{"id":171416,"date":"2022-06-06T05:29:36","date_gmt":"2022-06-06T09:29:36","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=171416"},"modified":"2022-06-06T09:23:33","modified_gmt":"2022-06-06T13:23:33","slug":"artigo-gaudencio-torquato-os-monstros-da-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-os-monstros-da-politica\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato:  OS MONSTROS DA POL\u00cdTICA"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-171417\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/site-gaudencio-260x187.jpeg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"187\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/site-gaudencio-260x187.jpeg 260w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/site-gaudencio.jpeg 620w\" sizes=\"(max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><\/p>\n<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p><strong><em>Gaud\u00eancio Torquato \u00e9 jornalista, escritor, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico\u00a0<a href=\"mailto:Twitter@gaudtorquato\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Twitter@gaudtorquato<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Governantes das mais diferentes ideologias d\u00e3o efetiva contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 degeneresc\u00eancia da arte de governar, pela qual Saint Just, um dos jacobinos da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, j\u00e1 expressava, nos meados do s\u00e9culo 18, grande desilus\u00e3o:\u00a0<em>\u201cTodas as artes produziram maravilhas, menos a arte de governar, que s\u00f3 produziu monstros.\u201d\u00a0<\/em>A frase se destinava a mostrar o perfil dos ditadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, a insanidade continua a pavimentar o caminho dos governantes. Canalhice, mediocridade, vaidade, ignor\u00e2ncia, hipocrisia, populismo inundam os espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembram-se de Silvio Berlusconi, na It\u00e1lia, flagrado em suas festas \u201cbunga-bunga\u201d, que abrigava a prostitui\u00e7\u00e3o de 26 garotas a ele levadas por uma rede de quadrilha e prostitui\u00e7\u00e3o? Berlusconi se prepara para reentrar no cen\u00e1rio pol\u00edtico. Lembram-se dos famosos flagrantes de d\u00f3lares na cueca envolvendo figuras de nossa pol\u00edtica?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vladimir Putin exibe para a comunidade um perfil atl\u00e9tico de esportista e se mostra um denodado defensor da soberania russa, mas h\u00e1 mais de tr\u00eas meses fustiga a Ucr\u00e2nia, deixando em cinzas o territ\u00f3rio de um-sat\u00e9lite da ex-URSS. Motivo? Quer integrar partes do pa\u00eds \u00e0 R\u00fassia. Uma superpot\u00eancia mundial destruindo um vizinho, sob o olhar perplexo do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mais recente cena que causou estupefa\u00e7\u00e3o no planeta foi o assassinato de Genivaldo de Jesus Santos, um homem negro, detido pela Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal por n\u00e3o usar capacete, for\u00e7ado a entrar no porta-malas de um carro, onde os policiais jogaram uma bomba de fuma\u00e7a. Um ato que lembra a c\u00e2mara de g\u00e1s dos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembram-se de Pedro Aleixo, vice-presidente do marechal Costa e Silva. Referindo-se ao AI-5, dizia: \u201c<em>o problema de uma lei n\u00e3o \u00e9 o senhor (Costa e Silva), nem os que governam o pa\u00eds com o senhor. O problema \u00e9 o guarda da esquina\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que explica a propens\u00e3o de homens p\u00fablicos a assumirem o papel de atores de pe\u00e7as vis, cerim\u00f4nias vergonhosas e, ainda, abusarem de linguagem chula, incongruente com a posi\u00e7\u00e3o que ocupam? O que explica a imagem de parlamentares mexendo no or\u00e7amento para inundarem com recursos o pleito eleitoral? Governantes cooptando apoio parlamentar com o anzol da grana?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta: a despolitiza\u00e7\u00e3o e a desideologiza\u00e7\u00e3o, o baixo n\u00edvel de institucionaliza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, a secular cultura pol\u00edtica, fatores que, no Brasil, ganham expans\u00e3o na esteira da deseduca\u00e7\u00e3o das massas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os mecanismos tradicionais da democracia liberal, aqui e alhures, est\u00e3o degradados. Retomo, aqui, o paradigma do \u201cpuro caos\u201d, que o professor Samuel Huntington (Harvard, EUA) identifica como fen\u00f4meno contempor\u00e2neo e que se ancora na quebra no mundo inteiro da lei e da ordem, nos cart\u00e9is de drogas, na destrui\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, em ondas de criminalidade, enfim, no decl\u00ednio da confian\u00e7a na pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os exemplos est\u00e3o em toda a parte. Como se pode exigir respeito dos cidad\u00e3os se os dirigentes n\u00e3o s\u00e3o o melhor espelho para refletir padr\u00f5es de comportamento? Atravessamos um dos mais conturbados ciclos da pol\u00edtica. A imagem de Saint Just, que abre este artigo, cutuca nossa consci\u00eancia e corrobora o fato de que a arte de governar tem sido um laborat\u00f3rio de monstros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se pode elogiar um grupo de policiais que agiram contra um doente mental? Como \u00e9 poss\u00edvel algu\u00e9m, com um m\u00ednimo de responsabilidade, vir a p\u00fablico para pregar a viol\u00eancia, a necessidade de armar a popula\u00e7\u00e3o, o esc\u00e1rnio ao Poder Judici\u00e1rio, entoando um hino de guerra para mobilizar guerreiros?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esfera p\u00fablica virou arena de interesses, atraindo pessoas de todos os naipes. Bifurca-se o caminho da\u00a0<em>Res Publica<\/em>\u00a0com a vereda do neg\u00f3cio privado. O diagn\u00f3stico \u00e9 de Hannah Arendt:\u00a0<em>\u201cA sociedade burguesa, baseada na competi\u00e7\u00e3o, no consumismo, gerou apatia e hostilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida p\u00fablica, n\u00e3o somente entre os exclu\u00eddos, mas tamb\u00e9m entre elementos da pr\u00f3pria burguesia.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atividade econ\u00f4mica passou a exercer supremacia sobre a vida p\u00fablica. Os eleitores se distanciam de partidos, formando n\u00facleos ligados ao trabalho e \u00e0 vida corporativa \u2013 sindicatos, associa\u00e7\u00f5es, movimentos. Eis a nova face da pol\u00edtica. Esses espa\u00e7os ter\u00e3o import\u00e2ncia no processo decis\u00f3rio que vai eleger o novo mandat\u00e1rio-mor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente, teremos de conviver por bom tempo ainda com as rixas:\u00a0 parlamentares se atracando em plen\u00e1rios, brigas de ruas entre militantes, propinas, apupos e aplausos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que fazer para limpar a sujeira que borra a imagem da pol\u00edtica? A reengenharia voltada para o resgate da moral \u00e9 tarefa para mais de uma gera\u00e7\u00e3o. Primeiro passo: o homem p\u00fablico deve cumprir rigorosamente o papel que lhe cabe. Segundo: os que saem da linha e descumprem a lei ser\u00e3o punidos. Terceiro: revogam-se as disposi\u00e7\u00f5es em contr\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. 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