{"id":183472,"date":"2023-08-01T05:22:37","date_gmt":"2023-08-01T09:22:37","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=183472"},"modified":"2023-08-01T07:36:32","modified_gmt":"2023-08-01T11:36:32","slug":"artigo-gaudencio-torquato-os-pecados-dos-governantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-os-pecados-dos-governantes\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato:  Os pecados dos governantes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-183473\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/site-gaudencio1.png\" alt=\"\" width=\"718\" height=\"263\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/site-gaudencio1.png 718w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/site-gaudencio1-260x95.png 260w\" sizes=\"(max-width: 718px) 100vw, 718px\" \/>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gaud\u00eancio Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os governantes n\u00e3o gostam de ver seus retratos em preto e branco. S\u00f3 a cores. Alguns olham para o espelho, como a madrasta da Branca de Neve, e perguntam:\u00a0\u201cespelho, espelho meu, h\u00e1 algu\u00e9m mais poderoso do que eu\u201d?\u00a0O deleite que desfrutam na cama do poder acaba desenvolvendo neles uma cultura de frui\u00e7\u00e3o e gozo, que lhes enfraquece a capacidade de ver as coisas com isen\u00e7\u00e3o, acuidade e objetividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Tornam-se imunes \u00e0 realidade. Cobrem-se com um manto que os deixam em estado cont\u00ednuo de dorm\u00eancia. O poder provoca del\u00edrios e, assim, com o porre mental que lhes faz adormecer, os governantes cometem o primeiro pecado capital. O da insensibilidade. Assim, distanciam-se da racionalidade. Agem por emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Desacostumam-se a ver de longe. Da t\u00eanue autoconfian\u00e7a do in\u00edcio do governo, elevam-se em sua autoestima, sob a cren\u00e7a de que o poder da caneta \u00e9 seu. Transformam-se em donos do seu peda\u00e7o, senhores de capitanias heredit\u00e1rias. Incorporam o Complexo de Olimpo, o sentimento de que det\u00eam uma aura divina. Com essa identidade, as realiza\u00e7\u00f5es e programas do Governo deixam de ser algo inerente \u00e0 fun\u00e7\u00e3o de governar para se transformar em feitos pessoais do governante magn\u00e2nimo e generoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse momento, tendem a semear a seara administrativa com a \u00e1gua do populismo, banhando suas a\u00e7\u00f5es com nomes que tentam la\u00e7ar a aten\u00e7\u00e3o das massas, e quase sempre prometendo matar a fome, melhorar a posi\u00e7\u00e3o dos bolsos com bolsas aumentadas, casas para todos, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A popula\u00e7\u00e3o \u00e9 inoculada com a inje\u00e7\u00e3o mistificadora que sobrep\u00f5e a identidade f\u00edsica do governante sobre o conceito jur\u00eddico do Governo. Muitos governantes acabam se achando her\u00f3is, salvadores da P\u00e1tria, justiceiros, Flagra-se, aqui, outro pecado capital, o da onipot\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mandonismo imperial est\u00e1 alicer\u00e7ado numa base monet\u00e1ria. Os governantes decidem o qu\u00ea, onde e como fazer. O planejamento or\u00e7ament\u00e1rio contemplar\u00e1 obras fundamentais, por\u00e9m n\u00e3o deixar\u00e1 de atender ao varejo eleitoral. Para eles, o dinheiro compra tudo. Com verbas volumosas, garantir\u00e3o um segundo mandato. E com recursos distribu\u00eddos com seus apoiadores, ter\u00e3o uma base s\u00f3lida de congressistas, grupo que sustentar\u00e1 os programas governistas. E aqui est\u00e1 mais um pecado capital: o da cren\u00e7a na for\u00e7a absoluta da grana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de meses de incessantes atividades, os governantes come\u00e7am a perder vigor, tornando fl\u00e1cida sua musculatura. Padecem do v\u00edrus da\u00a0rotinite\u00a0aguda. Estados e Munic\u00edpios se alimentam do feij\u00e3o e arroz necess\u00e1rios \u00e0 magra exist\u00eancia. E correm, de pires na m\u00e3o, \u00e0 Bras\u00edlia para mendigar as migalhas que ainda est\u00e3o sobre a mesa dos comil\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 criatividade nas gest\u00f5es, n\u00e3o se buscam solu\u00e7\u00f5es inteligentes, inovadoras e avan\u00e7adas. O caldo insosso traz mais um pecadilho no arsenal dos governantes, o da rotina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O erro seguinte aparece logo. Governantes, \u00e1vidos para criar marca, j\u00e1 n\u00e3o obedecem a uma agenda planejada, jogando suas fichas na mesa do marketing exacerbado, com feitos anunciados em profus\u00e3o nas m\u00eddias impressas e eletr\u00f4nicas. N\u00e3o administram seus tempos de acordo com um sentido de prioridades e l\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo ocorre ao bel-prazer. A desorganiza\u00e7\u00e3o grassa, bagun\u00e7ando as malhas burocr\u00e1ticas e produzindo muita improvisa\u00e7\u00e3o. Mas tudo vai \u00e0s mil maravilhas, para eles, porque os seus assessores mais pr\u00f3ximos capricham no puxa-saquismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Cria-se um grupo da Corte. Que vive fazendo elogios ao Rei, escondendo as coisas mal-feitas, sobrevalorizando as a\u00e7\u00f5es positivas, jogando para baixo do tapete as coisas erradas. As assessorias desqualificadas e os n\u00facleos do que, outrora, se chamava de \u201cluas-pretas\u201d, comp\u00f5em uma das maiores barreiras para a inefic\u00e1cia dos Governos, descortinando mais um pecado capital, o da bajula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">E assim desfilam os governantes na passarela do poder, cantando hosanas \u00e0s gl\u00f3rias de sua gest\u00e3o, pavimentando o caminho de suas emo\u00e7\u00f5es com hinos e loas. Buscam ser comparados aos melhores, aos bem avaliados. Investem em pesquisas. Suas carruagens de fogo e seus cometas planet\u00e1rios trafegam pelos c\u00e9us, deixando rastros de nuvens coloridas que se esvaem nos ventos do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">De tanto caminharem de salto alto, os governantes acabam pisando nos p\u00e9s do povo. T\u00eam respostas prontas para perguntas que n\u00e3o s\u00e3o feitas. Desculpas esfarrapadas para promessas n\u00e3o cumpridas. E s\u00e3o capazes de provar que o melhor para as massas desprovidas e incultas \u00e9 aquilo que eles acham que elas merecem. E n\u00e3o realmente o que o povo precisa. \u00a0 Alguns temem enfrentar as multid\u00f5es. Refugiam-se em pal\u00e1cios. Nesse momento, os governantes se abrigam em seu inferno, cometendo outro pecado capital, o do descompasso com o senso comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e3o castigados mais adiante. No dia em que o cidad\u00e3o usa sua principal arma de defesa contra os maus administradores: o voto. Dar\u00e1 a eles o passaporte para voltar para casa, medida providencial. Nem sempre \u00e9 assim, mas o voto, a cada pleito, est\u00e1 deixando o cora\u00e7\u00e3o para subir \u00e0 cabe\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. 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