{"id":179694,"date":"2023-03-14T08:21:27","date_gmt":"2023-03-14T12:21:27","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=179694"},"modified":"2023-03-14T08:21:27","modified_gmt":"2023-03-14T12:21:27","slug":"artigo-gaudencio-torquato-o-trunfo-e-paus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-o-trunfo-e-paus\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato:  \u201cO trunfo \u00e9 paus\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-179699\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/site-artigo-gaudencio-torquato-o-trunfo-e-paus-gaudencio.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"445\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/site-artigo-gaudencio-torquato-o-trunfo-e-paus-gaudencio.jpeg 620w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/site-artigo-gaudencio-torquato-o-trunfo-e-paus-gaudencio-260x187.jpeg 260w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professora Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p><strong>Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As crises intermitentes que assolam as democracias, e que propiciam caminhadas de pa\u00edses \u00e0 direita e \u00e0 esquerda, cada qual tentando experimentar receitas liberais ou socializantes, a depender das circunst\u00e2ncias, coloca o populismo no altar das venera\u00e7\u00f5es. E estabelecem um foro de debates a respeito do fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o e da ascens\u00e3o da tecnocracia ao centro do poder pol\u00edtico, abrindo a velha quest\u00e3o: \u00e9 melhor colocar na m\u00e1quina governamental t\u00e9cnicos no lugar de pol\u00edticos ou procurar acender uma vela a deus e outra ao diabo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato \u00e9 que grupos de diversos matizes passam a agir como ex\u00e9rcitos, tomando as ruas, exigindo a sa\u00edda de governantes a\u00e7oitados pela crise financeira e defendendo a entrada na cena de novos figurantes. O\u00a0status quo\u00a0\u00e9 jogado no colo de \u201celites\u201d identificadas com os respons\u00e1veis pela ado\u00e7\u00e3o de modelos ultrapassados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veja-se o caso de Lula. Deve o protagonista vestir o figurino de esquerda ou governar com representantes do centr\u00e3o, usando os moldes do model\u00e3o tradicional? Fugir da sinuca de bico seria sair pela porta populista ou dar uma no cravo, outra na ferradura? Enquanto as perguntas n\u00e3o s\u00e3o respondidas, o governo parece um ente sem rumo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas vizinhan\u00e7as, as administra\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m buscam um modelo para administrar a crise econ\u00f4mica que amea\u00e7a corroer os cord\u00f5es dos regimes. A alta infla\u00e7\u00e3o da Argentina (chegou a 98,8% em janeiro \u00faltimo) \u00e9 a segunda maior entre as principais economias do mundo. No Chile, o presidente Boric, com um ano de governo, padece da pior crise de popularidade na hist\u00f3ria do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Europa, espraia-se uma agita\u00e7\u00e3o que clama por mudan\u00e7as dr\u00e1sticas, a par das afli\u00e7\u00f5es vividas pelas popula\u00e7\u00f5es submetidas aos rigores da guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia. Grupos radicais esquentam a pol\u00eamica. Nos EUA e em outras pra\u00e7as, est\u00e1 em jogo o pr\u00f3prio equil\u00edbrio do sistema democr\u00e1tico, sob a amea\u00e7a de uma nova Guerra Fria, cujos protagonistas \u2013 EUA, R\u00fassia e China \u2013 inauguram uma temporada de estocadas rec\u00edprocas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Noutras regi\u00f5es, o ressentimento cai sobre a perda das identidades nacionais. Os governos seriam controlados pelo mandat\u00e1rio-mor do planeta, o capital internacional. Parcelas expressivas das popula\u00e7\u00f5es europeias se queixam da eros\u00e3o de suas fronteiras, enquanto um ex-membro da Uni\u00e3o Europeia, o Reino Unido, tenta arrefecer os impactos do Brexit.\u00a0 As culturas regionais sinalizam o esgar\u00e7amento da teia de valores que formam o car\u00e1ter de seus povos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As assimetrias, como agora se mostram, s\u00e3o escancaradas. O ordenamento do imp\u00e9rio financeiro \u2013 inspirado na prote\u00e7\u00e3o dos cofres e no fortalecimento dos PIBs nacionais \u2013 acaba tapando os olhos para o conforto social, ainda que as equa\u00e7\u00f5es produzidas pelos formuladores de plant\u00e3o tentem demonstrar rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito, ou seja, a estrat\u00e9gia de defender o Tesouro da Na\u00e7\u00e3o acaba sendo a chave para abrir as portas do bem-estar geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A receita brasileira para enfrentar a crise, segundo se depreende da vis\u00e3o do presidente Lula, \u00e9 expandir o acesso da popula\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito e consumo. Meta que esbarra no compromisso de uma pol\u00edtica regrada pelo teto de gastos e crescimento do PIB, agora bravamente defendida pelo ministro Fernando Haddad.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dito isto, analisemos outro ator no palco das democracias contempor\u00e2neas: o tecnocrata. Oportuno lembrar que n\u00e3o h\u00e1 mais no planeta brilhantes estrelas da pol\u00edtica. O painel locupleta-se de figurantes sem o glamour de l\u00edderes que marcaram presen\u00e7a na Hist\u00f3ria. Quem se lembra da sabedoria e do tino de figuras portentosas como De Gaulle, Churchill, Margaret Thatcher ou Willy Brandt? As na\u00e7\u00f5es disp\u00f5em hoje de quadros funcionais de limitado ciclo de vida pol\u00edtica. Os conflitos do passado, cujo foco era a geopol\u00edtica e a expans\u00e3o de dom\u00ednios (que ainda se fazem presentes na fei\u00e7\u00e3o de perfis como Vladimir Putin), cedem lugar \u00e0s lutas contra o drag\u00e3o que devasta as finan\u00e7as e corr\u00f3i os cofres. \u00c9 natural, pois, que o perfil do momento saia dos sal\u00f5es da tecnocracia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tecnocrata faz mal \u00e0 democracia? A pergunta est\u00e1 no ar desde a queda do Muro de Berlim, no v\u00e1cuo deixado pelo desvanecimento das ideologias e pela pasteuriza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. De l\u00e1 para c\u00e1, governos esvaziaram seus compartimentos doutrin\u00e1rios, preenchendo-os com quadros burocr\u00e1ticos e apetrechos t\u00e9cnicos para obter efic\u00e1cia. Inaugurava-se o ciclo que Maurice Duverger cognomina de \u201ctecnodemocracia\u201d, que sucede \u00e0 democracia liberal. Seus eixos se apoiam em organiza\u00e7\u00f5es complexas e racionais e, hoje mais que nunca, levam em conta a gangorra dos capitais financeiros mundiais. A pol\u00edtica deixou de ser uma unidade aut\u00f4noma, porquanto passou a depender de mais duas hierarquias: a alta administra\u00e7\u00e3o do Estado e os neg\u00f3cios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 o feitio das modernas democracias. \u00c9 essa modelagem que explica a mobiliza\u00e7\u00e3o das massas em quadrantes diferentes do planeta. Busca-se um salvador da p\u00e1tria, seja ele socialista, populista, liberal, conservador de direita, tecnocrata ou intelectual. E se ele n\u00e3o aparecer? \u00a0 Ent\u00e3o ganha vez e voz um dos lemas dos ditadores:\u00a0quando nada mais se apresenta, o trunfo \u00e9 paus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professora Gaud\u00eancio Torquato. 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