{"id":184210,"date":"2023-08-29T07:45:14","date_gmt":"2023-08-29T11:45:14","guid":{"rendered":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/?p=184210"},"modified":"2023-08-29T08:26:14","modified_gmt":"2023-08-29T12:26:14","slug":"artigo-gaudencio-torquato-o-brasil-bandido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/artigo-gaudencio-torquato-o-brasil-bandido\/","title":{"rendered":"Artigo Gaud\u00eancio Torquato: O Brasil bandido"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-184211\" src=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/site-artigo-gaudencio-torquato-o-brasil-bandido-gaudencio.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"445\" srcset=\"https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/site-artigo-gaudencio-torquato-o-brasil-bandido-gaudencio.jpeg 620w, https:\/\/mspontocom.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/site-artigo-gaudencio-torquato-o-brasil-bandido-gaudencio-260x187.jpeg 260w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato.<\/p>\n<p><strong>Torquato \u00e9 escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de o leitor terminar de ler este par\u00e1grafo, dois cidad\u00e3os estar\u00e3o tombando ou sendo assaltados, v\u00edtimas da bandidagem no pa\u00eds. De 5 doentes que baixam nos hospitais brasileiros, pelo menos um \u00e9 v\u00edtima de uma \u201cguerra civil\u201d que mata por ano quase 50 mil cidad\u00e3os, n\u00famero equivalente ao dos EUA e mais gente que os mortos em conflitos como este entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia. P.S. Com 10% das armas dos EUA, Brasil tem taxa de homic\u00eddios com armas de fogo 5 vezes maior. No Brasil, a taxa \u00e9 de 23,5 assassinatos por 100 mil habitantes. Nos Estados Unidos, a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 de 5,6, mesmo com os casos de mortandade em escolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A trilha sangrenta da viol\u00eancia no Brasil \u00e9 longa. At\u00e9 1830, o pa\u00eds n\u00e3o tinha um c\u00f3digo penal, submetendo-se como col\u00f4nia portuguesa \u00e0s Ordena\u00e7\u00f5es Filipinas, que abrigavam os crimes e penas a serem aplicadas, como morte, confisco de bens, multas e humilha\u00e7\u00e3o p\u00fablica do r\u00e9u. A reforma do sistema punitivo veio com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1824, extinguindo-se o a\u00e7oite, a tortura, o ferro quente e outras penalidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O d\u00e9ficit de vagas nas pris\u00f5es \u00e9 hist\u00f3rico. Em 2019, segundo o\u00a0Departamento Penitenci\u00e1rio Nacional (Depen) havia cerca de 460 mil vagas para abrigar 800 mil detentos. Leve-se em considera\u00e7\u00e3o nessa estat\u00edstica o elevado n\u00famero de pris\u00f5es provis\u00f3rias, muitas desproporcionais ou descabidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro \u00e2ngulo da viol\u00eancia \u00e9 o do empobrecimento do pa\u00eds. O rombo da Previd\u00eancia tem a colabora\u00e7\u00e3o do cano assassino que aleija multid\u00f5es, alarga fila de hospitais, multiplica pens\u00f5es de vi\u00favas e devasta o PIB. Pesquisa do IPEA e do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica mostra que a viol\u00eancia impacta o PIB em 6%, algo em torno de R$ 400 bilh\u00f5es em valores de hoje, soma equivalente ao gasto com educa\u00e7\u00e3o. Dinheiro que poderia ser investido em hospitais, escolas, habita\u00e7\u00e3o, transportes, agricultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O quadro \u00e9 aterrador: bandidos assaltando, sequestrando, matando pessoas; chacinas explodindo nos finais de semana; policiais matando bandidos; bandidos matando policiais; policiais matando policiais; bandidos roubando o dinheiro de companheiros presos; balas perdidas matando crian\u00e7as; c\u00e1rceres apinhados; estupros e mortes violentas cometidas pela mais fria estupidez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Convivemos s\u00f3 em S\u00e3o Paulo com cerca de 100 mil bandidos soltos nas ruas. As cadeias p\u00fablicas est\u00e3o superlotadas. E, para fechar o circuito de viol\u00eancia, h\u00e1 sinais de que os neg\u00f3cios do PCC avan\u00e7am no tr\u00e1fico de drogas e na \u00e1rea dos crimes ambientais na Amaz\u00f4nia, com patroc\u00ednio de desmatamento, grilagem, garimpo em terras ind\u00edgenas e extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira. (A prop\u00f3sito, h\u00e1 cerca de 50 entidades que assumem o poder da viol\u00eancia no Estado brasileiro).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O clima em todo o pa\u00eds \u00e9 de inseguran\u00e7a e medo. As pol\u00edcias n\u00e3o conseguem desbaratar quadrilhas mancomunadas com os comerciantes de drogas, conter o \u00edmpeto de galeras enfurecidas, aprisionar ladr\u00f5es, estupradores e a corja de malandros que instalaram no Brasil um dos maiores Estados da viol\u00eancia permanente do mundo. Em muitos cantos, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que um barril de p\u00f3lvora est\u00e1 prestes a explodir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O imp\u00e9rio da maldade acossa a popula\u00e7\u00e3o. A brutalidade jorra em propor\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica e as paliativas solu\u00e7\u00f5es governamentais &#8211; melhoria e amplia\u00e7\u00e3o do sistema penitenci\u00e1rio, refor\u00e7o e reaparelhamento das pol\u00edcias ou policiais portando c\u00e2meras est\u00e3o longe de dar conta do crescimento da viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se pode fazer de imediato? O beab\u00e1 para combater a viol\u00eancia come\u00e7a com o desfazimento da cosm\u00e9tica de mis\u00e9ria que se instalou no pa\u00eds, sob o olhar complacente dos governantes e suas promessas. O combate \u00e0 viol\u00eancia est\u00e1 na pauta priorit\u00e1ria dos gestores p\u00fablicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil, \u00e9 triste, est\u00e1 se tornando um dos pa\u00edses com os maiores \u00edndices de criminalidade do planeta. Pior: a viol\u00eancia entorpece o \u00e2nimo social. O descalabro, fruto da banaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e da morte, \u00e9 a anestesia social. Um fen\u00f4meno que prenuncia o porvir de uma sociedade de zumbis. De tanto ver e sentir a morte, pertinho de si, as pessoas j\u00e1 n\u00e3o se abalam como antigamente. Entram em estupor, em estado de catatonia, presas, cegas, surdas e mudas, dentro de seu pr\u00f3prio medo. Essa cat\u00e1strofe est\u00e1 gerando filhos duros, frios, insens\u00edveis, danosos, que n\u00e3o t\u00eam sentido de lugar, de humanidade, de pa\u00eds, de P\u00e1tria. E nem de fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem esperan\u00e7a, com emo\u00e7\u00f5es envenenadas pelo v\u00edrus das pandemias e por ang\u00fastia, os cidad\u00e3os entram no limbo catat\u00f4nico, assemelhando-se a d\u00e2ndis em passeio macabro e estonteante por um jardim de horrores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A viol\u00eancia suga a vitamina da vida, a alegria de viver. O que fazer? Lutar com a arma da mobiliza\u00e7\u00e3o. Denunciar, pressionar, acusar, assinalar, abrir a palavra nas redes sociais. O momento exige participa\u00e7\u00e3o social, oxig\u00eanio c\u00edvico, \u00fanica for\u00e7a capaz de ressuscitar o\u00a0animus animandi\u00a0da sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mspontocom publica semanalmente artigo do professor Gaud\u00eancio Torquato. 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