{"id":169948,"date":"2022-04-18T09:27:56","date_gmt":"2022-04-18T13:27:56","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=169948"},"modified":"2022-04-18T09:27:56","modified_gmt":"2022-04-18T13:27:56","slug":"artigo-gaudencio-torquato-o-eleitor-e-uma-caixa-preta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-o-eleitor-e-uma-caixa-preta\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato:  O ELEITOR \u00c9 UMA CAIXA-PRETA"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-169949\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/site-gaudencio-2.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"445\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/site-gaudencio-2.jpeg 620w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/site-gaudencio-2-260x187.jpeg 260w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0Torquato \u00e9 jornalista, escritor, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem \u00e9 o eleitor brasileiro? Eis a pergunta sobre a qual, a esta altura, est\u00e3o debru\u00e7ados candidatos e assessores. O que os leva \u00e0 decis\u00e3o de voto? Quais s\u00e3o os fatores que balizam o processo decis\u00f3rio? Tentemos mostrar nuances.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cerca de 150 Milh\u00f5es de eleitores brasileiros dever\u00e3o ser envolvidos pela \u201cfeiti\u00e7aria\u201d que a publiciza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica haver\u00e1 de construir, nos pr\u00f3ximos meses. Como podemos evitar a embrulhada engendrada pela atmosfera criada pela propaganda eleitoral, j\u00e1 em pleno curso, com as inser\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias? Primeiro, \u00e9 oportuno identificar a simula\u00e7\u00e3o usada por candidatos, que querem aparecer mascarados, sem sua identidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, \u201cnenhum homem, por maior esfor\u00e7o que fa\u00e7a, pode acrescentar um palmo \u00e0 sua altura\u201d, diz a B\u00edblia, e alterar o pequeno modelo que \u00e9 o corpo humano. Mesmo usando a engenharia de artimanhas do marketing. H\u00e1, de fato, cerca de 30 milh\u00f5es de brasileiros que vivem em estado deplor\u00e1vel. O pa\u00eds mostra sinais de anomia e degenera\u00e7\u00e3o de valores. Mas tem uma base sobre a qual se pode navegar com seguran\u00e7a. Usar o acervo de mazelas, sob o artif\u00edcio de emo\u00e7\u00f5es falsas, costuradas na colcha de diagn\u00f3sticos por demais conhecidos, sem apontar caminhos e solu\u00e7\u00f5es para os avan\u00e7os, \u00e9 querer instrumentalizar a catarse coletiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Candidato n\u00e3o \u00e9 sabonete. O eleitor quer um candidato honesto e com experi\u00eancia administrativa, mas banhado pelo conceito da assepsia, da higieniza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O ide\u00e1rio da inova\u00e7\u00e3o e da renova\u00e7\u00e3o ganha espa\u00e7o em meio a nomes carimbados do quadro nacional. Tamb\u00e9m quer votar em pessoas que passem a ideia de bons controladores do or\u00e7amento municipal. Nesse aspecto, as candidatas levam vantagem &#8211; a mulher sempre controla o or\u00e7amento dom\u00e9stico e transmite maior confian\u00e7a. Chega ao fim o \u201ccandidato sabonete\u201d, apresentado como um verdadeiro produto para o consumo de massa, cuja imagem era constru\u00edda por meio da cosm\u00e9tica publicit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra quest\u00e3o \u00e9 sobre as redes sociais. A influ\u00eancia da Internet ser\u00e1 maior do que nas elei\u00e7\u00f5es passadas, mas ela n\u00e3o constitui, ainda, um ve\u00edculo fundamental. Nada substitui o contato pessoal do candidato com seu eleitorado. Diante da crise social, da desconfian\u00e7a e da descren\u00e7a, as pessoas sentem necessidade de ver seus candidatos de perto. Os pol\u00edticos devem sair \u00e0s ruas e andar pelas casas e pelos bairros. Mais importante do que os grandes com\u00edcios ser\u00e3o os pequenos encontros, como caf\u00e9s da manh\u00e3, visitas, mutir\u00f5es e carreatas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esperteza, a dramatiza\u00e7\u00e3o, os recursos artificiais, a hipocrisia e a insinceridade t\u00eam sido a t\u00f4nica da cultura pol\u00edtica. Mais uma quest\u00e3o: \u201co que faz um eleitor preferir um candidato a outro?\u201d N\u00e3o h\u00e1 uma resposta fechada para a quest\u00e3o. Dependendo do candidato e da regi\u00e3o, certos fatores pesam mais que outros. O primeiro apelo \u00e9 o do bolso. Relaciona-se \u00e0 luta pela sobreviv\u00eancia e \u00e0 necessidade de se garantir o alimento. Esse \u00e9 um dos impulsos b\u00e1sicos do ser humano, que age principalmente em \u00e9pocas de conten\u00e7\u00e3o, crise e desemprego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tenho escrito bastante sobre o uso de instintos em campanhas eleitorais, com destaque para o\u00a0<strong>instinto nutritivo<\/strong>. At\u00e9 formei uma hip\u00f3tese que tenho usado para explicar o processo de decis\u00e3o de voto. Que parte do cintur\u00e3o econ\u00f4mico \u00e9 ciclicamente usado por governos para afrouxar ou apertar a barriga do eleitor. O \u201cxis\u201d da quest\u00e3o resume-se na equa\u00e7\u00e3o BO+BA+CO+CA: bolso (BO) cheio enche a geladeira, satisfaz a barriga (BA), emociona o cora\u00e7\u00e3o (CO) e induz a cabe\u00e7a (CA) dos bem alimentados a recompensar os patrocinadores do p\u00e3o sobre a mesa. E o troco, a recompensa? O voto na urna. A rec\u00edproca \u00e9 verdadeira. Bolso vazio \u00e9 reviravolta eleitoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quaisquer propostas para garantir o sustento de pessoas e fam\u00edlias, quando feitas de maneira cr\u00edvel e objetiva, la\u00e7am o interesse das pessoas. Um bom emprego ou a perspectiva de melhorar de vida simbolizam o eixo desse discurso. Outro fator de interesse liga-se \u00e0 regi\u00e3o, ao munic\u00edpio, ao bairro, \u00e0 rua. Trata-se do fator proximidade, que, nos \u00faltimos tempos, tem despertado a inten\u00e7\u00e3o dos eleitores. O voto est\u00e1 ficando distritalizado, regionalizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais um elemento emerge com import\u00e2ncia: a proximidade psicol\u00f3gica entre eleitor e candidato. Trata-se, no caso, do conhecimento que o eleitor tem do candidato, a\u00ed inclu\u00eddos os contatos, a aproxima\u00e7\u00e3o, a tradi\u00e7\u00e3o familiar, o grau de intimidade. \u00c9 como o eleitor estivesse votando em algu\u00e9m da fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por \u00faltimo, a onda das circunst\u00e2ncias. Os bons candidatos sempre recebem uma ajudazinha do clima psicol\u00f3gico dos momentos, formado pelos ventos que sopram a seu favor, e que o projetam como a pessoa que melhor cristaliza os sentimentos gerais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. \u00a0Torquato \u00e9 jornalista, escritor, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico &nbsp; Quem \u00e9 o eleitor brasileiro? Eis a pergunta sobre a qual, a esta altura, est\u00e3o debru\u00e7ados candidatos e assessores. O que os leva \u00e0 decis\u00e3o de voto? 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