{"id":172667,"date":"2022-07-19T07:53:33","date_gmt":"2022-07-19T11:53:33","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=172667"},"modified":"2022-07-19T07:53:33","modified_gmt":"2022-07-19T11:53:33","slug":"artigo-gaudencio-torquato-nao-somos-ainda-uma-nacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-nao-somos-ainda-uma-nacao\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato:  N\u00c3O SOMOS AINDA UMA NA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-172669\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/site-artigo-gaudencio-torquato-l-nao-somos-ainda-uma-nacao-gaudencio-260x187.jpeg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"187\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/site-artigo-gaudencio-torquato-l-nao-somos-ainda-uma-nacao-gaudencio-260x187.jpeg 260w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/site-artigo-gaudencio-torquato-l-nao-somos-ainda-uma-nacao-gaudencio.jpeg 620w\" sizes=\"(max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><\/p>\n<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p><strong><em>Gaud\u00eancio Torquato \u00e9 jornalista, escritor, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico\u00a0<a href=\"mailto:Twitter@gaudtorquato\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Twitter@gaudtorquato<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imensa mar\u00e9 de lama que envolve pol\u00edticos na rec\u00e9m aprovada PEC dos Benef\u00edcios, a viol\u00eancia policial estampada pelas telas de TV, a partir do horripilante estupro de parturientes vulner\u00e1veis, as negocia\u00e7\u00f5es que jogam candidatos em negocia\u00e7\u00f5es escandalosas, a gest\u00e3o sem rumo, a administra\u00e7\u00e3o federal entregue \u00e0 vol\u00fapia dos donos do poder, fazem parte do mesmo tecido institucional: o do Brasil das trevas, o Brasil sob m\u00e1scara, o Brasil das mil\u00edcias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A PEC dos Benef\u00edcios cont\u00e9m um estratagema: a aprova\u00e7\u00e3o de estado de emerg\u00eancia. Em outras palavras, ser\u00e1 permitido ao governante adotar medidas extremas para ajudar as massas carentes, significando isso or\u00e7amentos extraordin\u00e1rios, inser\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de fam\u00edlias nos pacotes assistenciais, estouro das contas p\u00fablicas. N\u00e3o se pode deixar \u00e0 mingua popula\u00e7\u00f5es famintas, hoje somando quase 50 milh\u00f5es de brasileiros. Mas, por que s\u00f3 agora a pouco menos de tr\u00eas meses das elei\u00e7\u00f5es? Cooptar eleitor com a sopa do assistencialismo \u00e9 crime. Da\u00ed a necessidade de se aprovar uma PEC para driblar a ordem constitucional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, realizaremos uma elei\u00e7\u00e3o com artif\u00edcios e ferramentas de press\u00e3o. O Brasil mascarado ir\u00e1 \u00e0s urnas. E em sua caminhada, carregar\u00e1, a par de gente s\u00e9ria (temos de admitir que ainda dispomos dessa esp\u00e9cie), usurpadores, criminosos, pilantras, c\u00ednicos, vivaldinos e laranjas, categoria em expans\u00e3o, essa gente que fornece o \u00f3leo para lubrifica\u00e7\u00e3o dos esquemas de apropria\u00e7\u00e3o il\u00edcita do dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O poder invis\u00edvel est\u00e1 estocando seus arsenais. Mais de 40 bilh\u00f5es de reais encher\u00e3o os dutos eleitorais. Mas a estrat\u00e9gia de combate aos poderes invis\u00edveis, voltados para a arbitrariedade e a rapinagem, requer a for\u00e7a da press\u00e3o coletiva, mais que simples castigos aos criminosos. Pois toda mudan\u00e7a de cultura se ampara na vontade geral. E sabemos que para limpar a cara do Brasil que d\u00e1 vergonha, \u00e9 preciso que os sentimentos do povo se irmanem aos poderes normativos. Sob esse prisma, vemos a sociedade ainda estagnada, observando a paisagem, mesmo com organiza\u00e7\u00f5es fazendo questionamentos. O Judici\u00e1rio, por sua vez, \u00e9 questionado. Jogam sujeira em sua imagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No campo do Brasil Arbitr\u00e1rio e Violento, o campeonato \u00e9 disputado, entre outros, por contingentes das extremidades do arco ideol\u00f3gico, que inserem o pa\u00eds numa disputa de cabo de guerra. O que um lado far\u00e1 se ganhar a elei\u00e7\u00e3o? P\u00f4r lenha na fogueira? Convocar militares para reverter os resultados do pleito?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato \u00e9 que um v\u00e9u de incerteza teima em cobrir o esp\u00edrito nacional, adensando as expectativas, aumentando as ang\u00fastias e diminuindo a cren\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais. Em quase todos os aspectos da vida nacional, impera a d\u00favida. N\u00e3o sabemos at\u00e9 onde ir\u00e3o os limites da Constitui\u00e7\u00e3o ou como ser\u00e3o as formas para se chegar ao consenso sobre quest\u00f5es centrais. Ignoramos o intrincado jogo de poder. O que se sabe \u00e9 que a desconfian\u00e7a no processo eleitoral est\u00e1 disseminada. Um dano \u00e0 democracia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vive-se em um ambiente de caos. Ningu\u00e9m sabe, mas todos se aventuram a garantir suas verdades. Vers\u00f5es e fofocas se espalham. As For\u00e7as Armadas parecem ter tomado gosto pelo poder. Foram embora o respeito, a disciplina, a ordem, a \u00e9tica, a for\u00e7a do compromisso, a dignidade. A improvisa\u00e7\u00e3o campeia. Poucos se lembram dos hinos p\u00e1trios. Desprezamos ou n\u00e3o damos o devido valor ao conceito de Na\u00e7\u00e3o. O que nos importa \u00e9 um peda\u00e7o de terra, uma propina, um alto sal\u00e1rio, um feudo na \u00e1rea p\u00fablica. Felizmente, na \u00e1rea privada, os empreendedores se dedicam ao labor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, Na\u00e7\u00e3o \u00e9 um conjunto de valores, que re\u00fane amor ao espa\u00e7o f\u00edsico e espiritual, solidariedade, orgulho pelo pa\u00eds, civismo e atavismo. Onde est\u00e3o as bandeiras brasileiras nas portas das casas? Onde e quando se canta o hino nacional? Quem sabe contar hist\u00f3rias sobre os nossos antepassados?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 \u00e9 not\u00edcia o que \u00e9 deslize. O torto, o errado, o inusitado vence a coisa certa. A viol\u00eancia nivela a cultura por baixo. Sem rumo, o povo banaliza a criminalidade. Morreu fulano, beltrano? Ah, uma briga de rua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 triste. N\u00e3o somos, ainda, uma Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. 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