{"id":156699,"date":"2021-02-15T13:13:54","date_gmt":"2021-02-15T17:13:54","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=156699"},"modified":"2021-02-15T13:13:54","modified_gmt":"2021-02-15T17:13:54","slug":"artigo-gaudencio-torquato-distantes-do-senso-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-distantes-do-senso-comum\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato:  DISTANTES DO SENSO COMUM"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-156700\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/site-artigo-gaudencio-torquato-distantes-do-senso-comum-gaudencio-torquato-no-ponto-a-ponto-deste-sabado-231-748x410.jpg\" alt=\"\" width=\"748\" height=\"410\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/site-artigo-gaudencio-torquato-distantes-do-senso-comum-gaudencio-torquato-no-ponto-a-ponto-deste-sabado-231-748x410.jpg 748w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/site-artigo-gaudencio-torquato-distantes-do-senso-comum-gaudencio-torquato-no-ponto-a-ponto-deste-sabado-231-748x410-260x143.jpg 260w\" sizes=\"auto, (max-width: 748px) 100vw, 748px\" \/>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Gaud\u00eancio Torquato, jornalista, \u00e9 professor titular da USP, consultor pol\u00edtico e de comunica\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"mailto:Twitter@gaudtorquato\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Twitter@gaudtorquato<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto maior a desarmonia social, mais longe a ideia de encontrarmos o senso comum, esse ponto na r\u00e9gua dos h\u00e1bitos e costumes vivenciados pela sociedade. Pois bem, estamos atravessando um ciclo de intensa disson\u00e2ncia cognitiva, caracterizada por d\u00favidas, incertezas, pol\u00eamicas, que se formam no esp\u00edrito de um tempo carregado de desola\u00e7\u00e3o. Querelas de toda a natureza se espraiam no espa\u00e7o nacional, a mostrar as diferen\u00e7as entre alas e grupos. Em tempos idos, dois temas embutiam conflitos de posi\u00e7\u00f5es: futebol e religi\u00e3o. Hoje, o campo se alarga com a inser\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica, dos governos e suas gest\u00f5es e, sem d\u00favida, da crise sanit\u00e1ria deflagrada pela covid-19 e suas variantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual o fato gerador dessa paisagem t\u00e3o conflituosa? N\u00e3o h\u00e1 um aspecto que possa ser identificado como eixo-mor, a n\u00e3o ser que possamos agrupar os principais fatores em torno do que podemos carimbar como\u00a0<em>Produto Nacional Bruto da Felicidade (PNBF).<\/em>\u00a0Que junta, por exemplo, dinheiro no bolso, barriga satisfeita, exemplares transportes coletivos, alimento barato, casa habit\u00e1vel, \u00e1gua encanada, esgoto, equipados e eficientes hospitais e maternidades, vacinas r\u00e1pidas e para todos, enfim, um clima de satisfa\u00e7\u00e3o coletiva. Esses aspectos nas margens positiva e negativa apontam para o que vem a ser bom senso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ademais, conforme narra Guy Debord, em seu livro\u00a0<em>A Sociedade do Espet\u00e1culo<\/em>, toda a vida \u201cnas sociedades nas quais reinam as modernas condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o se apresenta como uma imensa acumula\u00e7\u00e3o de espet\u00e1culos\u201d. Nessa mesma linha, pontua Roger-G\u00e9rard Schwartzenberg, quando descreve em\u00a0<em>O Estado-Espet\u00e1culo<\/em>,\u00a0 os protagonistas do palco da pol\u00edtica imitando os atores. No mundo atual, o que mais importa aos representantes \u00e9 aparecer, ganhar visibilidade, dourar a imagem, fazendo com que a c\u00f3pia seja mais importante que o original, a representa\u00e7\u00e3o tendo mais destaque que a realidade. \u201cA ilus\u00e3o \u00e9 sagrada e a verdade \u00e9 profana\u201d, arremata Debord.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tempos de conflito e de \u00f3dio destilado nas usinas humanas, que se formam em torno de uns e outros perfis da pol\u00edtica utilitarista, aquela que se banha nas \u00e1guas franciscanas do \u201c\u00e9 dando que se recebe\u201d. O descr\u00e9dito campeia de todos os lados. A desconfian\u00e7a grassa, para lembrar o timoneiro Simon Bol\u00edvar que, h\u00e1 mais de dois s\u00e9culos, fazia ecoar seu lamento: \u201c<em>N\u00e3o h\u00e1 boa-f\u00e9 na Am\u00e9rica, nem entre os homens, nem entre as na\u00e7\u00f5es. Os tratados s\u00e3o pap\u00e9is, as Constitui\u00e7\u00f5es n\u00e3o passam de livros, as elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o batalhas, a liberdade \u00e9 anarquia, e a vida um tormento\u201d<\/em>. Emboscadas e trai\u00e7\u00f5es na pol\u00edtica nunca pontuaram de modo t\u00e3o avassalador. A banaliza\u00e7\u00e3o das coisas impregna o cotidiano. A morte? Coisa banal. Mais de mil pessoas morrem por dia no Brasil. O \u00edndice j\u00e1 n\u00e3o mais comove.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pior \u00e9 sentir que a resigna\u00e7\u00e3o banha as vontades<em>. \u201cAh, n\u00e3o h\u00e1 jeito de melhorar, devemos nos acostumar com isso; ah, n\u00e3o tem outro, n\u00e3o; ele vai ser reeleito facilmente; essas oposi\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias s\u00e3o fracas e n\u00e3o resistem a um rolo compressor<\/em>\u201d. A linguagem social ruma em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s encruzilhadas do conformismo, do catastrofismo, da leni\u00eancia. \u201cSe os maiorais roubam, por que n\u00e3o posso roubar s\u00f3 um pouquinho\u201d? Forma-se uma densa camada de desonestidade, que tem como lume o exemplo que vem de cima, o\u00a0<em>modus operandi<\/em>\u00a0dos maiorais, o novo tri\u00e2ngulo que se desenvolve no seio das democracias, juntando pol\u00edticos, m\u00e1quinas burocr\u00e1ticas e c\u00edrculos de neg\u00f3cios. Essa tend\u00eancia refor\u00e7a o que alguns autores chamam de \u201ctecnodemocracia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E onde est\u00e3o os rem\u00e9dios ou, melhor, as vacinas \u00e9ticas e morais de que nos fala o padre Jo\u00e3o Medeiros Filho, em celebrado artigo recente no jornal Tribuna do Norte (RN),\u00a0<em>\u201cUma Vacina em Prol da \u00c9tica e da Moralidade\u201d? \u201cAl\u00e9m das vacinas contra a epidemia que grassa pelo Brasil, necessita-se tamb\u00e9m imuniz\u00e1-lo contra o \u00f3dio, radicalismo, ego\u00edsmo, interesses escusos, desrespeito, injusti\u00e7as e mentira. \u00c9 incontest\u00e1vel que a fragilidade da sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 um problema cr\u00f4nico, que se arrasta h\u00e1 d\u00e9cadas. N\u00e3o faltam alertas e den\u00fancias de profissionais e l\u00edderes. N\u00e3o se improvisam solu\u00e7\u00f5es duradouras, nem existem respostas autom\u00e1ticas e m\u00e1gicas. Urge uma dose maior de solidariedade e otimismo. \u00c9 necess\u00e1rio crescer no altru\u00edsmo, inoculando na sociedade mais respeito, di\u00e1logo e amor.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis a\u00ed uma tarefa para gera\u00e7\u00f5es. Altru\u00edsmo, civismo, progresso espiritual, eleva\u00e7\u00e3o moral de um povo s\u00e3o metas que integram o mais alto grau civilizat\u00f3rio. Mas n\u00e3o alcan\u00e7aremos esse ideal sem a base do edif\u00edcio da cidadania: Educa\u00e7\u00e3o. Sem essa semente, a floresta humana n\u00e3o dar\u00e1 bons frutos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato Gaud\u00eancio Torquato, jornalista, \u00e9 professor titular da USP, consultor pol\u00edtico e de comunica\u00e7\u00e3o\u00a0Twitter@gaudtorquato &nbsp; Quanto maior a desarmonia social, mais longe a ideia de encontrarmos o senso comum, esse ponto na r\u00e9gua dos h\u00e1bitos e costumes vivenciados pela sociedade. 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