{"id":158491,"date":"2021-04-12T13:01:03","date_gmt":"2021-04-12T17:01:03","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=158491"},"modified":"2021-04-12T13:01:03","modified_gmt":"2021-04-12T17:01:03","slug":"artigo-gaudencio-torquato-reorganizando-nossas-vidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-reorganizando-nossas-vidas\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato:  REORGANIZANDO NOSSAS VIDAS"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-158492\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/site-gaudencio-torquato-no-ponto-a-ponto-deste-sabado-231-748x410-1.jpg\" alt=\"\" width=\"748\" height=\"410\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/site-gaudencio-torquato-no-ponto-a-ponto-deste-sabado-231-748x410-1.jpg 748w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/site-gaudencio-torquato-no-ponto-a-ponto-deste-sabado-231-748x410-1-260x143.jpg 260w\" sizes=\"auto, (max-width: 748px) 100vw, 748px\" \/>O <strong>mspontocom<\/strong> publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Gaud\u00eancio Torquato \u00e9 jornalista, escritor, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico\u00a0<a href=\"mailto:Twitter@gaudtorquato\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Twitter@gaudtorquato<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imaginem a afli\u00e7\u00e3o de um n\u00e1ufrago \u00e0 procura de uma t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o, qualquer coisa para agarrar no meio do oceano. O desespero de fam\u00edlias que perdem, nesses dias de pandem\u00f4nio, entes queridos. Ou a ang\u00fastia trazida por desastres ambientais, como o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em Minas Gerais, no dia 25 de janeiro de 2019, que deixou um rastro de destrui\u00e7\u00e3o e mortes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos vivendo momentos de afli\u00e7\u00e3o e ang\u00fastia. A ansiedade cai sobre n\u00f3s com seus reflexos sobre o cotidiano, paralisando projetos iniciados, afastando outros que ainda estavam na prancheta do planejamento e, acima de tudo, injetando em nosso esp\u00edrito a incerteza, a d\u00favida, o medo. Por mais planejada que seja uma pessoa, ela se junta ao gigantesco cord\u00e3o dos desvalidos que se sentem perdidos por ter suas vidas desorganizadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 certo que a resili\u00eancia e a coragem de enfrentar os mais terr\u00edveis males fazem parte do roteiro da sobreviv\u00eancia humana. Por isso, vemos perfilados na arena do combate gente de todos os calibres, homens e mulheres, jovens e velhos, dispostos a afastar amea\u00e7as e a lutar pelo bem-estar. Mas o fato \u00e9 que esse v\u00edrus que contamina nossos corpos e atormenta nosso esp\u00edrito causa mudan\u00e7as em nosso dia a dia. Na vida de uns, produz profunda altera\u00e7\u00e3o, em outros, provoca o reordenamento de tarefas cotidianas, introduzindo novos h\u00e1bitos, determinando rotas diferentes dos tra\u00e7ados originais. Nossas vidas foram, sim, desarrumadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais que o empres\u00e1rio, o executivo de um grande grupo, quadros tarimbados e experimentados na arte de enfrentar desafios, acreditem que pouca coisa mudar\u00e1 em suas vidas, o amanh\u00e3 n\u00e3o ser\u00e1 o mesmo. O trabalho assume nova modelagem com o enxugamento de estruturas, o home office, a simplifica\u00e7\u00e3o da papelada, o redimensionamento de budgets, a procura incessante de inova\u00e7\u00e3o, o uso da internet, enfim, as redes sociais funcionando como extens\u00f5es de nosso c\u00e9rebro e nossos bra\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas as mudan\u00e7as de ordem material, em pleno curso, ter\u00e3o infinitamente menor impacto do que as forjadas por nossa mente. A come\u00e7ar pelo conceito de tempo, morte e vida. S\u00eaneca (4.aC \u2013 65) j\u00e1 pregava:\u00a0<em>\u201cN\u00e3o \u00e9 curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida \u00e9 suficientemente longa e com generosidade nos foi dada para a realiza\u00e7\u00e3o das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas, quando ela se esvai no luxo e na indiferen\u00e7a, quando n\u00e3o a empregamos em nada de bom, ent\u00e3o, finalmente constrangidos pela fatalidade, sentimos que j\u00e1 passou por n\u00f3s sem que tiv\u00e9ssemos percebido. O fato \u00e9 que n\u00e3o recebemos uma vida breve, mas a fazemos, nem somos dela carentes, mas esbanjadores\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cada dia dos recordes de mortos, somos levados a enxergar que a eternidade est\u00e1 ali, a um palmo. Os dribles mentais que \u00e0s vezes costumamos fazer, pensando que temos ainda o vigor da adolesc\u00eancia, a capacidade de saborear as coisas boas da vida, fenecem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O transl\u00facido espelho da realidade est\u00e1 ali adiante de n\u00f3s. Como ia dizendo, no plano espiritual o facho das mudan\u00e7as ser\u00e1 bem luminoso. A solidariedade, por exemplo, \u00e9 uma das sementes a germinar na seara dos valores. Viveremos com mais intensidade a virtude da amizade, que \u00e9 a cola da fraternidade. Os amigos ser\u00e3o inseridos no c\u00edrculo do compartilhamento, caracter\u00edstica de uma sociedade convivencial. Bem sabemos que a rotina do cotidiano forma oceanos entre amigos, os la\u00e7os v\u00e3o se desmanchando, o tecido social se esgar\u00e7a na poeira do tempo. Por isso, teremos de batalhar para que o distanciamento n\u00e3o maltrate a integra\u00e7\u00e3o espiritual, procurando retomar os caminhos encruzilhados do passado, evitando a competitividade leonina do presente, reconhecendo que o viver sob intenso sufoco corr\u00f3i a humanidade que nos habita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teremos de recolocar a vida e toda sua intensidade no mais alto pedestal dos valores. Hoje, de tanto ouvirmos a numerologia da morte, este ato final da esp\u00e9cie torna-se banalizado. A imaginar \u201cum tanto faz, tanto fez\u201d, como se a vida n\u00e3o fosse o sagrado dom que Deus nos deu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poderemos, sim, ser competidores, ambiciosos, her\u00f3is de grandes empreendimentos, sem esquecer, por\u00e9m, nossa identidade humana. Pin\u00e7o Conf\u00facio: \u201c<em>a humanidade \u00e9 mais essencial para o povo do que \u00e1gua e fogo. Vi homens perderem sua vida por se entregarem \u00e0 \u00e1gua ou ao fogo; nunca vi algu\u00e9m perder a vida por se entregar \u00e0 humanidade\u201d.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. Gaud\u00eancio Torquato \u00e9 jornalista, escritor, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico\u00a0Twitter@gaudtorquato Imaginem a afli\u00e7\u00e3o de um n\u00e1ufrago \u00e0 procura de uma t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o, qualquer coisa para agarrar no meio do oceano. 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