{"id":150037,"date":"2020-07-06T12:33:49","date_gmt":"2020-07-06T16:33:49","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=150037"},"modified":"2020-07-06T09:38:29","modified_gmt":"2020-07-06T13:38:29","slug":"artigo-gaudencio-torquato-o-voto-do-novo-corona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-o-voto-do-novo-corona\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato:   O VOTO DO NOVO CORONA"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-149838\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/site-artigo-gaudencio-torquato-reflexoes-na-crise-gaudencio.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"445\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/site-artigo-gaudencio-torquato-reflexoes-na-crise-gaudencio.jpeg 620w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/site-artigo-gaudencio-torquato-reflexoes-na-crise-gaudencio-260x187.jpeg 260w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do cientista pol\u00edtico Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p><strong><em>Gaud\u00eancio Torquato, jornalista, \u00e9 professor titular da USP, consultor pol\u00edtico e de comunica\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"mailto:Twitter@gaudtorquato\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Twitter@gaudtorquato<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Definidas as datas do primeiro e segundo turnos das elei\u00e7\u00f5es \u2013 15 e 29 de novembro \u2013 a maior interroga\u00e7\u00e3o sobre o pleito se espraia pelo territ\u00f3rio: afinal, para onde ir\u00e1 o voto influenciado pelo novo \u201ccoronel\u201d, desculpem, o novo corona da pol\u00edtica? H\u00e1 uma teia de circunst\u00e2ncias a sinalizar a dire\u00e7\u00e3o dos ventos pand\u00eamicos, em novembro, a partir da hip\u00f3tese central de que o danado do v\u00edrus j\u00e1 estaria dominado pelos avan\u00e7os medicinais e pela pr\u00f3pria imunidade da popula\u00e7\u00e3o. Por isso, qualquer apontamento sobre tend\u00eancias haver\u00e1 de considerar o que este analista batiza de Produto Nacional Bruto da Felicidade. Abaixo de 5, a desgraceira ser\u00e1 geral, com alto \u00edndice de renova\u00e7\u00e3o nos perfis dos alcaides. Acima de 5, teremos uma mescla de gente nova, prefeitos reeleitos e at\u00e9 velhos nomes de volta ao palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fa\u00e7amos algumas proje\u00e7\u00f5es. Uma delas \u00e9 que as mulheres ganharam evid\u00eancia na conjuntura de crise, mais falantes e valentes na cr\u00edtica aos prec\u00e1rios servi\u00e7os p\u00fablicos. Apareceram com maior visibilidade. A par dessa quest\u00e3o pontual, h\u00e1 de se avocar a condi\u00e7\u00e3o feminina nas atividades do cotidiano, que adquirem realce nas crises, quando a mulher se apresenta falando na educa\u00e7\u00e3o dos filhos, no trabalho que se torna mais dif\u00edcil, na az\u00e1fama que ela tenta organizar para diminuir as intemp\u00e9ries enfrentadas pela fam\u00edlia. A mulher como organizadora, tomadora de conta do lar, atenta \u00e0 penca de filhos. Da\u00ed emerge a infer\u00eancia: ser\u00e3o reconhecidas como tal, merecendo o voto de fortes parcelas eleitorais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um fen\u00f4meno que se expande no pa\u00eds, ao sabor dos movimentos que se multiplicam no contexto das Na\u00e7\u00f5es, \u00e9 o da organicidade social. Observo esta tend\u00eancia, j\u00e1 consolidada na Europa e nos EUA e atravessando novas fronteiras nos pa\u00edses orientais \u2013 vejam Hong-Kong \u2013 , e que se desenvolve no Brasil de maneira mais consistente desde a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. A chamada Constitui\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 abriu um imenso leque de direitos individuais e sociais que, nos \u00faltimos anos, se tornaram movimentos organizados, com personalidade jur\u00eddica, capazes de fazer mobiliza\u00e7\u00f5es de rua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A for\u00e7a dessa movimenta\u00e7\u00e3o se avoluma na esteira do descr\u00e9dito com que a sociedade passa a enxergar a classe pol\u00edtica. Representantes no Parlamento e governantes no Executivo deixam de cumprir tarefas, aparecem nas bases apenas nos ciclos eleitorais, operando no balc\u00e3o da velha pol\u00edtica. Desacreditados, esses obsoletos cultores do passado ganhar\u00e3o passaporte para ficar em casa. Ora, a descren\u00e7a generalizada na pol\u00edtica abriu imenso v\u00e1cuo entre a sociedade e o universo pol\u00edtico. E quem ocupou este v\u00e1cuo? Exatamente as entidades organizadas. Que fundaram novos polos de poder. Tornaram-se refer\u00eancia para grupos, n\u00facleos, setores. A intermedia\u00e7\u00e3o social entrou forte nas frentes de press\u00e3o. Os corredores do Congresso tornaram-se passarela para o desfile de associa\u00e7\u00f5es, sindicatos, federa\u00e7\u00f5es, n\u00facleos, grupos, movimentos de todos os tipos. Pois bem, o voto em novembro ter\u00e1 essa forte alavanca organizativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro vetor de peso eleitoral \u00e9 o das frentes parlamentares, formadas por bancadas de defesa de c\u00edrculos de neg\u00f3cios. A rigor, fazem parte do circuito anterior aqui descrito, mas por sua import\u00e2ncia na composi\u00e7\u00e3o parlamentar merecem um destaque. Agrupam as bancadas religiosa, do agroneg\u00f3cio, dos servidores p\u00fablicos, dos militares, do setor de servi\u00e7os, dos profissionais liberais etc. Essas bancadas tendem a se consolidar na moldura organizativa do pa\u00eds, seguindo uma tend\u00eancia mundial, muito caracter\u00edstica dos EUA, onde o voto vai geralmente para o representante dos interesses locais e das regi\u00f5es. Nesse sentido, podemos deduzir que o voto distrital tende a se fortalecer na paisagem social, onde as classes sociais se subdividem em n\u00facleos espec\u00edficos. Os deputados querem aumentar suas bases.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A par dessas proje\u00e7\u00f5es, podemos divisar uma composi\u00e7\u00e3o ditada pelo modo como categorias enxergam a pol\u00edtica. Os profissionais liberais, por exemplo, tendem a depositar na urna um voto mais racional que emocional. O voto no Brasil est\u00e1 deixando o cora\u00e7\u00e3o para subir \u00e0 cabe\u00e7a. Significa que estamos subindo degraus na escada da racionalidade. Esse tipo de voto se concentra nas grandes e m\u00e9dias cidades, mais abertas aos meios de comunica\u00e7\u00e3o e \u00e0s cr\u00edticas aos governantes. No contraponto, enxergamos tra\u00e7os do passado em rinc\u00f5es que pararam no tempo, o habitat de raposas da velha pol\u00edtica, com seus nacos garantidos em administra\u00e7\u00f5es falidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, o novo coronel (desculpem, o novo corona) estar\u00e1 na fila das se\u00e7\u00f5es eleitorais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do cientista pol\u00edtico Gaud\u00eancio Torquato. 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