{"id":171697,"date":"2022-06-14T04:19:15","date_gmt":"2022-06-14T08:19:15","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=171697"},"modified":"2022-06-14T07:23:10","modified_gmt":"2022-06-14T11:23:10","slug":"artigo-gaudencio-torquato-a-conta-nao-fecha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-a-conta-nao-fecha\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato:  A CONTA N\u00c3O FECHA"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-171698\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/site-gaudencio-1-260x187.jpeg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"187\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/site-gaudencio-1-260x187.jpeg 260w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/site-gaudencio-1.jpeg 620w\" sizes=\"(max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><\/p>\n<p>O <strong>mspontocom<\/strong> publica semanlamente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p><strong><em>Gaud\u00eancio Torquato \u00e9 jornalista, escritor, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico\u00a0<a href=\"mailto:Twitter@gaudtorquato\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Twitter@gaudtorquato<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cerca de 25% dos eleitores n\u00e3o gostariam que Lula ou Bolsonaro fossem vitoriosos no pleito de 2 de outubro. Enquanto algumas pesquisas mostram essa posi\u00e7\u00e3o, outras chegam a apontar rejei\u00e7\u00e3o de 43% para Lula e 59% para Bolsonaro. Esses dados, por si s\u00f3, sinalizam a viabilidade de um nome da terceira via. Mas n\u00e3o \u00e9 isso que se enxerga nos \u00edndices de Ciro Gomes (PDT-CE), entre 6% e 9%, o deputado Andr\u00e9 Janones (Avante-MG), a senadora Simone Tebet (MDB-MS), ambos entre 1% e 3%, e os restantes pr\u00e9-candidatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conta tamb\u00e9m n\u00e3o fecha na \u00e1rea do marketing pol\u00edtico. Lula alfineta Bolsonaro, ao dizer que uma \u201ccanetada\u201d basta para enquadrar a Petrobras e, consequentemente, ordenar a baixa nos pre\u00e7os dos combust\u00edveis. Sugere que \u201cfalta coragem\u201d ao presidente. Ora, significa que ambos se igualam na defesa intervencionista, o uso da caneta para definir a pol\u00edtica de pre\u00e7o da estatal. Populismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E mais: os dois principais protagonistas falam coisas que s\u00f3 agradam a suas bases tradicionais. Bolsonaro entra na seara pessoal do petista, chamando-o de \u201cnove dedos\u201d, refer\u00eancia a perda de um dedo do ex-metal\u00fargico nos tempos em que trabalhava no ch\u00e3o de f\u00e1brica no ABC paulista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o satisfeito com o ataque pessoal ao advers\u00e1rio, atira nas urnas eletr\u00f4nicas, sugerindo fraude nas elei\u00e7\u00f5es, e fustiga o STF, avisando que n\u00e3o cumprir\u00e1 decis\u00f5es da Corte, ao atacar a decis\u00e3o sobre o marco temporal na demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas. \u201c<em>Uma nova interpreta\u00e7\u00e3o querem dar a um artigo da Constitui\u00e7\u00e3o. E quem quer dar? O ministro Fachin, marxista leninista. Advogado do MST. O que eu fa\u00e7o se aprovar? Entrego a chave para os ministros do Supremo ou digo: n\u00e3o vou cumprir\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lula faz defesa da regulamenta\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, entrando em outros terrenos tem\u00e1ticos que assustam parcelas da sociedade, como a revoga\u00e7\u00e3o (isso mesmo, n\u00e3o apenas revis\u00e3o) da reforma trabalhista e quebra do teto de gastos. Trata-se do renascimento de velhos programas da era lulista no centro do poder. Dinheiro para expandir o acesso das massas ao cr\u00e9dito e restabelecer as contribui\u00e7\u00f5es sindicais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As falas de ambos tendem a segurar ou a baixar sua aprova\u00e7\u00e3o junto ao eleitorado, o que pressup\u00f5e que fazem ouvidos de macaquinho (n\u00e3o ouvem, n\u00e3o veem, n\u00e3o sentem) aos conselheiros de marketing. Ou ser\u00e1 que estes n\u00e3o usam pesquisas qualitativas para orientar os seus candidatos? Ou temem receber respostas malcriadas dos interlocutores?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato \u00e9 que os profissionais do marketing pol\u00edtico n\u00e3o est\u00e3o dando um recado eficaz nesses tempos de polariza\u00e7\u00e3o acirrada e discursos virulentos. Dizem que estariam defasados ante a emerg\u00eancia de novos polos de difus\u00e3o de ideias, como as redes sociais, onde o filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro mostra ser um expert.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 os pesquisadores deveriam chegar a um bom termo sobre metodologias usadas, a par de uma boa explica\u00e7\u00e3o sobre o significado dos \u00edndices elevados de rejei\u00e7\u00e3o, que abrem grande interroga\u00e7\u00e3o na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre ataques pessoais, pin\u00e7o o celebre caso de Alu\u00edzio Alves, no Rio Grande do Norte, que no in\u00edcio dos anos 60, fez uma das mais retumbantes campanhas de marketing pol\u00edtico do pa\u00eds, sendo considerado um dos precursores da atividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alu\u00edzio, candidato a governador, era acusado pelo advers\u00e1rio de correr o Estado dia e noite liderando multid\u00f5es pelas estradas, montado num jumento, apropriando-se do termo \u201ccigano\u201d a ele atribu\u00eddo. Lia as m\u00e3os das crian\u00e7as, \u201cprofetizando\u201d sobre seu futuro. Enfeiti\u00e7ou as massas. Os com\u00edcios pegavam fogo. Dinarte Mariz, o governador, patrono da candidatura de Djalma Marinho, menosprezava:\u00a0<em>\u201cQuem vai a esses com\u00edcios \u00e9 uma gentinha.<\/em>\u201d Alu\u00edzio adotou o termo: \u201c<em>Minha querida gentinha.\u201d<\/em>\u00a0Ganhou a elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre populismo, lembro Maquiavel, que relata a hist\u00f3ria de um rico romano que deu comida aos pobres durante uma epidemia de fome. Por esse ato, foi executado pelos concidad\u00e3os, sob o argumento que pretendia fazer seguidores para se tornar um tirano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao discurso, se o candidato n\u00e3o apresentar bom ide\u00e1rio, ser\u00e1 mais eficaz usar a t\u00e9cnica do gaguinho. Conto a hist\u00f3ria: certa vez, o governador de Pernambuco, Moura Cavalcanti, teve de escolher com urg\u00eancia um nome para substituir seu candidato a prefeito, que falecera. Correu para a cidade e passou a perguntar: \u201c<em>Quem \u00e9 mais popular na cidade?\u201d<\/em>\u00a0Respondiam: \u201c<em>O gaguinho<\/em>\u201d. Escolheu o sujeito. No palanque, gritou:\u00a0<em>\u201cPrefeito n\u00e3o precisa falar. Precisa agir.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A multid\u00e3o, comovida, aplaudia o gaguinho, que apenas gesticulava com o V da vit\u00f3ria. Sem dizer um A, ganhou. \u00c9 o pre\u00e7o de uma democracia improvisada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanlamente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. 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