{"id":148383,"date":"2020-05-04T15:04:27","date_gmt":"2020-05-04T19:04:27","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=148383"},"modified":"2020-05-04T15:04:27","modified_gmt":"2020-05-04T19:04:27","slug":"artigo-gaudencio-torquato-os-novos-polos-de-poder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-os-novos-polos-de-poder\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato:   OS NOVOS POLOS DE PODER"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-144986\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/site-gaudencio-torquato-e1584379446332.jpg\" alt=\"\" width=\"547\" height=\"327\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/site-gaudencio-torquato-e1584379446332.jpg 547w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/site-gaudencio-torquato-e1584379446332-260x155.jpg 260w\" sizes=\"auto, (max-width: 547px) 100vw, 547px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Gaud\u00eancio Torquato, jornalista, \u00e9 professor titular da USP, consultor pol\u00edtico e de comunica\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"mailto:Twitter@gaudtorquato\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Twitter@gaudtorquato<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">As crises n\u00e3o se esgotam em tempo marcado. Constituem um fen\u00f4meno que perpassa a linha do tempo. Como a \u00e1gua corrente, que descobre as entr\u00e2ncias e reentr\u00e2ncias das rochas at\u00e9 encontrar o mar, as crises fluem ao correr das circunst\u00e2ncias, gerando efeitos maiores ou menores, abrindo rumos, redefinindo caminhos. A crise sanit\u00e1ria, provocada pela pandemia do Covid-19, impulsionar\u00e1 a a\u00e7\u00e3o dos governos na trilha da sa\u00fade. A crise econ\u00f4mica provocar\u00e1 sequelas sobre os conjuntos sociais, abaixando o \u00edndice do Produto Nacional Bruto da Felicidade. Servir\u00e1 de alerta. E a crise pol\u00edtica j\u00e1 come\u00e7a a deixar nossos representantes de \u201cbarba no molho\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se h\u00e1 uma consequ\u00eancia que soma os componentes das tr\u00eas crises em curso, esta \u00e9 o avan\u00e7o da participa\u00e7\u00e3o social no processo pol\u00edtico. Saturada de promessas n\u00e3o cumpridas, indignada com a m\u00e1 qualidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos, descrente com as figuras que, periodicamente, aparecem no cen\u00e1rio como \u201csalvadores da P\u00e1tria\u201d, a sociedade d\u00e1 um passo adiante no sentido de criticar, exigir, cobrar, querer mudar. Quer dizer, decide participar com mais for\u00e7a do sistema de decis\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em alguns pa\u00edses, principalmente na Europa, este direcionamento \u00e9 bem desenvolvido, ganhando a designa\u00e7\u00e3o de \u201cauto-gest\u00e3o\u201d t\u00e9cnica, pela qual as pessoas escolhem seus objetivos e os meios para alcan\u00e7\u00e1-los, n\u00e3o aceitando mais a tutela dos pol\u00edticos. O sentimento \u00e9 de que a \u00e1gua transbordou no copo. Tal tend\u00eancia exibe maior organicidade social. Grupos, n\u00facleos, setores, desencantados com os obsoletos e tradicionais padr\u00f5es de operar a pol\u00edtica, querem, eles mesmos, definir suas a\u00e7\u00f5es. A taxa de cidadania ganha for\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, a cr\u00edtica que se faz \u00e0 democracia representativa j\u00e1 vem de d\u00e9cadas. Bobbio, em seu cl\u00e1ssico O Futuro da Democracia, descreve as promessas n\u00e3o cumpridas por ela, entre as quais, a educa\u00e7\u00e3o para a cidadania, o combate ao poder invis\u00edvel, as oligarquias, a falta de transpar\u00eancia dos governos, o acesso de todos \u00e0 justi\u00e7a. Estes fen\u00f4menos se somam a outros, convergindo para o distanciamento entre sociedade e representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como podemos dar outra interpreta\u00e7\u00e3o a esse novo estado? Significa que a sociedade se organiza em entidades de refer\u00eancia, como sindicatos, associa\u00e7\u00f5es, federa\u00e7\u00f5es, grupos e movimentos. Esses s\u00e3o os novos n\u00facleos de poder. Uma for\u00e7a que nasce nas margens, ensejando o que podemos chamar de \u201cpoder centr\u00edpeto\u201d, em contraposi\u00e7\u00e3o ao \u201cpoder centr\u00edfugo\u201d, este formado pelas institui\u00e7\u00f5es centrais, os Poderes Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio, nas inst\u00e2ncias federais, estaduais e municipais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa modelagem passa a agir como um rolo compressor sobre os Poderes constitucionais. Assim raciocina o eleitor: se meu representante ou o governante n\u00e3o conseguem atender as necessidades, vou bater na porta de minha entidade. Sob tal configura\u00e7\u00e3o, desenvolver-se-\u00e1 a a\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica no Brasil, com altera\u00e7\u00e3o de comportamentos, mudan\u00e7a na fei\u00e7\u00e3o dos protagonistas, redefini\u00e7\u00e3o dos pacotes sociais, redimensionamento dos recursos, reordenamento de meios e compensa\u00e7\u00f5es para os programas regionais, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os novos horizontes, sob tal panorama, s\u00e3o promissores. A democracia participativa finca estacas profundas na seara social. O que vai refor\u00e7ar os tr\u00eas instrumentos que, hoje, a ancoram: o referendo, o plebiscito e o projeto de lei de iniciativa popular. Redesenha-se, assim, uma paisagem mais f\u00e9rtil no campo democr\u00e1tico, corroborando um dos significados da express\u00e3o japonesa para a palavra crise: oportunidade. Ou seja, vamos extrair das crises a oportunidade para o pa\u00eds refazer o seu\u00a0<em>modus faciendi\u00a0<\/em>de operar a pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pano de fundo: o Brasil \u00e9 um pa\u00eds de dimens\u00e3o continental, com imensas riquezas naturais, n\u00e3o registra as cat\u00e1strofes naturais que ocorrem em diversas regi\u00f5es do mundo, abriga o maior e mais qualificado agroneg\u00f3cio do planeta, tem sol o ano inteiro na regi\u00e3o Nordeste e um dos maiores potenciais tur\u00edsticos do mundo. O que falta, por aqui, \u00e9 uma taxa menor do que podemos chamar de Produto Nacional Bruto da Corrup\u00e7\u00e3o (PNBC).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 outros componentes que devem entrar no jogo. A pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 selva para praticar tiro ao alvo contra animais. As disputas precisam entrar no foro do respeito e da seriedade. Os compromissos h\u00e3o de ser executados. Urge deixar de lado as promessas mirabolantes, as emboscadas, a radicaliza\u00e7\u00e3o, o \u00f3dio, o terraplanismo, os ide\u00e1rios ultrapassados. O lema a guiar nossos passos: cada um cumpra o seu dever.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. Gaud\u00eancio Torquato, jornalista, \u00e9 professor titular da USP, consultor pol\u00edtico e de comunica\u00e7\u00e3o\u00a0Twitter@gaudtorquato As crises n\u00e3o se esgotam em tempo marcado. Constituem um fen\u00f4meno que perpassa a linha do tempo. 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