{"id":175488,"date":"2022-10-25T05:00:40","date_gmt":"2022-10-25T09:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=175488"},"modified":"2022-10-25T07:27:10","modified_gmt":"2022-10-25T11:27:10","slug":"artigo-gaudencio-torquato-que-brasil-queremos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-que-brasil-queremos\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato:  QUE BRASIL QUEREMOS?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-175489\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/site-gaudencio-1-260x187.jpeg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"187\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/site-gaudencio-1-260x187.jpeg 260w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/site-gaudencio-1.jpeg 620w\" sizes=\"(max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><\/p>\n<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Torquato \u00e9 jornalista, escritor, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico <a href=\"mailto:Twitter@gaudtorquato\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Twitter@gaudtorquato<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cQuero unir-me aos que criam, que colhem, que festejam; quero mostrar-lhes o arco-\u00edris e todas as escadas do super-homem\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre uma aurora e outra, Zaratustra dormiu profundamente, acordou com a manh\u00e3 passando por seu rosto e conclamou \u201ccompanheiros vivos, e n\u00e3o cad\u00e1veres, rebanhos ou crentes\u201d, para participar de uma nova cria\u00e7\u00e3o e escrever novos valores em novas t\u00e1buas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abro esta reflex\u00e3o com o canto que o profeta de Nietsche entoa, pulando por cima de \u201chesitantes e retardat\u00e1rios\u201d, na convoca\u00e7\u00e3o para buscar um caminho e descobrir uma nova verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que belo seria se brasileiro(a)s de todos os rinc\u00f5es, pobres e ricos, solit\u00e1rios, tristes e alegres, altos e baixos, se juntassem ao coro do profeta para instalar um pa\u00eds emoldurado por uma vida harmoniosa entre grupos e classes, sob a luz do respeito e da solidariedade, da grandeza e da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qu\u00e3o firmes seriam os la\u00e7os de uma sociedade convivial, constru\u00eddos com a cera do companheirismo e da fraternidade, sem o clamor do \u00f3dio e da vingan\u00e7a, entoando um canto un\u00edssono e festejando tempos de paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afinal, que habitat queremos construir nesse territ\u00f3rio de dimens\u00e3o continental, pleno de riquezas e potenciais, aclamado por abrigar a maior reserva hidrol\u00f3gica do mundo, um celeiro de alimentos, ocupando a terceira posi\u00e7\u00e3o de maior exportador de produtos agr\u00edcolas, e um dos maiores reservat\u00f3rios de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qu\u00e3o triste \u00e9 constatar o grau de barb\u00e1rie a que chegamos nessa quadra em que as duas bandas que formam a comunidade pol\u00edtica destilam montanhas de \u00f3dio, sob a feiura de linguagens chulas, palavr\u00f3rio incompat\u00edvel com o bom senso, falsidades e mentiras de todos os calibres, uso de igrejas como anzol para atrair eleitores, e, pior, inser\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as no palco utilit\u00e1rio da pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Terr\u00edveis ser\u00e3o as consequ\u00eancias sobre o estado espiritual do Brasil em um amanh\u00e3 que deixa ver sinais de trevas. Se n\u00e3o formos alimentados pela seiva do Bem, estaremos amea\u00e7ados a viver sob o imp\u00e9rio do Mal, retrocedendo aos tempos de barb\u00e1rie. E, assim, adiando o sonho de constru\u00e7\u00e3o de uma Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como ensina Jos\u00e9 Ingenieros, em\u00a0<em>O Homem Med\u00edocre<\/em>, pa\u00edses s\u00e3o express\u00f5es geogr\u00e1ficas e os Estados s\u00e3o formas de equil\u00edbrio pol\u00edtico. A P\u00e1tria, por\u00e9m, transcende esse conceito: \u00e9 sincronismo de esp\u00edritos e cora\u00e7\u00f5es, aspira\u00e7\u00e3o \u00e0 grandeza, comunh\u00e3o de esperan\u00e7as, solidariedade sentimental de uma ra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto um pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 p\u00e1tria, seus habitantes n\u00e3o formam uma Na\u00e7\u00e3o. O que estamos assistindo nesse momento? Um insincero jogo de confabula\u00e7\u00f5es politiqueiras, interesses venais e promessas enganosas, embrulhadas em pacotes de falso patriotismo e de composi\u00e7\u00f5es que alimentam a mais ferrenha disputa eleitoral da atualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nome do povo, desvios se multiplicam na paisagem institucional. A verdadeira crise do nosso povo \u00e9 a falta de casas, de comida, de emprego, de hospitais, de seguran\u00e7a, de lazer. A disputa que bate bumbo nos meios de comunica\u00e7\u00e3o tem o poder de deixar as massas longe do alfabeto pol\u00edtico. Elas agem por impulso e o primeiro que lhes afeta \u00e9 o instinto de sobreviv\u00eancia, encostado nas paredes do est\u00f4mago.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As formas de coopta\u00e7\u00e3o social, a partir da conquista do voto, exprimem um pensamento das elites dominantes. O povo, em suas extremas car\u00eancias, tem dificuldades de exercer cidadania. Sua autonomia de decis\u00e3o \u00e9 escassa e t\u00eanues s\u00e3o suas vontades. Em consequ\u00eancia, submete-se, como ente passivo, \u00e0 demagogia dos discursos e a uma engenhosidade operacional que acaba sugando suas emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se abre a portinha do lama\u00e7al, come\u00e7a-se a desvendar nossa identidade. H\u00e1 uma pequena rua, em Londres, cheia de lojinhas, que vendem os mesmos tecidos, dos mesmos padr\u00f5es e, incr\u00edvel, pelo mesmo pre\u00e7o. Nem um centavo a mais ou a menos. Um brasileiro foi ali pechinchar. Surpreendeu-se, quando o dono de uma das lojinhas se recusou a vender o tecido. Ele vira o brasileiro sair de outra loja. Apontou: a sua loja \u00e9 aquela. Naquela lojinha, cultiva-se a retid\u00e3o, a lealdade, a honestidade. Um exemplo de cultura sem barganhas e emboscadas. Estamos anos luz distantes desse sonho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qu\u00e3o tr\u00e1gico \u00e9 constatar que o\u00a0<em>animus animandi<\/em>\u00a0da comunidade se afina pelo mesmo diapas\u00e3o.\u00a0 D\u00e1-se vaz\u00e3o a not\u00edcias falsas. O culto da verdade entra na penumbra. O que \u00e9<em>\u00a0<\/em>vulgar encontra fervorosos adeptos, entre os que representam os interesses de fac\u00e7\u00f5es, alguns tornando-se porta-vozes do caos.\u00a0 S\u00e3o atores hip\u00f3critas aos quais \u00e9 permitido fazer emboscadas, atuando como part\u00edcipes de uma pe\u00e7a canhestra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qu\u00e3o desanimador \u00e9 ver o velho caciquismo dominando os padr\u00f5es da pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conf\u00facio, ao visitar a montanha de Taishan, encontrou uma mulher cujos parentes haviam sido mortos por tigres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211;\u00a0<em>Por que n\u00e3o se muda daqui?<\/em>\u00a0A resposta inquietou o s\u00e1bio:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211;\u00a0<em>Porque os governantes s\u00e3o mais ferozes que os tigres.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pol\u00edticos brasileiros precisam trabalhar para, em 2023, diminuir as dist\u00e2ncias que separam Territ\u00f3rio, Pa\u00eds, P\u00e1tria e Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. 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