{"id":152330,"date":"2020-10-06T10:12:19","date_gmt":"2020-10-06T14:12:19","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=152330"},"modified":"2020-10-06T07:17:56","modified_gmt":"2020-10-06T11:17:56","slug":"artigo-gaudencio-torquato-teatro-politico-com-pequena-audiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-teatro-politico-com-pequena-audiencia\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato:   TEATRO POL\u00cdTICO COM PEQUENA AUDI\u00caNCIA"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-149838\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/site-artigo-gaudencio-torquato-reflexoes-na-crise-gaudencio.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"445\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/site-artigo-gaudencio-torquato-reflexoes-na-crise-gaudencio.jpeg 620w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/site-artigo-gaudencio-torquato-reflexoes-na-crise-gaudencio-260x187.jpeg 260w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p><strong><em>Gaud\u00eancio Torquato, jornalista, \u00e9 professor titular da USP, consultor pol\u00edtico e de comunica\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"mailto:Twitter@gaudtorquato\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Twitter@gaudtorquato<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida pol\u00edtica \u00e9 um universo de representa\u00e7\u00f5es. Nos palcos, cheios de atores e atrizes, circulam desde comediantes, com caras que chamam a aten\u00e7\u00e3o por arremates de horror ou jogo de palavras, a perfis que jorram ataques e destilam \u00f3dios. Mas h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre o passado e o presente nas pe\u00e7as teatrais. Ontem, havia audi\u00eancia para ouvir os improp\u00e9rios e encena\u00e7\u00f5es mirabolantes. Hoje, \u00e9 tarefa das mais complexas reunir 30, 40 ou 50 pessoas para aplaudir diatribes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O teatro pol\u00edtico est\u00e1 \u00e0 beira da fal\u00eancia. N\u00e3o h\u00e1 mais tantos compradores para ver espet\u00e1culos canhestros. Basta olhar para esse in\u00edcio de campanha municipal. Candidatos rodam os bairros, em cima da carroceria de carros, fazendo acenos e mandando beijos. Sob o olhar matreiro do Corona-19. Teremos uma campanha despojada em mat\u00e9ria de povo, vivas e festa. Da\u00ed a necessidade de uma vestimenta estramb\u00f3tica para chamar a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A procura de um eixo, de um v\u00e9rtice, deixa confusos candidatos e assessores. \u201cRouba, mas faz\u201d? Tempos de Ademar de Barros. Slogan abominado. \u201cFulano fez, fulano faz?\u201d Tempos de Paulo Maluf. Ainda imitado pela velha assessoria pol\u00edtica. E o que tem funcionado? Primeiro, o pragmatismo das margens carentes. Mais de 65 milh\u00f5es de brasileiros est\u00e3o debaixo do colch\u00e3o social, com muitos vivendo com adjut\u00f3rio, designado de aux\u00edlio emergencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa estaca na ro\u00e7a dos carentes tem sido fator importante para a alavancagem do prest\u00edgio de Jair Bolsonaro. Que, a depender da fatia a chegar aos bolsos dos desfavorecidos, pode aumentar ou diminuir seu cacife no apoio a candidaturas municipais. Eis o dilema do presidente. Onde e como arranjar dinheiro para alicer\u00e7ar a base do Renda Cidad\u00e3? Dos precat\u00f3rios? N\u00e3o seria algo como cobrir um santo para descobrir outro? N\u00e3o seria uma pedalada fiscal? Surrupiar parte dos recursos do Fundeb, o fundo para a educa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja qual for a solu\u00e7\u00e3o, a costura da esgar\u00e7ada teia social n\u00e3o ser\u00e1 simples. Al\u00e9m disso, o ministro, ex-todo poderoso, Paulo Guedes, parece esfalfado, cansado, tonto, ap\u00f3s intenso debate sobre a f\u00f3rmula milagreira de conseguir recursos. O tal do imposto sobre transa\u00e7\u00f5es financeiras, que lembra a malfadada CPMF, despertar\u00e1 indigna\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o se sabe at\u00e9 onde o ministro da Economia ter\u00e1 est\u00f4mago para aguentar a fome de grana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem nova fonte de alimenta\u00e7\u00e3o financeira e sob a sombra de um governo que tanto apertou a tecla do liberalismo \u2013 e n\u00e3o tem dado certo \u2013 os horizontes n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o promissores para Bolsonaro. Hoje, \u00e9 fato que toma o lugar do Lula em muitos recantos do pa\u00eds, a partir do Nordeste, tem entrado no men\u00fa das classes m\u00e9dias, que rejeitam o petismo, e melhorado suas rela\u00e7\u00f5es com o Congresso. A par de uma linguagem mais limpa de vitup\u00e9rios. Mas \u00e9 incerto o caminho da economia. Al\u00e9m de nosso pleito, em 15 de novembro, temos tamb\u00e9m a elei\u00e7\u00e3o norte-americana, da qual depender\u00e1 o futuro de nossas rela\u00e7\u00f5es com os EUA. Podemos ficar mal na fita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se mostra inexequ\u00edvel, pelo andar da carruagem, \u00e9 a implanta\u00e7\u00e3o de um nacionalismo de cunho populista, quando a economia se mostra doente. A dureza da palavra de Bolsonaro ser\u00e1 aplaudida at\u00e9 o momento em que as massas, dispersas, n\u00e3o sentirem formigamento (de fome) na barriga. O neo-populismo nacionalista \u00e9 sonho de ver\u00e3o. Lembre-se que a cidadania se expande em todos os espa\u00e7os da pir\u00e2mide, trazendo em seu bojo uma carga de conscientiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que inclui a capacidade das pessoas de distinguir a verdade de vers\u00f5es, a fal\u00e1cia de fatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembre-se ainda que o populismo do passado se agarrava \u00e0s emo\u00e7\u00f5es das massas e nas grandes mobiliza\u00e7\u00f5es sociais. Nossa sociedade de massas vive um processo de transforma\u00e7\u00e3o. Multiplicam-se os grupamentos organizados, novos polos de poder, esses, sim, com arranque para fazer press\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ademais, o pa\u00eds atravessa um deserto de falta de lideran\u00e7as. Quem possui, hoje, condi\u00e7\u00e3o de convocar as massas? Luiz In\u00e1cio v\u00ea escapar de sua boca o verbo \u00e1cido da era lulista, por ter ele mesmo se tornado coadjuvante no espet\u00e1culo da Lava-Jato. Haddad? N\u00e3o empolga. Tatto, candidato a prefeito de SP? Limitado. O ciclo petista desce o despenhadeiro. Boulos? D\u00e1 medo. Doria? Vai depender da organiza\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de centro. O panorama do amanh\u00e3 \u00e9 nebuloso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desencanto geral com a pol\u00edtica e com os pol\u00edticos dar\u00e1 um g\u00e1s extra ao presidente. A certeza que temos \u00e9 a de que o Corona-19 ir\u00e1 \u00e0s urnas em novembro pr\u00f3ximo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. Gaud\u00eancio Torquato, jornalista, \u00e9 professor titular da USP, consultor pol\u00edtico e de comunica\u00e7\u00e3o\u00a0Twitter@gaudtorquato &nbsp; A vida pol\u00edtica \u00e9 um universo de representa\u00e7\u00f5es. 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