{"id":180292,"date":"2023-04-04T07:44:39","date_gmt":"2023-04-04T11:44:39","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=180292"},"modified":"2023-04-04T07:44:39","modified_gmt":"2023-04-04T11:44:39","slug":"artigo-gaudencio-torquato-a-fogueira-ainda-acesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-a-fogueira-ainda-acesa\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato: A Fogueira ainda acesa"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-180298\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/site-artigo-gaudencio-torquato-a-fogueira-ainda-acesa-gaudencio.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"445\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/site-artigo-gaudencio-torquato-a-fogueira-ainda-acesa-gaudencio.jpeg 620w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/site-artigo-gaudencio-torquato-a-fogueira-ainda-acesa-gaudencio-260x187.jpeg 260w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p><strong>\u00a0Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema volta \u00e0 tona por uma quest\u00e3o que permanece pulsante no foro do debate pol\u00edtico: a fuma\u00e7a eleitoral que, desde outubro passado, teima em obscurecer nossa vista e alterar o nosso olfato. A fogueira n\u00e3o se dissipa. E, desta vez, apresenta-se com lenha renovada, que a deixa alta e soltando fagulhas por todos os lados. Caracter\u00edsticas de tempos mutantes. Vale reconhecer que a sociedade pol\u00edtica \u00e9 mais participativa; hoje, o pa\u00eds continua dividido entre bolsonaristas, lulopetistas, o grupo nem-l\u00e1-nem-c\u00e1 e os amorfos, sem cheiro nem cor. O cen\u00e1rio abre largo painel de leituras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro, a constata\u00e7\u00e3o. O Brasil ganhou, de uns tempos para c\u00e1, a faixa de pa\u00eds ativo na galeria da pol\u00edtica. Trata-se de um fato vis\u00edvel aos olhos dos analistas: mais discuss\u00e3o sobre pol\u00edtica nos ambientes de trabalho, nos meios de locomo\u00e7\u00e3o e at\u00e9 nas mesas de bares e restaurantes. Qual foi a causa? A campanha eleitoral mais disputada das \u00faltimas d\u00e9cadas, a polariza\u00e7\u00e3o entre discursos e narrativas, as correntes de \u00f3dio e indigna\u00e7\u00e3o, que se espraiam pelas regi\u00f5es, saindo dos centros urbanos e chegando aos fund\u00f5es rurais etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como motores propulsores dessa nova fei\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, entram em cena os figurantes: no lado esquerdo do cabo de guerra, puxando uma corrente de partid\u00e1rios e aderentes, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, que ganhou o pleito, sendo ele a maior refer\u00eancia da din\u00e2mica social do Brasil, magoado depois de mais de 500 dias preso, em Curitiba, cheio de raiva e disposto a fazer tudo o que for poss\u00edvel para \u201crecuperar\u201d o pa\u00eds. De outro, o extremista de direita, Jair Bolsonaro, capit\u00e3o aposentado do Ex\u00e9rcito, que canaliza as energias de metade do eleitorado, e que volta ao Brasil, depois de f\u00e9rias t\u00e1ticas de 90 dias na Fl\u00f3rida, Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois bem, ambos j\u00e1 est\u00e3o com um discurso eleitoral prontinho para ser exposto, em palanques, eventos comemorativos, inaugura\u00e7\u00f5es. Lula vai querer acelerar seus programas, alguns de feitio desenhado no passado, enquanto Jair, na condi\u00e7\u00e3o de piloto do PL de Valdemar Costa Neto, sal\u00e1rio alto, casa alugada, despesas pagas pelo fundo partid\u00e1rio, correr\u00e1 o pa\u00eds. Em franca peregrina\u00e7\u00e3o para botar mais na lenha da fogueira eleitoral de 2024, quando ser\u00e3o eleitos 5.570 prefeitos e milhares de vereadores, base que servir\u00e1 de lan\u00e7amento do candidato presidencial de 2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Moral da hist\u00f3ria: nem sai de uma elei\u00e7\u00e3o e o Brasil j\u00e1 entra noutra. Donde se faz a infer\u00eancia: viver permanentemente sob o clima de elei\u00e7\u00e3o \u00e9 um golpe no planejamento, avilta as contas p\u00fablicas, desmoraliza programas s\u00e9rios e tudo \u00e9 feito para atender aos compromissos de protagonistas que pensam apenas no \u201cpoder pelo poder\u201d. Outra infer\u00eancia. O tema da reelei\u00e7\u00e3o carece novo debate. Parece conveniente voltar-se a discutir a proibi\u00e7\u00e3o de reelei\u00e7\u00e3o, prorrogando-se o mandato presidencial para mais um ano, ou seja, com 5 anos. Desse modo, o custo Brasil da reelei\u00e7\u00e3o seria atenuado, dando al\u00edvio \u00e0s contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diz-se que o ato de votar, de dois em dois anos, faz bem \u00e0 democracia. A hip\u00f3tese seria bem aceita, caso tiv\u00e9ssemos uma modelagem pol\u00edtica desenvolvida, sem as curvas eleitoreiras, feitas para destinar recursos \u00e0s obras de fulanos, sicranos e beltranos. Em democracias consolidadas, a experi\u00eancia de reelei\u00e7\u00e3o torna-se mais palat\u00e1vel. Ocorre que os pol\u00edticos n\u00e3o pensam em sair de seu status, que lhes d\u00e1 visibilidade e condi\u00e7\u00f5es para orbitar na esfera partid\u00e1ria, elegendo-se ou se reelegendo. Dif\u00edcil ser\u00e1 acabar com a reelei\u00e7\u00e3o, temos de admitir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato positivo da paisagem que se vislumbra \u00e9 a politiza\u00e7\u00e3o mais aguda que impregna parcelas ponder\u00e1veis do eleitorado. Costumo pin\u00e7ar as li\u00e7\u00f5es de John Stuart Mill, um dos pensadores liberais mais influentes do s\u00e9culo 19, que classificava os cidad\u00e3os em ativos e passivos, aduzindo que os governantes preferem os segundos, mas a democracia necessita dos primeiros. J\u00e1 Norberto Bobbio em seu livro O Futuro da Democracia, expressa ideia de que os s\u00faditos s\u00e3o transformados num bando de ovelhas a pas\u00adtar capim uma ao lado da outra. E acrescenta: \u201cOvelhas que n\u00e3o reclamam nem mesmo quando o capim \u00e9 escasso.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por estas bandas, apesar do capim farto, equinos, caprinos e bovinos rompem o cabresto e saem dos currais. E mais, n\u00e3o querem ser com\u00adparados a animais irracionais e d\u00f3ceis. Mas devemos nos alegrar porque o Brasil cidad\u00e3o d\u00e1 as caras. Movimentos e decis\u00f5es nas esferas judici\u00e1ria e parlamentar denotam que o Pa\u00eds passa a aplicar par\u00e2metros racionais no campo eleitoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ativismo da mais alta Corte Eleitoral, ao contr\u00e1rio do que muitos apregoam, n\u00e3o deve ser en\u00adtendido como invas\u00e3o despropositada na esfera pol\u00edtica. No \u00faltimo pleito, numa comunidade cearense, viram-se faixas com os dizeres: \u201cEsta fam\u00edlia n\u00e3o vende voto.\u201d O corpo pol\u00edtico da Na\u00e7\u00e3o n\u00e3o se curou por completo de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, dentre elas, incha\u00e7os na m\u00e1quina p\u00fablica. Mas as gorduras, pouco a pouco, s\u00e3o extirpadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. \u00a0Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico &nbsp; O tema volta \u00e0 tona por uma quest\u00e3o que permanece pulsante no foro do debate pol\u00edtico: a fuma\u00e7a eleitoral que, desde outubro passado, teima em obscurecer nossa vista e alterar o nosso olfato. 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