser\u00e1 mais solid\u00e1rio&#8221;, &#8220;veremos avan\u00e7os nas \u00e1reas das ci\u00eancias&#8221;, &#8220;os pa\u00edses ser\u00e3o menos globalistas e mais protecionistas&#8221;, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ci\u00eancia pol\u00edtica n\u00e3o escapa da inexor\u00e1vel tarefa de tentar descobrir os caminhos do amanh\u00e3, raz\u00e3o pela qual,\u00a0 confesso, tamb\u00e9m me inclino a fazer, vez ou outra, exerc\u00edcios de futurologia. Com forte probabilidade de acertar e cometer erros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em praticamente todas as proje\u00e7\u00f5es, prega-se o advir de um mundo diferente, um planeta mais solid\u00e1rio no enfrentamento das crises, hip\u00f3tese bastante plaus\u00edvel ante a constata\u00e7\u00e3o de que a cat\u00e1strofe de uma Na\u00e7\u00e3o, a partir da contamina\u00e7\u00e3o por um v\u00edrus, atinge a todas. E a busca pela extin\u00e7\u00e3o de pandemias passa a ser miss\u00e3o de todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na prospec\u00e7\u00e3o de hoje, tento enveredar pela trilha a que muitos t\u00eam se dedicado: como seria esse &#8220;novo normal&#8221;, que pistas permitem vislumbrar mudan\u00e7as de padr\u00f5es, valores, atitudes, enfim, como seria este mapa do cotidiano p\u00f3s-crise? Antes, \u00e9 \u00fatil fazer r\u00e1pida aprecia\u00e7\u00e3o sobre a paisagem social em que se abrigou este Covid-19.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele se infiltra numa sociedade plena de desigualdades, diferen\u00e7as culturais, modos de vida, democracias vigorosas e outras nem tanto, enormes conglomerados produtivos, economias competitivas, uma infinidade de micro e pequenos neg\u00f3cios, desemprego em massa, debilidade nos aparatos de defesa da sa\u00fade, competitividade, ac\u00famulo de riquezas por parte de grupos, extrema mis\u00e9ria e fome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De pronto, a infer\u00eancia emerge: o impacto \u00e9 diferente em n\u00facleos, grupamentos profissionais e classes sociais. Uns sofrem mais que outros. Mas h\u00e1 um fio que liga todos os seres humanos: o v\u00edrus n\u00e3o distingue ricos e pobres, maiorais e pequenos, com a constata\u00e7\u00e3o apenas de que um grupo \u2013 os idosos \u2013 est\u00e1 mais arriscado a padecer da pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dito isto, fica patente o susto que corre nas veias dos habitantes da Terra: como \u00e9 poss\u00edvel um micro organismo, invis\u00edvel a olho nu, um dos milh\u00f5es de v\u00edrus que circula pelo planeta, desfazer da noite para o dia coisas, projetos, empreendimentos constru\u00eddos com tantos esfor\u00e7os, alguns sendo produto de toda uma vida?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 como se um tsunami irrompesse num momento, inundando tudo o que encontra pela frente em todos os mares do mundo: pessoas, constru\u00e7\u00f5es, empreendimentos de todos os tipos. Muitos n\u00e3o se salvam, mesmo buscando abrigo em estabelecimentos hospitalares, enquanto outros, com rendas e neg\u00f3cios arrebentados, ter\u00e3o de se recompor da cat\u00e1strofe e recome\u00e7ar a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A trag\u00e9dia deixar\u00e1 marcas profundas em todos, mesmo esp\u00edritos imbu\u00eddos dos mais profundos sentimentos de viv\u00eancia na dor e no desespero. Haver\u00e1, certamente, um olhar mais humano para as trag\u00e9dias que ocorrem em todos os lados, pela ideia de que o sofrimento pode, a qualquer momento, baixar na casa de cada um. Mas a cat\u00e1strofe \u2013 e o termo n\u00e3o parece exagerado \u2013 escancara a banaliza\u00e7\u00e3o do perigo, que viceja na corrente do medo e da morte, duas sombras que nos cercam nesses tempos angustiados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morte mora perto. \u00c9 gritada em alto e bom som, com estoques alt\u00edssimos: 20 mil aqui, 50 mil acol\u00e1, 100 mil mais adiante. Virou n\u00famero. Em tempos idos, exclamava-se: &#8220;fulano morreu&#8221;. A interroga\u00e7\u00e3o assustada aparecia em seguida: &#8220;n\u00e3o diga? Quando? Por qu\u00ea? Hoje, a cena mostra caminh\u00f5es transportando corpos mortos para covas coletivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E tudo isso aprofunda nossas feridas. Certa amargura fluir\u00e1 pelas nossos cora\u00e7\u00f5es, ao lado do descr\u00e9dito e da descren\u00e7a nos padr\u00f5es da velha pol\u00edtica. Como a pol\u00edtica entra aqui? Ora, pelo descalabro com que a crise foi tratada por alguns governantes. Pela falta de equipamentos b\u00e1sicos. Pela inefici\u00eancia dos servi\u00e7os p\u00fablicos, mesmo sob reconhecimento de que os profissionais da sa\u00fade foram her\u00f3is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que o Senhor Imponder\u00e1vel, que nos visitava em alguns per\u00edodos \u2013 ciclos de chuva e seca- (deixando at\u00e9 de lado sua imponderabilidade), doravante aparecer\u00e1 com mais frequ\u00eancia.\u00a0 Tal constata\u00e7\u00e3o pode nos tornar um povo mais medroso, menos confiante, mais pessimista. A bem da verdade, eis um contraponto: &#8220;quem venceu esse dem\u00f4nio invis\u00edvel, ter\u00e1 condi\u00e7\u00e3o de vencer outros que nos atacarem&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom apresenta semanalmente o artigo de Gaud\u00eancio Torquato. 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