{"id":152760,"date":"2020-10-20T07:31:29","date_gmt":"2020-10-20T11:31:29","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=152760"},"modified":"2020-10-20T07:31:29","modified_gmt":"2020-10-20T11:31:29","slug":"artigo-gaudencio-torquato-oracao-pela-patria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-oracao-pela-patria\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato:  ORA\u00c7\u00c3O PELA P\u00c1TRIA"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-149838\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/site-artigo-gaudencio-torquato-reflexoes-na-crise-gaudencio.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"445\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/site-artigo-gaudencio-torquato-reflexoes-na-crise-gaudencio.jpeg 620w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/site-artigo-gaudencio-torquato-reflexoes-na-crise-gaudencio-260x187.jpeg 260w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p><strong><em>Gaud\u00eancio Torquato, jornalista, \u00e9 professor titular da USP, consultor pol\u00edtico e de comunica\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"mailto:Twitter@gaudtorquato\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Twitter@gaudtorquato<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedimos as suas b\u00ean\u00e7\u00e3os, Senhor, nesse tormentoso ciclo em que nosso pa\u00eds registra mais de 150 mil mortos de uma pandemia que j\u00e1 contaminou at\u00e9 o momento 5,1 milh\u00f5es de pessoas em todos os Estados. Ou\u00e7a nossa prece, Senhor, antes que a mortandade continue a se expandir pelo territ\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 bem verdade, Senhor, que habitamos um territ\u00f3rio belo e imenso, do tamanho de um continente, que at\u00e9 abriga a maior reserva de \u00e1gua doce do mundo, 12% do total existente nos 193 pa\u00edses do nosso planeta, mas os nossos biomas terrestres \u2013 Mata Atl\u00e2ntica, Amaz\u00f4nia, Cerrado, Caatinga e Campos do Sul \u2013 padecem de secas, queimadas, inc\u00eandios perpetrados por esp\u00edritos maldosos. Estamos amea\u00e7ados de perder os 20% das esp\u00e9cies que habitam o planeta. Nosso torr\u00e3o nunca viu destrui\u00e7\u00f5es t\u00e3o monumentais, mesmo sem o poder destruidor de tuf\u00f5es, terremotos e furac\u00f5es que consomem na\u00e7\u00f5es poderosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pero Vaz de Caminha certamente tinha raz\u00e3o, Senhor, na carta escrita ao rei Dom Manuel em 1\u00ba de maio de 1500, ao descrever que a terra descoberta pelo comandante portugu\u00eas Pedro \u00c1lvares Cabral, em 22 de abril, \u201cem tal maneira \u00e9 graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-\u00e1 nela tudo, por bem das \u00e1guas que tem\u201d. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade, Senhor, que m\u00e3os sorrateiras surrupiam parcelas das nossas riquezas naturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agradecemos, Senhor, pela extrema generosidade com que nos agraciou, dando-nos terra t\u00e3o rica, onde se plasmou a \u00edndole de uma gente singular, assentada em um \u201cprocesso de equil\u00edbrio de antagonismos\u201d, como ensina o mestre Gilberto Freyre: as culturas europeia, ind\u00edgena e africana; o cat\u00f3lico e o herege; o jesu\u00edta e o fazendeiro; o bandeirante e o senhor de engenho; a paulista e o emboaba; o pernambucano e o mascate; o bacharel e o analfabeto; o senhor e o escravo\u201d. Mas as desigualdades t\u00eam se expandido ao longo de s\u00e9culos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conviv\u00eancia entre contr\u00e1rios plasmou um car\u00e1ter cordial, um povo hospitaleiro, afeito \u00e0 paz, acess\u00edvel, mesmo que tamb\u00e9m carregue tra\u00e7os negativos, como ilustra Afonso Celso em seu cl\u00e1ssico\u00a0<em>Por que me Ufano do meu Pa\u00eds:<\/em>\u00a0\u201cfalta de iniciativa, falta de decis\u00e3o, falta de firmeza\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Que venha a n\u00f3s o vosso Reino!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que venha logo, Senhor. Antes que o nosso Pantanal seja tragado pelo fogo. Antes que a boiada passe nas fronteiras da ilicitude e das estripulias de gente sem escr\u00fapulo. Antes que a extrema pobreza volte a massacrar a base da nossa pir\u00e2mide social. Que se derrube para sempre esse muro que separa \u201cn\u00f3s e eles\u201d. Vivemos um clima de guerra aberta. Irm\u00e3os contra irm\u00e3os. A viol\u00eancia urbana volta a assolar bairros, ruas, vielas das grandes e m\u00e9dias cidades. Nosso mais bonito cart\u00e3o postal, o Rio de Janeiro, virou pra\u00e7a de guerra. Balas perdidas matam crian\u00e7as e sonhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A velha luta de classes, Senhor, aposentou suas armas ap\u00f3s a queda do muro de Berlim, em 1989, mas por estas plagas figuras que cultivam o populismo teimam em defender a litigiosidade social, pregando a \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d, o fim das elites e do ide\u00e1rio progressista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dai-nos, Senhor, bom senso para evitarmos usar as armas da intoler\u00e2ncia e da condena\u00e7\u00e3o aos infernos de quem ousa discordar de m\u00e9todos como invas\u00e3o de propriedades, depreda\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nios, incita\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia. Queremos paz. Aquele sinal de uma sociedade que podia sair de casa sem medo de assaltos, roubos, tiros. Tempos buc\u00f3licos aqueles dos dias de ontem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Seja feita a vossa vontade assim na terra como no c\u00e9u.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que a vossa vontade, Senhor, chegue at\u00e9 n\u00f3s sob a paz dos c\u00e9us baixando no nosso territ\u00f3rio, elevando os menos favorecidos a degraus superiores e dando aos habitantes do alto da pir\u00e2mide social nobreza de esp\u00edrito para minorar desigualdades e enxugar as l\u00e1grimas dos aflitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perto de 15 milh\u00f5es de brasileiros est\u00e3o desempregados, Senhor, e outros milh\u00f5es n\u00e3o t\u00eam recursos para comprar comida em quantidades necess\u00e1rias para sua sobreviv\u00eancia. Falta p\u00e3o sobre a mesa nos lamacentos espa\u00e7os das periferias das grandes cidades, onde favelas, palafitas, constru\u00e7\u00f5es de papel\u00e3o e lonas pl\u00e1sticas desenham a est\u00e9tica da mis\u00e9ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O p\u00e3o nosso de cada dia nos da\u00ed hoje.<\/em>\u00a0Esse p\u00e3o que \u00e9 para uns e escasso para outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rogamos, Senhor, que injete na consci\u00eancia dos homens p\u00fablicos o dever sagrado de cumprir sua miss\u00e3o sem manchas. Temos uma elei\u00e7\u00e3o no pr\u00f3ximo m\u00eas. Ilumine, Senhor, a consci\u00eancia dos candidatos, fazendo-os assumir compromissos para garantir qualidade aos servi\u00e7os p\u00fablicos. E n\u00e3o permitam aumentos exagerados de impostos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Perdoai as nossas ofensas. Assim como n\u00f3s perdoamos a quem nos tem ofendido.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O perd\u00e3o, Senhor, \u00e9 para as ofensas do nosso cotidiano, essas comuns que se revelam em deseleg\u00e2ncia na interlocu\u00e7\u00e3o, em gestos mal educados que ferem a sensibilidade do interlocutor. Mas assaltantes do Estado, que formam as mil\u00edcias do poder invis\u00edvel, esses precisam prestar contas \u00e0 Justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>E n\u00e3o nos deixei em tenta\u00e7\u00e3o, mas livrai-nos do mal.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Am\u00e9m!<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. 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