{"id":152122,"date":"2020-09-28T14:13:48","date_gmt":"2020-09-28T18:13:48","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=152122"},"modified":"2020-09-28T14:13:48","modified_gmt":"2020-09-28T18:13:48","slug":"artigo-gaudencio-torquato-a-seca-na-seara-dos-valores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-a-seca-na-seara-dos-valores\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato:  A SECA NA SEARA DOS VALORES"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-149838\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/site-artigo-gaudencio-torquato-reflexoes-na-crise-gaudencio.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"445\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/site-artigo-gaudencio-torquato-reflexoes-na-crise-gaudencio.jpeg 620w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/site-artigo-gaudencio-torquato-reflexoes-na-crise-gaudencio-260x187.jpeg 260w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O mspontocom apresenta semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p><strong><em>Gaud\u00eancio Torquato, jornalista, \u00e9 professor titular da USP, consultor pol\u00edtico e de comunica\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"mailto:Twitter@gaudtorquato\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Twitter@gaudtorquato<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo civilizat\u00f3rio se assemelha a uma r\u00e9gua que mede a evolu\u00e7\u00e3o de costumes, princ\u00edpios e valores, avan\u00e7os e retrocessos. Nem sempre ocorrem mudan\u00e7as que emoldurem a hist\u00f3ria do Homem, principalmente ante a paisagem de devasta\u00e7\u00e3o que flagra crescente litigiosidade entre seres e Na\u00e7\u00f5es, desvairada competividade no campo dos neg\u00f3cios e empreendimentos, luta acirrada entre grupos, alas e at\u00e9 credos religiosos, cada qual com a ambi\u00e7\u00e3o de brilhar na galeria dos maiores e melhores. Em alguns nichos, os avan\u00e7os fluem sob a \u00e9gide de pesquisas cient\u00edficas em \u00e1reas como as ci\u00eancias biom\u00e9dicas, a intelig\u00eancia artificial, a agricultura, a engenharia de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 ineg\u00e1vel que, no sagrado altar dos valores, a Humanidade v\u00ea esgar\u00e7ada sua teia,\u00a0 particularmente no plano da Dignidade. A ambi\u00e7\u00e3o, a luta do poder pelo poder, a inveja, a mentira, as falsidades que impregnam a interlocu\u00e7\u00e3o entre as pessoas, enfim, a ideia de que se deve tirar proveito de tudo, constituem, entre outros, os bra\u00e7os que puxam o planeta para o seio de nossa ancestralidade. Olhe-se para esse mundo pand\u00eamico como exemplo de interesses pol\u00edticos, econ\u00f4micos, geogr\u00e1ficos, a denotar que nem a ci\u00eancia pura est\u00e1 livre de injun\u00e7\u00f5es oportunistas, essas que atuam at\u00e9 na esfera eleitoral, como se constata, hoje, por aqui e por acol\u00e1, sendo bom exemplo a quadra eleitoral em que vivem os Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A era do valor do compromisso est\u00e1 indo embora. Nossos pais e av\u00f3s, ao firmarem neg\u00f3cios, garantiam pela palavra dada ao parceiro, o fechamento do acordo. Os pap\u00e9is em cart\u00f3rio apenas finalizavam uma cultura sagrada: a for\u00e7a da palavra dada. O d\u00e9bito, o cr\u00e9dito, a cren\u00e7a, a aceita\u00e7\u00e3o, a rejei\u00e7\u00e3o de alguma coisa tinham por tr\u00e1s o compromisso expl\u00edcito. A identidade das pessoas e perfis era ancorada na conversa que ditava as regras do cotidiano. Claro, havia desaven\u00e7as. E at\u00e9 mortes nos conflitos de fam\u00edlias que lutavam pelo poder. Mas certo respeito se via at\u00e9 entre rivais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A educa\u00e7\u00e3o era um momento de grandeza. Os pais lutavam, suavam, apuravam seus recursos para formar os filhos. N\u00e3o eram Bolsas de Valores que pescavam o dinheiro. Os pais guardavam seus mil r\u00e9is em velhos e pesados cofres ou sob o colch\u00e3o. Formar um filho, dar a ele a educa\u00e7\u00e3o para enfrentar desafios do futuro \u2013 era o ideal dos chefes de fam\u00edlia. Que exibiam orgulho pela prole bem educada, instru\u00edda. Riquezas foram investidas na educa\u00e7\u00e3o dos filhos, a ponto de muitos terem morrido pobres. Por\u00e9m, felizes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O educador era uma refer\u00eancia. De saber, de grandeza, de boa orienta\u00e7\u00e3o, de conjun\u00e7\u00e3o de bons prop\u00f3sitos. Pin\u00e7o, aqui, um caso contado por um rabino durante um casamento. A historinha se alastra num v\u00eddeo que circula nas redes. Um ex-aluno encontra seu velho professor, aproxima-se e pergunta: \u201clembra de mim\u201d? Responde o mestre:\u00a0<em>\u201cN\u00e3o, quem \u00e9 voc\u00ea? Ah, deve ter sido meu aluno\u201d.<\/em>\u00a0O rapaz relembra a situa\u00e7\u00e3o ocorrida na escola. Viu um colega com lindo e caro rel\u00f3gio e o surrupiou. O menino,\u00a0 ao constatar o roubo, abriu o bico.\u00a0<em>Quem foi, quem n\u00e3o foi?<\/em>\u00a0Balb\u00fardia. O professor fechou a porta e pediu que todos formassem uma fila. O raptor ficou desesperado. Iria ser flagrado, pois o professor iria procurar o rel\u00f3gio em todos os bolsos. Surpresa: pediu para todos fecharem os olhos. E assim conseguiu recuperar o roubo. O ex-aluno continua a conversa:\u00a0<em>\u201cprofessor, o senhor salvou minha alma, minha dignidade. O senhor sabe que fui eu\u201d.\u00a0<\/em>O mestre: \u201c<em>n\u00e3o<\/em>,\u00a0<em>eu nunca soube que foi voc\u00ea. Eu tamb\u00e9m estava de olhos fechados\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Belo exemplo de educador. Que n\u00e3o tinha inten\u00e7\u00e3o de punir, mas a de transmitir o legado de considera\u00e7\u00e3o pelo outro. Uma aula de Dignidade. Que cai bem nesses tempos de acusa\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas, de falsidades, de \u00f3dio, de guerras fratricidas. Somos um mundo cheio de car\u00eancias materiais. A fome ataca e mata milh\u00f5es, principalmente na \u00c1frica e em peda\u00e7os da \u00c1sia. Mas a fome espiritual, essa que esvazia nossos sentimentos, destr\u00f3i nossas searas de valores, ataca grupos e classes, principalmente os habitantes de cima da pir\u00e2mide social, movidos pelo impulso da ambi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual a raz\u00e3o? A vontade de poder. Nietzsche escreveu sobre \u201cA vontade de Poder\u201d, mas nunca publicou um livro com este nome. Ap\u00f3s sua morte, a irm\u00e3 Elizabeth publicou uma colet\u00e2nea de notas in\u00e9ditas. Ali se l\u00ea:\u00a0<em>\u201cVoc\u00ea quer um nome para este mundo? Uma solu\u00e7\u00e3o para todos os seus enigmas? Este mundo \u00e9 a vontade de poder \u2013 e nada al\u00e9m disso! E voc\u00eas tamb\u00e9m s\u00e3o essa vontade de poder \u2013 e nada al\u00e9m disso\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa maldita vontade, no meio da maior crise que o mundo atravessa na atualidade, amea\u00e7a expandir a Era do Mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O mspontocom apresenta semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. Gaud\u00eancio Torquato, jornalista, \u00e9 professor titular da USP, consultor pol\u00edtico e de comunica\u00e7\u00e3o\u00a0Twitter@gaudtorquato &nbsp; O processo civilizat\u00f3rio se assemelha a uma r\u00e9gua que mede a evolu\u00e7\u00e3o de costumes, princ\u00edpios e valores, avan\u00e7os e retrocessos. 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